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Combo Evangelhos e Atos: A Bíblia de Sermões do Pregador

O preço original era: R$269,50.O preço atual é: R$149,00.

Combo de 5 Livros Evangelhos e Atos: Biblioteca de Esboços Bíblicos para Pregação Expositiva

Descrição

A biblioteca que revela a pessoa de Cristo, o Evangelho do Reino e o nascimento da Igreja

No centro de toda a Bíblia está uma pessoa.

Jesus Cristo.

Os Evangelhos narram Sua vida, Seu ministério, Seus milagres, Seus ensinamentos, Sua morte e Sua ressurreição.

O livro de Atos mostra que essa história não terminou com Sua ascensão.

Ela continua por meio da ação do Espírito Santo na vida da Igreja e da expansão do Evangelho até os confins da terra.

Entretanto, exatamente por serem livros tão conhecidos, muitos pregadores enfrentam um desafio inesperado.

  • Como anunciar os Evangelhos sem repetir sempre as mesmas mensagens?
  • Como interpretar corretamente parábolas, milagres, discursos e sinais realizados por Jesus?
  • Como evitar reduzir Cristo a um simples exemplo moral ou transformar Seus ensinamentos em princípios isolados?
  • Como demonstrar que cada acontecimento da vida de Jesus faz parte do grande plano da redenção revelado nas Escrituras?

Responder a essas perguntas normalmente exige anos de pesquisa histórica, exegética e teológica.

Foi exatamente para reduzir essa distância entre os Evangelhos, Atos e o púlpito que nasceu a Biblioteca dos Evangelhos e Atos dos Apóstolos.

Mais do que reunir cinco volumes, esta coleção foi desenvolvida para acompanhar o pregador na exposição da pessoa de Cristo, da mensagem do Reino de Deus e da expansão do Evangelho através da Igreja.


Muito além da narrativa da vida de Jesus

Esta coleção reúne os volumes de:

  • Mateus.
  • Marcos.
  • Lucas.
  • João.
  • Atos dos Apóstolos.

Cada livro foi desenvolvido seguindo a mesma metodologia expositiva, preservando unidade, profundidade teológica e absoluta fidelidade às Escrituras.


Uma biblioteca construída para compreender o Evangelho

Cada volume integra cuidadosamente:

  • Exegese bíblica.
  • Pesquisa arqueológica.
  • Contexto histórico.
  • Contexto político.
  • Geografia bíblica.
  • Contexto cultural do primeiro século.
  • Estrutura literária.
  • Teologia Bíblica.
  • Teologia Sistemática.
  • Aplicação pastoral.
  • Leitura cristocêntrica das Escrituras.

O objetivo não é apenas explicar acontecimentos da vida de Jesus ou da Igreja Primitiva. É demonstrar como cada episódio revela a identidade do Messias, proclama o Reino de Deus e anuncia a obra redentora que transforma a história da humanidade.


Sermões completos e plenamente pregáveis

Cada sermão apresenta uma estrutura cuidadosamente organizada.

Você encontrará:

  • Tema.
  • Objetivo.
  • Mensagem central.
  • Introdução.
  • Narrativa.
  • Desenvolvimento em três pontos.
  • Aplicações práticas.
  • Citações enriquecedoras.
  • Princípio central da passagem.
  • O Messias revelado no texto.
  • O Evangelho presente em cada sermão.
  • Conclusão.

Tudo preparado para preservar a fidelidade ao texto bíblico e conduzir cada exposição à pessoa e à obra de Jesus Cristo.


Desenvolvida para quem deseja anunciar fielmente o Evangelho

Esta biblioteca foi criada para servir:

  • Pastores.
  • Pregadores.
  • Evangelistas.
  • Missionários.
  • Líderes cristãos.
  • Professores de Escola Bíblica Dominical.
  • Seminários.
  • Institutos Bíblicos.
  • Estudantes de Teologia.
  • Todos aqueles que desejam proclamar Cristo com profundidade bíblica e fidelidade às Escrituras.

Onde o Reino de Deus se revela

Os Evangelhos e Atos apresentam os acontecimentos centrais da história da redenção.

  • A encarnação do Filho de Deus.
  • O anúncio do Reino.
  • As parábolas.
  • Os milagres.
  • A cruz.
  • A ressurreição.
  • A ascensão.
  • O derramamento do Espírito Santo.
  • O nascimento da Igreja.
  • A expansão missionária.
  • A proclamação do Evangelho às nações.

Cada página revela que o plano redentor de Deus alcança seu ponto culminante na pessoa e na obra de Jesus Cristo e continua avançando através da missão da Igreja.


Cristo no centro de toda a narrativa

Cada volume desta biblioteca demonstra que os Evangelhos e Atos formam uma única narrativa da redenção.

Jesus é o Messias prometido pelos profetas, o Servo que entrega Sua vida em favor do Seu povo, o Rei que inaugura o Reino de Deus, o Salvador ressuscitado que envia Sua Igreja ao mundo e o Senhor que continua edificando Seu povo pelo poder do Espírito Santo.

Por isso, todos os sermões apresentam uma seção dedicada ao Messias no texto e ao Evangelho na passagem, demonstrando como cada narrativa conduz naturalmente ao coração das Escrituras.


Uma biblioteca construída para acompanhar toda a vida ministerial

A Biblioteca dos Evangelhos e Atos dos Apóstolos integra a coleção Esboços Bíblicos Completos para Pregação Expositiva, desenvolvida ao longo de anos de pesquisa, curadoria e amadurecimento editorial.

Mais do que reunir cinco dos livros mais conhecidos do Novo Testamento, esta coleção oferece uma biblioteca expositiva preparada para transformar cada narrativa da vida de Cristo e da Igreja Primitiva em sermões profundamente bíblicos, pastoralmente relevantes e absolutamente cristocêntricos.

Porque toda a Bíblia aponta para Cristo.

E é nos Evangelhos e em Atos que contemplamos, com maior clareza, Sua vida, Sua obra, Seu Reino e a missão que continua sendo proclamada pela Igreja até hoje.

 


FAQ – Perguntas e Respostas Frequentes

Por que quatro Evangelhos e não um só?

Calvino, no prefácio de sua Harmonia dos Evangelhos, tratou a questão sem ansiedade: a diversidade dos relatos é providencial, não um acidente a ser encoberto. Quatro testemunhos convergentes e independentes em detalhe fortalecem, e não enfraquecem, a credibilidade do testemunho.

Teologicamente, cada Evangelho apresenta um ângulo do mesmo Cristo: Mateus, o Messias que cumpre as Escrituras de Israel; Marcos, o Servo cuja glória se revela na cruz; Lucas, o Salvador cujo alcance transborda para os gentios; João, o Logos eterno encarnado. A tradição patrística de associá-los aos quatro viventes de Ezequiel 1 e Apocalipse 4 captava intuitivamente isso.

O erro a evitar é o inverso simétrico: nem harmonizar até apagar as diferenças, nem absolutizar as diferenças até criar quatro Cristos incompatíveis.

As diferenças entre os relatos comprometem a inerrância bíblica?

Esta é provavelmente a pergunta mais recorrente de todas, e merece uma resposta que não seja evasiva.

A doutrina reformada da inspiração, articulada na Confissão de Westminster I.8 e desenvolvida por Warfield — afirma que a Escritura é inerrante naquilo que ela afirma, segundo o padrão de precisão que ela própria adota. Calvino cunhou para isso o conceito de accommodatio: Deus fala “como as amas falam com as crianças”, ajustando-se à capacidade humana. Um autor antigo que reordena episódios tematicamente, comprime diálogos, arredonda números ou parafraseia palavras não está errando, está escrevendo segundo as convenções do gênero que pratica.

Exemplos concretos: Mateus agrupa milagres tematicamente (cc. 8–9) onde Marcos segue outra ordem; os relatos da manhã da ressurreição variam quanto ao número de mulheres e anjos mencionados; a inscrição na cruz aparece em quatro formulações. Nenhum desses casos exige tratar um dos evangelistas como falso, exige tratá-los como historiadores antigos, não como estenógrafos.

Onde o problema permanece genuinamente difícil (a hora da crucificação em Marcos 15,25 e João 19,14, por exemplo), a honestidade intelectual recomenda apresentar as soluções propostas sem fingir que alguma delas encerra a discussão.

O que significa afirmar que Cristo é o “escopo” da Escritura?

Calvino usou repetidamente a imagem: as Escrituras são as faixas em que o menino Cristo está envolto; retire-as e resta um discurso vazio. Em Institutas I.6, ele compara a Escritura a óculos que corrigem a visão embaçada da revelação natural.

Na apropriação de Van Groningen, isso se traduz num programa: rastrear a revelação messiânica desde o protoevangelho, através das alianças patriarcal, mosaica e davídica, dos ofícios de profeta, sacerdote e rei, e das promessas proféticas do servo, do rebento e do filho do homem, mostrando que os Evangelhos não inventam um Messias, mas identificam Jesus como aquele já descrito.

O limite a observar: leitura cristológica não é alegorismo arbitrário. Vos insistia que o sentido histórico-gramatical do texto vétero-testamentário é o ponto de partida, não um obstáculo a ser contornado.


A autoria tradicional (Mateus, Marcos, Lucas, João) se sustenta?

Depende do que se exige como prova. Os títulos não fazem parte do corpo dos textos, mas aparecem uniformemente na tradição manuscrita antiga, sem rastro de atribuições concorrentes, o que é notável, dado que obras genuinamente anônimas na antiguidade costumam gerar atribuições divergentes. Papias (c. 110–130), citado por Eusébio, já associa Marcos a Pedro e menciona uma coleção de ditos ligada a Mateus. Irineu, no fim do séc. II, dá a lista completa.

Um argumento de peso é o da implausibilidade da invenção: se a Igreja atribuísse Evangelhos ficticiamente, escolheria nomes de maior prestígio, não um cobrador de impostos, um assistente que abandonou Paulo em Panfília e um médico gentio que não conheceu Jesus.

A crítica majoritária hoje trata os quatro como formalmente anônimos e desvincula-os das figuras nomeadas, sobretudo Mateus e João. Richard Bauckham (Jesus and the Eyewitnesses) reabriu o debate de modo sério ao argumentar que os Evangelhos permaneceram vinculados a testemunhas oculares nomeadas. O leitor reformado pode sustentar a atribuição tradicional como historicamente bem fundamentada, reconhecendo que ela é uma conclusão histórica provável, não um artigo de fé, a autoridade dos textos repousa na inspiração, não na identificação do amanuense.

Quando os Evangelhos foram escritos?

O intervalo defendido por estudiosos conservadores situa Marcos nos anos 50–60, Mateus e Lucas nos 60–70, João nos 80–90. A crítica mais ampla desloca tudo entre 10 e 30 anos para frente, geralmente colocando Marcos logo após 70.

O eixo do debate é a predição da destruição do Templo (Mc 13 e paralelos). Quem parte do pressuposto de que profecia preditiva não ocorre, data necessariamente os textos após 70. Quem não parte desse pressuposto observa que os relatos descrevem a queda em termos apocalípticos convencionais, sem os detalhes concretos do cerco de 70 que um autor posterior dificilmente omitiria, e que Lucas encerra Atos antes da morte de Paulo (c. 64–67).

Note-se que a datação, tomada isoladamente, decide menos do que se costuma supor: 1 Coríntios 15,3-8, texto pacificamente datado nos anos 50 e contendo material confessional anterior, já atesta a proclamação da ressurreição na primeira geração.


Que peso histórico têm os Evangelhos como fontes?

Critérios de historicidade clássicos (constrangimento, atestação múltipla, dissimilaridade, plausibilidade contextual, coerência) foram desenvolvidos com pressupostos por vezes hostis ao sobrenatural, mas não são inúteis, usados sem esse viés, sustentam bastante.

Aplicados aos Evangelhos, produzem resultados robustos: o batismo de Jesus por João (constrangedor), a crucificação (múltiplo e constrangedor, um Messias executado é escândalo, não propaganda), o testemunho inicial de mulheres na tumba (inadmissível como estratégia apologética numa cultura que desvalorizava esse testemunho legalmente), a ausência de projeções sobre controvérsias posteriores da Igreja (circuncisão, línguas, governo eclesiástico) nos lábios de Jesus.

Ressalva metodológica reformada: o critério de dissimilaridade, levado ao extremo, produziria um Jesus sem raízes judaicas e sem continuidade com a Igreja, historicamente absurdo. É ferramenta de confirmação mínima, não de definição do todo.

Os relatos da natividade são conciliáveis? E o censo de Quirino?

Mateus e Lucas contam episódios distintos com um núcleo comum (nascimento em Belém, no reinado de Herodes, de mãe virgem chamada Maria, desposada com José, da linhagem davídica). São complementares mais que contraditórios, Mateus narra a partir de José, Lucas a partir de Maria.

O censo de Lucas 2,2 é a dificuldade real. Quirino foi legado da Síria em 6 d.C., e Herodes morreu em 4 a.C. As soluções propostas: (a) traduzir prōtē como “antes do censo de Quirino”; (b) supor um serviço anterior de Quirino na região em função militar; (c) considerar um recenseamento prolongado, iniciado antes e concluído sob Quirino.

Nenhuma dessas soluções é decisiva, e a integridade intelectual exige dizê-lo. O que se pode afirmar com segurança é que Lucas demonstra precisão notável em dezenas de detalhes administrativos verificáveis, títulos como politarcas em Tessalônica, protos em Malta, procônsul em Chipre — o que recomenda cautela antes de declarar erro num ponto onde nossa documentação é lacunar.

A ressurreição pode ser objeto de investigação histórica?

Aqui é preciso distinguir com rigor.

O historiador pode estabelecer, pelos métodos ordinários: que Jesus foi crucificado; que foi sepultado; que o túmulo foi encontrado vazio; que discípulos individuais e em grupo relataram encontros com ele vivo; que essa convicção transformou homens derrotados em testemunhas dispostas a morrer; que Paulo, hostil ao movimento, converteu-se por um encontro que descreveu nos mesmos termos.

O que o historiador não pode fazer, por limitação de método, é declarar que a causa desses fatos foi um ato de Deus. Método histórico opera por analogia e probabilidade; um evento singular e sobrenatural escapa por definição a esse instrumento.

A resposta reformada não é lamentar essa limitação, mas reconhecê-la e situá-la: Calvino já ensinava que a persuasão final da verdade da Escritura não vem de demonstração externa mas do testimonium internum Spiritus Sancti (Institutas I.7). Os argumentos históricos removem obstáculos e mostram que a fé não é irracional, não a produzem. Quem espera que a evidência histórica coaja a fé confunde as ordens de causalidade.

Como tratar os milagres?

A objeção de fundo raramente é histórica; é filosófica. Desde Hume e Spinoza, o argumento pressupõe um universo fechado a causas transcendentes, e então conclui, sem surpresa, que milagres não ocorrem. É circularidade, não pesquisa.

A resposta reformada não é multiplicar explicações naturalistas para salvar os relatos, mas recolocar a questão: se Deus existe e criou a ordem natural, não há incoerência em que ele aja nela de modo extraordinário. Vos acrescentaria a nota decisiva: os milagres nos Evangelhos não são prodígios avulsos, mas sinais da irrupção da era vindoura, antecipações concretas da nova criação, e por isso concentrados no ministério de Cristo e no nascimento da Igreja, não distribuídos uniformemente pela história.

O que significa “Reino de Deus” nos Evangelhos?

Não é território nem apenas disposição interior: é o reinado ativo de Deus irrompendo na história em Cristo. Vos foi quem, em The Kingdom of God and the Church e em The Pauline Eschatology, deu à tradição reformada a formulação hoje difundida como “já e ainda não” — o Reino chegou verdadeiramente em Jesus (Mt 12,28; Lc 11,20) e ainda aguarda consumação (Mt 6,10).

Isso resolve tensões que de outro modo parecem contradições: por que Jesus proclama o Reino presente mas ensina a orar por sua vinda; por que os milagres cessam e a morte permanece; por que a Igreja vive entre a inauguração e o cumprimento. As parábolas de crescimento (semente, fermento, joio) pressupõem exatamente essa sobreposição de eras.

Erros simétricos a evitar: a escatologia consequente de Schweitzer, que faz de Jesus um apocalíptico frustrado; e a redução liberal do Reino a programa ético de melhoria social.

Como os Evangelhos se encaixam na estrutura das alianças?

Este é o eixo de leitura em que teologia bíblica e teologia do pacto convergem, e é onde Van Groningen investiu sua obra.

A promessa da nova aliança em Jeremias 31,31-34 e Ezequiel 36 é assumida explicitamente por Jesus na ceia: “este cálice é a nova aliança no meu sangue” (Lc 22,20; 1Co 11,25). Os Evangelhos apresentam Jesus como aquele que cumpre as três linhas convergentes da expectativa: profeta como Moisés (Dt 18,15; At 3,22), sacerdote segundo outra ordem, rei da linhagem de Davi (2Sm 7).

Na leitura bíblica, isso implica continuidade substancial com Israel, a Igreja não substitui um plano por outro, mas é a continuação do único povo da aliança, agora com as fronteiras étnicas removidas (Ef 2,11-22). Aqui há divergência real com a leitura dispensacionalista, que mantém dois programas distintos; convém registrar a diferença em vez de assumir uma das posições como óbvia.

O Sermão do Monte é lei ou graça?

Falsa alternativa, na leitura reformada. Jesus declara não abolir a Lei mas cumpri-la (Mt 5,17), e o que se segue não é abrandamento mas radicalização, do ato para o coração.

O Sermão opera nos três usos da lei que Calvino distinguiu (Institutas II.7): revela o pecado e desfaz a ilusão de auto-suficiência (uso pedagógico); restringe o mal na sociedade (uso civil); e, para os já regenerados, orienta a vida de gratidão (tertius usus legis, o uso característico da ênfase reformada).

Interpretações a resistir: a luterana estrita, que reduz o Sermão a espelho condenatório; a dispensacionalista clássica, que o adia para um reino milenar futuro; e a moralista, que o transforma em programa de auto-aperfeiçoamento, precisamente o que as bem-aventuranças de abertura desmentem, começando pelos “pobres em espírito”.

Os Evangelhos ensinam justificação pela fé, ou isso é invenção paulina?

Ensinam, embora com vocabulário distinto. A parábola do fariseu e do publicano (Lc 18,9-14) conclui com o termo técnico: o publicano desceu justificado, e não o outro. O ladrão na cruz recebe promessa incondicional. A recepção de pecadores à mesa, o filho pródigo, a mulher pecadora em Lucas 7, todos operam com a lógica da graça imputada, não da recompensa merecida.

Sobre a Nova Perspectiva sobre Paulo (Sanders, Dunn, Wright), que reconfigurou o debate: o serviço prestado foi corrigir a caricatura do judaísmo do Segundo Templo como pelagianismo puro. A objeção reformada, formulada por Carson, Piper e outros, é que a redefinição da justificação como marcador de pertença ao povo da aliança, em vez de imputação da justiça de Cristo, não faz justiça a Romanos 4 e Filipenses 3, nem a Lucas 18. Uma FAQ equilibrada expõe a crítica sem transformar o adversário em espantalho.

Constantino ou Niceia definiram o cânon bíblico?

Não. Esta afirmação, popularizada por ficção e repetida em redes sociais, não tem base documental: as atas de Niceia (325) tratam da divindade do Filho, da data da Páscoa e de questões disciplinares, o cânon não está em pauta.

O que de fato ocorreu: os quatro Evangelhos e Atos circulavam como autoridade reconhecida muito antes. O Fragmento Muratoriano (c. 170–200) já os lista; Irineu, por volta de 180, defende explicitamente o número quatro; Justino, em meados do séc. II, refere-se às “memórias dos apóstolos” lidas no culto. Os concílios posteriores (Hipona 393, Cartago 397) reconheceram o que a Igreja já usava; não conferiram autoridade.

A precisão reformada aqui é importante. Calvino e a Confissão de Westminster (I.4-5) sustentam que a autoridade da Escritura não deriva do testemunho da Igreja mas de Deus, seu autor, a Igreja discerne o cânon como se reconhece uma voz conhecida, não o institui por decreto. O termo técnico é autopistia: a Escritura é digna de fé por si mesma.

As variantes textuais comprometem o texto que lemos?

Há centenas de milhares de variantes entre os manuscritos gregos, número que impressiona até se entender que ele é função direta da abundância de cópias (mais de 5.800 em grego, muito acima de qualquer obra antiga comparável). A esmagadora maioria são diferenças ortográficas, ordem de palavras irrelevante para a tradução, e erros óbvios de cópia.

Os dois casos substanciais são conhecidos e as edições críticas os assinalam abertamente: Marcos 16,9-20 (ausente no Sinaítico e no Vaticano) e João 7,53–8,11, a perícope da adúltera (ausente dos manuscritos mais antigos e flutuante quanto à posição). Nenhuma doutrina cristã depende exclusivamente de qualquer um deles.

Nota reformada relevante: a Confissão de Westminster (I.8) afirma que as Escrituras foram “por seu singular cuidado e providência mantidas puras em todas as eras”, o que a crítica textual, longe de refutar, documenta. A providência operou através da multiplicação e comparação de cópias, não da preservação milagrosa de um único exemplar.

Os evangelhos apócrifos têm valor histórico?

Praticamente nenhum para o Jesus histórico. Tomé, Pedro, Maria, Filipe e Judas são do séc. II ou posterior, dependem dos canônicos onde tocam material narrativo, e refletem um universo teológico gnóstico, na maioria dos casos estranho ao judaísmo do Segundo Templo: matéria má, salvação por conhecimento secreto, desprezo pela criação e pela ressurreição corporal.

Valor real: documentam a diversidade do cristianismo do séc. II e ajudam a entender contra o que os Pais escreveram. O Evangelho de Tomé recebe atenção acadêmica desproporcional por conter alguns ditos paralelos aos sinóticos, mas a tese de sua independência e antiguidade é minoritária e contestada.

O argumento de que “houve muitos evangelhos e a Igreja escolheu quatro por política” ignora a cronologia: os quatro já eram reconhecidos quando os demais foram escritos.

Um reformado pode usar o método histórico-crítico?

Com discernimento, sim distinguindo método de pressupostos.

As ferramentas (crítica textual, análise de fontes, das formas, da redação, estudo do contexto social e literário) são instrumentos e podem servir a qualquer teologia. O que a tradição reformada rejeita não são as ferramentas, mas os pressupostos que frequentemente as acompanham: naturalismo antissobrenatural, o princípio de analogia de Troeltsch aplicado de modo excludente, e a suposição de que a comunidade criou seu Cristo em vez de testemunhá-lo.

Vos foi ele próprio um erudito de primeira ordem, formado em Berlim e Estrasburgo, plenamente conversante com a crítica alemã de seu tempo. Sua resposta não foi ignorância cultivada, mas competência com pressupostos distintos. É o modelo a seguir.

Como avaliar o que se encontra na internet sobre esses temas?

Perguntas de triagem: o autor tem formação nas línguas originais? Publica em contexto submetido a avaliação por pares? Representa posições contrárias de forma que seus defensores reconheceriam? Distingue o que é consenso do que é sua tese pessoal? Cita fontes primárias ou apenas outros divulgadores?

Sinais de alerta em ambas as direções: apologética que finge não existirem dificuldades reais; e ceticismo que apresenta como descoberta recente o que se debate há dois séculos, ou que trata hipóteses reconstruídas como fatos estabelecidos.


Sobre o Autor

Rev. Fabiano Queiroz é professor, escritor, pesquisador e ministro do Evangelho pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Graduado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano de Curitiba e pós-graduado em Teologia e Interpretação Bíblica pela FABAPAR, dedica-se ao ensino das Escrituras, à pesquisa bíblico-teológica e à pregação expositiva.

Como autor, desenvolve projetos voltados ao estudo, à interpretação e à exposição fiel da Bíblia, com especial atenção à formação de pastores, pregadores, líderes cristãos e estudantes de teologia.

Informação adicional

Autor

Rev. Fabiano Queiroz

Formato

eBook (PDF)

Páginas

+ 2.000 páginas

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