Mateus: O Publicano – O Homem Que Jesus Escolheu Onde Ninguém Olhava
SÉRIE: PERSONAGENS BÍBLICOS
Mateus o Publicano
“Não vim chamar justos, mas pecadores” Mateus 9.13

Havia uma mesa entre Mateus e o restante do mundo. Não era uma mesa de refeição, era a mesa da coletoria, o balcão onde ele sentava todos os dias para cobrar impostos em nome de Roma. Era uma mesa que funcionava como fronteira: de um lado, ele; do outro, todos os que passavam e não faziam contato visual, que mudavam de calçada, que pronunciavam seu nome com o mesmo tom que usavam para nomear ladrões e prostitutas. Foi exatamente nessa mesa que Jesus parou.
Não parou por engano. Não parou apesar de Mateus ser publicano. Parou por causa disso, ou melhor, parou pelo homem que estava atrás daquele ofício, atrás daquela reputação, atrás daquela mesa que o mundo usava como sentença definitiva sobre quem ele era. O que aconteceu a seguir mudou não apenas a vida de Mateus, mas deixou gravado nas páginas do cânon um dos sinais mais nítidos do caráter de Jesus: Ele escolhe onde os outros descartam.
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1. O Nome: O Outro Nome e o Que Isso Nos Diz
1.1 Mateus: Dom de Yahweh
O nome Mateus vem do aramaico Mattai, forma abreviada do hebraico Mattityahu, que significa “Dom de Yahweh” ou “Presente de Deus”. É um nome profundamente teológico, carregado com a afirmação de que essa vida é dádiva divina antes de ser qualquer outra coisa.
Há uma ironia pesada e bela nessa etimologia: o homem cujo nome significa “dom de Deus” era exatamente o tipo de pessoa que a religiosidade do seu tempo havia descartado como indigno de qualquer coisa que viesse de Deus. O nome que ele carregava era um desafio silencioso à exclusão que o cercava, e talvez ele mesmo tivesse esquecido o que aquele nome significava.
1.2 Levi: Filho de Alfeu, A Questão dos Dois Nomes
Marcos e Lucas, ao narrarem o mesmo episódio do chamado, identificam o publicano não como Mateus, mas como Levi, filho de Alfeu (Mc 2.14; Lc 5.27-28). Mateus, ao narrar sua própria chamada, usa o nome Mateus (Mt 9.9), e na lista dos Doze, se identifica explicitamente como “Mateus, o publicano” (Mt 10.3), o único apóstolo que carrega sua antiga profissão como parte do nome na lista oficial.
A questão dos dois nomes gerou debate exegético ao longo dos séculos. A explicação mais sólida, e amplamente aceita, é que Levi era seu nome de nascimento e Mateus o nome que recebeu, ou adotou, após o chamado, da mesma forma que Simão se tornou Pedro e Saulo se tornou Paulo. Se for assim, o próprio nome carrega a narrativa da transformação: de Levi, o cobrador, para Mateus, o dom de Deus entregue à missão.
O fato de ele se identificar como “Mateus, o publicano” em seu próprio evangelho não é descuido, é confissão deliberada. Ele não apaga o passado. Ele o carrega como testemunho.
| 📌 Para Reflexão em Sala Mateus é o único apóstolo que mantém o registro de sua antiga profissão no seu próprio evangelho. Pedro não se apresenta como “Pedro, o pescador”. Paulo não assina como “Paulo, o perseguidor”. Por que Mateus escolhe se identificar assim? O que essa escolha revela sobre como a graça transforma, sem apagar, mas reinterpretando? Questão para debate: O passado de vergonha pode se tornar parte do testemunho? Quando sim e quando não? |
2. O Publicano no Mundo do Século I
2.1 O Sistema Romano de Arrendamento Fiscal
Para entender o peso do que significa ser publicano no tempo de Jesus, é preciso entender o sistema romano de arrendamento de impostos, o publicum, de onde vem o termo publicanus. Roma não coletava impostos diretamente. Ela leiloava o direito de cobrança a particulares, chamados publicani, que pagavam antecipadamente ao tesouro imperial e depois recolhiam dos contribuintes com a margem de lucro que conseguissem extrair.
O sistema era estruturalmente projetado para o abuso. O publicano tinha poder coercitivo, apoio do aparato militar romano se necessário, e nenhum mecanismo externo de controle sobre quanto cobrava além do que era devido. A reputação da classe era tão corrosiva que o próprio João Batista, ao ser perguntado pelos publicanos o que deveriam fazer para fugir do juízo vindouro, respondeu com uma instrução que supõe o abuso como prática padrão: “Não cobreis mais do que o que vos está determinado” (Lc 3.13).
No contexto judaico, o problema tinha uma camada adicional: o publicano judeu estava coletando impostos para um poder gentio ocupante, em uma terra que os judeus entendiam como terra de Yahweh. Ele era colaborador do opressor. Cada moeda que passava pelas suas mãos era um ato de traição ao pacto, ao povo e à memória de liberdade. Não é exagero dizer que o publicano judeu ocupava, no imaginário religioso do seu tempo, um lugar equivalente ao de apóstata.
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2.2 Cafarnaum e a Posição Estratégica de Mateus
Mateus não era um publicano qualquer. Ele estava posicionado em Cafarnaum, cidade às margens do Mar da Galileia, ponto de passagem de uma das rotas comerciais mais movimentadas da região, a Via Maris, a estrada do mar que ligava Damasco ao Mediterrâneo e ao Egito. Uma coletoria nesse ponto era negócio sério.
Isso significa que Mateus provavelmente não era um cobrador menor. Era alguém com posição, com recursos, com capacidade administrativa. Lucas confirma isso ao registrar que Mateus organizou “um grande banquete” em sua casa logo após o chamado (Lc 5.29), o tipo de festa que pressupõe uma casa grande o suficiente e recursos para reunir uma multidão. Ele tinha dinheiro. E tinha inimizade proporcional ao dinheiro que acumulava.
2.3 O Que Estava Em Jogo Para Mateus Ao Levantar e Seguir
Quando Jesus disse “Siga-me” e Mateus se levantou da mesa da coletoria, o custo era absoluto e imediato. Não havia caminho de volta para aquela cadeira. O arrendamento fiscal tinha prazos, contratos, responsabilidades com Roma. Quem abandonava o posto simplesmente não voltava. E para onde ele estava indo, o grupo itinerante de um rabi galileu sem casa fixa, sem salário, sem posição, era o oposto de tudo que a coletoria representava em termos de segurança material.
Pedro, André, Tiago e João pelo menos tinham botes. Tinham uma profissão que poderiam retomar. Mateus queimou a ponte atrás de si. E fez isso na primeira palavra.
“Depois disso, Jesus saiu e viu sentado ao balcão um coletor de impostos, por nome Levi, e disse-lhe: Segue-me. Deixando ele tudo, levantou-se e o seguiu.” – Lucas 5.27-28
3. Perfil Humano e Caráter de Mateus
3.1 O que o texto revela, e o que ele cala
O Novo Testamento nos dá muito pouco sobre Mateus como indivíduo além do episódio do chamado e do banquete. Ele aparece nas listas dos Doze em todos os evangelhos sinóticos e em Atos (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.15; At 1.13), mas nunca em primeiro plano em nenhuma cena narrativa depois do chamado. Ao contrário de Pedro, que aparece em dezenas de episódios, ou de João, que se identifica como o discípulo amado, Mateus se apaga da própria história depois de entrar nela.
Isso em si já é revelador. O homem que escreveu o mais extenso dos evangelhos sinóticos, que preservou o Sermão do Monte com uma completude que nenhum outro evangelista alcança, que registrou parábolas e discursos que os outros não incluíram, esse homem praticamente não aparece como personagem no texto que ele mesmo escreveu. Há uma humildade estrutural nisso que não é acidental.
3.2 A Modéstia Que O Texto Confirma
Há um detalhe exegético que merece atenção especial: ao narrar a festa em sua própria casa, Mateus não diz que é sua casa. Ele escreve: “E aconteceu que, estando Jesus à mesa em casa” (Mt 9.10), sem mencionar o dono. Lucas e Marcos precisam identificar que a casa é de Levi/Mateus. O próprio anfitrião se omite da narração.
Isso se repete no padrão mais amplo do seu evangelho. Marcos descreve os discípulos repetidamente de forma negativa, medrosos, de coração endurecido, sem compreensão. Mateus sistematicamente suaviza essas descrições quando se aplica ao grupo do qual ele faz parte. Não por falsificar os fatos, mas porque ele está escrevendo com um propósito pastoral, quer mostrar o discipulado como possível, não como fracasso crônico. E nessa escolha editorial, ele se inclui na misericórdia que está descrevendo.
3.3 A Festa Como Primeiro Ato Apostólico
Imediatamente após o chamado, antes de qualquer instrução de Jesus, antes de qualquer ensinamento formal sobre missão, Mateus faz o que sabe fazer: reúne pessoas em torno de uma mesa. Sua casa se torna o primeiro espaço de missão que o texto registra na vida dele, e quem ele convida são os seus: outros publicanos, pessoas de má reputação, os que a sinagoga havia expulsado do círculo do respeitável.
Há teologia concreta nesse gesto. Mateus não esperou se tornar digno antes de convidar. Não esperou entender o que estava acontecendo antes de trazer os outros. Ele usou o que tinha, uma casa grande, conexões com os excluídos, e o impulso de não guardar para si aquilo que o havia encontrado. É um modelo de evangelismo que nasce antes de qualquer treinamento: compartilhar imediatamente, a partir do que você é, com quem você conhece.
| 🔍 Detalhe Exegético Na lista dos Doze em Mateus 10.2-4, os apóstolos aparecem em pares. Mateus está emparelhado com Tomé (Mt 10.3). Em Marcos e Lucas, a ordem é Tomé primeiro, depois Mateus (Mc 3.18; Lc 6.15). Apenas no evangelho de Mateus a ordem é invertida, e apenas aqui ele acrescenta “o publicano”. É como se ele quisesse garantir que ninguém confundisse qual Mateus era esse: o cobrador de impostos. O que Jesus chamou. O que não tinha como merecer. |
4. A Mensagem Que a Vida de Mateus Comunica
4.1 Jesus come com quem os outros evitam
A cena do banquete na casa de Mateus é uma das mais teologicamente carregadas de todo o ministério de Jesus, e é fácil passar por ela rápido demais. Os fariseus e escribas ficaram escandalizados não pelo fato de Jesus ter chamado Mateus, mas pelo fato de Jesus ter sentado à mesa com publicanos e pecadores (Mt 9.10-11). A questão não era a conversão individual, era a comunhão de mesa.
No mundo do Primeiro Século, compartilhar uma refeição não era ato neutro. Era declaração de identidade, de pertencimento, de reconhecimento mútuo. Um rabi que comia com publicanos estava dizendo, com o corpo, que essas pessoas não eram o que a estrutura religiosa havia classificado que eram. Jesus não apenas proclamou o evangelho da inclusão, Ele o encenou na mesa de Mateus, com a presença física e o apetite aberto.
A resposta de Jesus aos críticos é densa e irônica: “Os sãos não precisam de médico, e sim os enfermos” (Mt 9.12). Ele não está dizendo que os publicanos eram bons. Está dizendo que a missão dele é exatamente para quem os fariseus haviam descartado. E ao usar a metáfora do médico, sugere algo perturbador: quem se recusa a sentar com os doentes não é piedoso, é um médico que evita o hospital.
4.2 A graça que não pergunta o currículo antes de chamar
O chamado de Mateus não foi precedido de nenhum sinal de conversão prévia, nenhuma demonstração de arrependimento público, nenhuma mudança de comportamento que justificasse o convite. Jesus passou, viu, chamou. E Mateus respondeu antes de entender para onde estava indo.
Isso é teologicamente significativo porque contraria uma leitura moralizante da salvação que exige do pecador uma certa quantidade de autopreparo antes de ser elegível à graça. O chamado de Mateus é soberano, antecedente, imerecido, e irresistível não no sentido coercitivo, mas no sentido de que algo naquele olhar de Jesus foi mais real do que todos os cálculos de conveniência que Mateus poderia ter feito.
A teologia do chamado de Mateus ecoa o que Paulo articulará décadas depois em Romanos e Efésios: a graça que escolhe não é uma resposta ao mérito, ela o precede, o ignora como critério e cria em seu lugar algo que o mérito nunca poderia comprar.
4.3 O cobrador de impostos que escreveu o Evangelho do Reino
Há uma camada adicional de profundidade no fato de que o homem escolhido para escrever o evangelho mais judaico do cânon cristão, o evangelho que mais cita o Antigo Testamento, que organiza os ensinamentos de Jesus em cinco grandes discursos como eco dos cinco livros de Moisés, que usa “Reino dos Céus” onde os outros usam “Reino de Deus” por respeito ao nome divino, esse homem é um publicano. Um traidor, aos olhos da religiosidade do seu tempo.
Mateus tinha formação. A profissão de publicano exigia literacia, numeracia, conhecimento das línguas do comércio, aramaico, grego, possivelmente latim. Ele sabia escrever. E Jesus precisava de alguém que soubesse escrever para o povo judeu, em uma linguagem que honrasse a Torah enquanto proclamava que ela havia chegado ao seu cumprimento. Deus usou as habilidades que Mateus havia desenvolvido a serviço de Roma para escrever o primeiro evangelho a ser amplamente circulado na Igreja primitiva.
“Os sãos não precisam de médico, e sim os enfermos. Mas ide e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque não vim chamar justos, mas pecadores.” – Mateus 9.12-13
5. Conexão Canônica: Mateus Dentro da Grande Narrativa
5.1 Oseias 6.6: A citação que Mateus usa duas vezes
Dentre todos os evangelistas, apenas Mateus cita Oseias 6.6, “Misericórdia quero, e não sacrifício”, e ele cita esse versículo duas vezes: na cena do banquete com os publicanos (Mt 9.13) e no confronto com os fariseus sobre os discípulos que arrancam espigas no Sábado (Mt 12.7). Não é coincidência. É o fio teológico que Mateus está puxando ao longo de todo o seu evangelho.
A ironia é que ele cita o profeta Oseias, cujo livro é sobre a fidelidade de Deus a um povo infiel, sobre o amor que não desiste mesmo quando o amado traiu, para defender exatamente as pessoas que a religiosidade havia classificado como infiéis definitivos. O publicano cita o profeta do amor inclassificável de Deus para se defender perante os guardiões da pureza. A estrutura do argumento é tão elegante quanto perturbadora.
5.2 A Grande Comissão como conclusão teológica de toda a narrativa
O Evangelho de Mateus termina com o que a tradição cristã chamou de Grande Comissão (Mt 28.18-20), o comando de fazer discípulos de todas as nações. Esse final não é acidental quando lido à luz de quem escreveu o livro. O homem que foi chamado de uma mesa de exclusão, que pertencia à categoria dos descartados pela religiosidade de seu tempo, encerra seu evangelho com um comando que abole qualquer fronteira de acesso à graça: todas as nações, todos os povos, sem distinção.
Há uma linha direta entre o “Siga-me” dito a um publicano em Cafarnaum e o “Ide e fazei discípulos de todas as nações” dito a esse mesmo homem e aos outros onze na montanha da Galileia. O evangelho que começa com a inclusão do excluído termina com a comissão de incluir o mundo inteiro. Mateus o publicano se tornou o evangelista da missão universal, e não apesar do que era, mas através da transformação do que era.
| 🔗 Conexões Canônicas Essenciais Oseias 6.6, citado duas vezes em Mateus como eixo da crítica à religiosidade sem misericórdia Lucas 19.1-10 (Zaqueu), outro publicano chamado por Jesus; narrativa paralela que aprofunda o padrão Lucas 18.9-14 (Parábola do Fariseu e do Publicano), o publicano como tipo do arrependimento genuíno Romanos 5.6-8, Paulo articula teologicamente o que o chamado de Mateus narra narrativamente Mateus 28.18-20, a Grande Comissão como desfecho da vida de quem foi o mais improvável dos escolhidos |
6. Aplicação Prática e Devocional
6.1 Para o Pastor e o Líder
- A escolha de Mateus é um desafio direto à tendência de toda comunidade religiosa de criar seus próprios critérios informais de elegibilidade à graça. Quem são os publicanos da sua congregação, as pessoas que todos sabem que estão lá, mas ninguém senta ao lado?
- Jesus usou as habilidades que Mateus havia desenvolvido a serviço de Roma para a construção do Reino. O princípio pastoral aqui é de redenção de capacidades, não apenas de almas. Quem na sua comunidade tem talentos desenvolvidos em contextos seculares que podem ser consagrados à missão?
- A festa de Mateus aconteceu antes de qualquer treinamento formal. O impulso de testemunhar não precisa esperar pela certificação. Como você está libertando as pessoas para testemunharem a partir do que são, imediatamente, sem esperar que se tornem suficientemente treinadas?
6.2 Para o Seminarista e o Estudioso
- A questão Mateus/Levi é um exercício excelente em harmonia sinótica. Estude as três narrativas do chamado (Mt 9.9; Mc 2.14; Lc 5.27-28) lado a lado e observe o que cada evangelista escolhe incluir ou omitir, e o que isso revela sobre o propósito teológico de cada evangelho.
- O uso de Oseias 6.6 em Mateus 9.13 e 12.7 é uma janela para a hermenêutica do Primeiro Evangelho. Como Mateus usa o AT para construir o argumento de que Jesus é o cumprimento da Torah, não sua abolição? Compare com a metodologia hermenêutica de Paulo em Gálatas e Romanos.
- A questão da autoria do Primeiro Evangelho é mais complexa do que parece. Estude os argumentos patrísticos (Papias de Hierápolis, Ireneu) e os debates modernos sobre composição em múltiplos estágios. O que está em jogo teologicamente nessa discussão?
🔗 Leia mais: Análise Expositiva de Mateus: Introdução, Exegese, Teologia e Estrutura Completa para ter acesso a Análise Exegética e Teológica do Evangelho de Mateus.
6.3 Para o Leigo e o Iniciante
- Mateus se levantou antes de entender para onde estava indo. A fé que o texto mostra não é uma fé que primeiro resolve todas as dúvidas e depois age, é uma fé que age no meio das dúvidas, atraída por algo maior do que a segurança que está deixando para trás. Onde você está sendo chamado a levantar antes de entender completamente?
- Ele não apagou o passado, carregou-o como testemunho. “Mateus, o publicano” não é vergonha disfarçada; é graça exibida. O que no seu passado, que você tem tentado esconder, poderia se tornar a parte mais poderosa do seu testemunho?
- A primeira coisa que Mateus fez foi reunir as pessoas que conhecia em torno de Jesus. Não pregou nas ruas, não escreveu um tratado teológico, fez um jantar. Com quem na sua vida você poderia fazer um jantar assim esta semana?
🔗 Leia mais: Introdução Panorâmica do Evangelho de Mateus.
7. Questões Para Debate e Reflexão
| Nível do Estudante | Questão |
| Introdutório | Por que os publicanos eram tão desprezados no tempo de Jesus? O que mudaria na sua leitura da história de Mateus se você entendesse isso no nível emocional, não apenas intelectual? |
| Intermediário | Mateus cita Oseias 6.6 duas vezes em seu evangelho. O que esse versículo revela sobre o tipo de religiosidade que Jesus estava confrontando? Essa mesma tensão existe na Igreja hoje? |
| Avançado | Compare o relato do chamado de Mateus nos três sinóticos. O que a escolha de cada evangelista sobre nomear ou não o publicano como Levi ou como Mateus revela sobre o propósito teológico de cada evangelho? |
| Aplicação | Mateus usou habilidades desenvolvidas a serviço de Roma para escrever o Primeiro Evangelho. Que habilidades você desenvolveu em contextos que nada tinham a ver com o Reino, e como elas poderiam ser consagradas à missão? |
8. Para Aprofundar o Estudo
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- FRANCE, R. T. The Gospel of Matthew. NICNT. Eerdmans, 2007., A referência mais equilibrada em língua inglesa para o estudo do Primeiro Evangelho.
- HAGNER, Donald A. Matthew 1–13 e Matthew 14–28. WBC. Word, 1993/1995., Denso e tecnicamente rigoroso; ideal para seminaristas.
- KEENER, Craig S. A Commentary on the Gospel of Matthew. Eerdmans, 1999., Extraordinário em contextualização histórica e cultural do Primeiro Século.
- CARSON, D. A. Matthew. Expositor’s Bible Commentary. Zondervan, 1995., Excelente equilíbrio entre rigor exegético e aplicação pastoral.
- NOLLAND, John. The Gospel of Matthew. NIGTC. Eerdmans, 2005., Para quem lê o texto grego; análise gramatical detalhada.
Textos Bíblicos de Conexão
- Mateus 9.9-13, O chamado e o banquete; núcleo narrativo do personagem
- Marcos 2.13-17 e Lucas 5.27-32, Paralelos sinóticos do mesmo episódio
- Oseias 6.6, A referência do AT que Mateus usa duas vezes para defender a graça
- Lucas 18.9-14, Parábola do Fariseu e do Publicano; o tipo teológico do publicano arrependido
- Lucas 19.1-10, Zaqueu; narrativa paralela que aprofunda o padrão do publicano chamado
- Mateus 28.18-20, A Grande Comissão; desfecho teológico da vida de Mateus
- Romanos 5.6-8, A gramática teológica do chamado imerecido que Mateus narra narrativamente
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Sobre o Autor
Rev. Fabiano Queiroz é Pastor Presbiteriano, Teólogo e Expositor Bíblico, com Formação em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul e Pós-graduação em Interpretação Bíblica pela Faculdade Batista do Paraná. Autor da maior biblioteca expositiva evangélica do Brasil, uma Coleção de Esboços Bíblicos Completos para Pregação Expositiva que cobre os 66 livros da Bíblia, construída sobre o método Histórico-gramatical, Teologia Bíblica e Cristocentrismo. Pesquisador em Pregação Expositiva. Saiba mais sobre o autor e seu método →
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