História dos Hebreus para Cristãos de Flávio Josefo ao Israel Atual
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História dos Hebreus para Cristãos de Flávio Josefo ao Israel Atual
Descrição
História dos Hebreus para Cristãos: De Flávio Josefo ao Israel Atual: uma jornada histórica, arqueológica, cultural e teológica pelas raízes da fé cristã
A Bíblia não foi escrita em um cenário imaginário.
Ela registra acontecimentos vividos por pessoas reais, em cidades reais, sob impérios reais e ao longo de uma história que atravessa milhares de anos.
Compreender essa história transforma a maneira como lemos as Escrituras.
- As promessas feitas a Abraão.
- O êxodo do Egito.
- A conquista de Canaã.
- A monarquia de Israel.
- O exílio na Babilônia.
- O retorno à terra.
- O nascimento do Messias.
- A dispersão do povo judeu.
- O surgimento do Estado de Israel.
Todos esses acontecimentos fazem parte de uma única narrativa conduzida pela fidelidade de Deus ao longo da história.
Entretanto, muitos cristãos conhecem episódios isolados da Bíblia, mas têm dificuldade para compreender como esses acontecimentos se conectam dentro do desenvolvimento histórico da revelação.
- Como a arqueologia confirma o contexto bíblico?
- Como os grandes impérios influenciaram a história de Israel?
- Qual foi o papel dos exílios, das alianças e das dispersões?
- Como a história do povo hebreu ajuda a compreender melhor o Antigo e o Novo Testamento?
- Qual é a importância histórica e teológica de Israel no mundo contemporâneo?
Foi exatamente para responder a essas perguntas que nasceu História dos Hebreus para Cristãos.
Mais do que um livro de História, esta obra foi desenvolvida para ajudar o leitor a compreender como Deus conduziu Seu povo ao longo dos séculos e como essa trajetória ilumina toda a narrativa das Escrituras.
Muito além de uma cronologia histórica
Esta obra acompanha o desenvolvimento da história do povo hebreu desde os patriarcas até os desafios do Oriente Médio contemporâneo.
Ao longo da leitura, você descobrirá como acontecimentos políticos, culturais, religiosos e sociais contribuíram para o desenvolvimento da história da redenção, permitindo uma compreensão muito mais profunda do texto bíblico.
O objetivo não é apenas apresentar datas e acontecimentos.
É mostrar como a história se torna uma poderosa ferramenta para interpretar a Bíblia.
Uma pesquisa construída sobre fontes confiáveis
Todo o conteúdo integra cuidadosamente:
✔ Escrituras Sagradas.
✔ Fontes históricas antigas.
✔ Flávio Josefo.
✔ Pesquisa arqueológica.
✔ História do Antigo Oriente Próximo.
✔ Contexto político.
✔ Contexto cultural.
✔ Geografia Bíblica.
✔ Teologia Bíblica.
✔ Aplicação pastoral.
O propósito é oferecer ao leitor uma visão ampla, equilibrada e historicamente fundamentada da trajetória do povo hebreu.
O que você encontrará nesta obra
Ao longo do livro, você acompanhará:
✔ A formação do povo hebreu.
✔ Os patriarcas.
✔ O êxodo.
✔ A conquista da Terra Prometida.
✔ O período dos juízes.
✔ A monarquia.
✔ Os profetas.
✔ Os exílios.
✔ O período intertestamentário.
✔ O contexto do Novo Testamento.
✔ A dispersão judaica.
✔ O surgimento do Estado de Israel.
✔ Os desafios históricos, culturais e geopolíticos da atualidade.
Cada etapa é apresentada dentro do desenvolvimento da história da redenção, permitindo compreender como Deus preservou Seu povo e conduziu Sua promessa ao longo dos séculos.
Desenvolvido para quem deseja compreender melhor a Bíblia
Esta obra foi preparada especialmente para:
• Pastores.
• Pregadores.
• Professores de Escola Bíblica Dominical.
• Seminaristas.
• Estudantes de Teologia.
• Educadores cristãos.
• Pesquisadores.
• Todos aqueles que desejam conhecer a história do povo hebreu e compreender melhor o contexto das Escrituras.
A fidelidade de Deus atravessando a história
A história dos hebreus não é apenas a história de uma nação.
É o registro da fidelidade de Deus às Suas promessas.
Ao longo de guerras, alianças, conquistas, exílios, restaurações e dispersões, a narrativa bíblica demonstra que o Senhor continua conduzindo Seu plano redentor conforme Sua vontade soberana.
Esta obra mostra como cada período histórico contribui para a compreensão da revelação bíblica e prepara o caminho para a vinda do Messias.
Uma ferramenta permanente para compreender as Escrituras
História dos Hebreus para Cristãos foi desenvolvida para servir como uma obra de consulta permanente para todos aqueles que desejam interpretar a Bíblia com maior profundidade histórica, arqueológica e teológica.
Mais do que apresentar quatro mil anos de acontecimentos, este livro oferece uma leitura integrada da história do povo hebreu, demonstrando como a fidelidade de Deus atravessa as gerações e ilumina toda a narrativa das Escrituras.
Porque conhecer a história de Israel não significa apenas aprender sobre o passado.
Significa compreender melhor a Bíblia, enxergar com maior clareza o desenvolvimento da redenção e reconhecer a ação soberana de Deus conduzindo a história até o cumprimento de Suas promessas em Jesus Cristo.
FAQ: Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre hebreus, israelitas e judeus?
São termos de períodos distintos. Hebreu é o mais antigo, usado sobretudo por estrangeiros e em contextos de identificação étnica, e aparece já com Abraão. Israelita designa os descendentes de Jacó, renomeado Israel, e é o termo usual do período tribal e monárquico. Judeu deriva de Judá e se generaliza após o exílio babilônico, quando o povo remanescente vinha majoritariamente daquele reino.
De onde vem a palavra “hebreu”?
A origem é debatida. As duas propostas principais ligam o termo a Éber, ancestral mencionado em Gênesis 10, ou ao termo acádio habiru, que designava grupos socialmente marginais e sem terra em textos do segundo milênio. A segunda ligação é possível mas não comprovada, já que habiru é categoria social e não étnica.
Quais são as fontes para a história hebraica?
Três conjuntos. O texto bíblico, que é a fonte mais extensa e detalhada. A documentação extrabíblica, incluindo anais assírios e babilônicos, inscrições egípcias, estelas e arquivos administrativos. E a arqueologia, com escavações, cerâmica, arquitetura e epigrafia.
As fontes concordam entre si?
Em muitos pontos sim, e em outros há tensão real. Reis, cidades e eventos como a campanha de Sisaque, a existência de Onri e Acabe, a queda de Samaria, o cerco de Senaqueribe e as deportações babilônicas têm confirmação externa. Já períodos anteriores à monarquia dependem quase inteiramente do texto bíblico, e é aí que os debates são mais intensos.
O que são minimalismo e maximalismo?
Duas posturas em relação ao valor histórico do texto bíblico. O minimalismo, associado a autores como Thomas Thompson e Niels Peter Lemche, atribui pouca historicidade a tudo o que precede o período persa. O maximalismo aceita o relato bíblico como fonte histórica confiável, ajustando-o aos dados externos. A maioria dos pesquisadores hoje se situa entre os dois extremos.
Quando viveram os patriarcas?
A datação tradicional situa Abraão por volta de 2000 a 1800 a.C., no período conhecido como Bronze Médio. A cronologia depende da data adotada para o Êxodo e da leitura das indicações internas do Pentateuco.
O relato patriarcal é historicamente plausível?
Vários elementos correspondem bem ao segundo milênio: nomes pessoais do tipo amorreu, preços de escravos compatíveis com a época, costumes de adoção e herança semelhantes aos documentados em Nuzi e Mari, e o padrão de vida seminômade com rebanhos. Isso não prova os episódios individuais, e indica que o cenário não é invenção tardia.
De onde veio Abraão?
De Ur dos caldeus, geralmente identificada com a cidade suméria no sul da Mesopotâmia, embora alguns proponham uma Ur no norte da Síria. Migrou primeiro para Harã e depois para Canaã, percorrendo o arco do Crescente Fértil.
O que a arqueologia diz sobre os patriarcas?
Nada diretamente, e isso é esperado. Famílias seminômades vivendo em tendas não deixam vestígios identificáveis, e nenhuma expectativa razoável levaria a encontrar traços arqueológicos de Abraão. O que se pode avaliar é a plausibilidade do contexto, e ela se sustenta.
Por que os hebreus foram para o Egito?
Por causa de uma fome em Canaã, conforme Gênesis, e sob condições favoráveis criadas pela posição de José na administração egípcia. Instalaram-se na região do delta, chamada Gósen.
Há evidência de semitas no Egito?
Há bastante, embora não especificamente dos hebreus. Textos e pinturas egípcias documentam a presença de asiáticos no delta, e o chamado período hicso, entre 1650 e 1550 a.C., corresponde a uma dinastia de origem semita que governou o norte do Egito. Papiros administrativos registram escravos com nomes semitas.
Quando ocorreu o Êxodo?
Duas datações competem. A antiga, por volta de 1446 a.C., baseia-se em 1 Reis 6,1, que situa o Êxodo quatrocentos e oitenta anos antes do quarto ano de Salomão. A tardia, por volta de 1250 a.C., apoia-se na menção à cidade de Ramessés em Êxodo 1,11 e em camadas de destruição em cidades cananeias. Estudiosos conservadores dividem-se entre as duas.
Há registro egípcio do Êxodo?
Não. A ausência é frequentemente apresentada como objeção, e duas ponderações são pertinentes: registros oficiais egípcios eram propaganda real e não documentavam derrotas nem fugas de escravos, e a documentação do período está longe de ser completa.
O que é a Estela de Merneptá?
Uma inscrição egípcia de cerca de 1210 a.C. que celebra vitórias na região e menciona Israel entre os povos derrotados, usando o determinativo de povo e não de território. É a menção extrabíblica mais antiga conhecida a Israel, e estabelece que já existia como grupo identificável em Canaã naquela data.
Como Israel se estabeleceu em Canaã?
Há três modelos principais. O de conquista segue o relato de Josué, com campanhas militares. O de infiltração pacífica, proposto por Albrecht Alt, entende assentamento gradual de grupos pastoris. O de revolta camponesa, associado a George Mendenhall e Norman Gottwald, propõe levante interno contra as cidades-estado cananeias. Muitos pesquisadores hoje combinam elementos dos três.
O que a arqueologia mostra sobre esse período?
Um aumento significativo de pequenos povoados na região montanhosa central por volta do fim do Bronze Recente, com cultura material simples, ausência de ossos de porco e casas de tipo característico. Isso é compatível com a chegada ou consolidação de uma população nova, embora a interpretação seja discutida.
Como era a sociedade no período dos juízes?
Descentralizada, organizada por tribos e clãs, sem autoridade central permanente. Líderes surgiam em crises regionais, e o próprio livro de Juízes descreve essa fragmentação. Arqueologicamente, corresponde a assentamentos pequenos, sem grandes obras públicas.
Quem eram os filisteus?
Um dos chamados povos do mar, chegados à costa sul de Canaã por volta de 1200 a.C., provavelmente vindos da região do Egeu. Escavações em Asdode, Ecrom e Asquelom revelam cerâmica de tipo micênico, o que confirma origem externa. Sua vantagem tecnológica no ferro é mencionada em 1 Samuel 13.
Quando surgiu a monarquia?
Por volta de 1050 a 1010 a.C. com Saul, seguido por Davi, de aproximadamente 1010 a 970, e Salomão, de 970 a 930. As datas são aproximadas e dependem de sincronismos posteriores.
Davi existiu de fato?
Sim, e a evidência mais importante é a Estela de Tel Dan, descoberta em 1993, inscrição aramaica do século IX a.C. que menciona a “casa de Davi”. Antes dela, a existência de Davi era contestada por parte da academia. A Estela de Mesa, moabita, provavelmente contém referência semelhante.
O reino unido foi tão grandioso quanto o texto sugere?
É o ponto mais debatido da arqueologia bíblica. Israel Finkelstein e outros argumentam que Jerusalém no século X era pequena demais para sustentar o império descrito, propondo que Judá só se torna Estado desenvolvido no século VIII. Outros pesquisadores apontam achados como as estruturas de Khirbet Qeiyafa e portões monumentais em Hazor, Megido e Gezer como compatíveis com administração centralizada no século X. O debate permanece aberto e envolve questões técnicas de datação de cerâmica.
O que Salomão construiu?
Segundo o relato bíblico, o Templo, o palácio real, fortificações em várias cidades e uma frota comercial. Arqueologicamente, os portões de seis câmaras em Megido, Hazor e Gezer foram associados a ele, embora sua datação seja objeto justamente da controvérsia acima.
Como o reino se dividiu?
Após a morte de Salomão, por volta de 930 a.C., as tribos do norte romperam com Roboão. Formaram-se o reino de Israel, ao norte, com dez tribos e capital que se fixaria em Samaria, e o reino de Judá, ao sul, com Jerusalém e a dinastia davídica.
Quanto tempo cada reino durou?
Israel durou cerca de duzentos anos, até 722 a.C. Judá durou cerca de trezentos e quarenta anos, até 586 a.C. Israel teve dinastias sucessivas interrompidas por golpes; Judá manteve a mesma linhagem davídica durante toda a sua existência.
Quais são as principais confirmações externas desse período?
Várias. A campanha do faraó Sisaque, registrada em relevos em Karnak. O Obelisco Negro de Salmaneser III, que mostra Jeú de Israel prestando tributo. A Estela de Mesa, do rei de Moabe, mencionando Onri. Os anais de Salmaneser, que citam Acabe na batalha de Carcar. E o Prisma de Senaqueribe, sobre o cerco a Jerusalém.
O que era o reino do Norte?
Mais populoso, mais fértil e mais exposto ao comércio e à influência estrangeira. Sua capital final, Samaria, foi construída por Onri, e a dinastia dele foi reconhecida internacionalmente, a ponto de fontes assírias chamarem Israel de “casa de Onri” mesmo depois de sua queda.
Como a Assíria dominou a região?
Por expansão sistemática a partir do século IX a.C., com campanhas anuais, cobrança de tributo e política de deportação em massa dos povos conquistados, misturando populações para dificultar revoltas.
Quando Samaria caiu?
Em 722 a.C., após cerca de três anos de cerco, sob Salmaneser V e Sargão II. Os anais assírios registram a deportação de mais de vinte e sete mil habitantes, e o reino do Norte deixou de existir.
O que aconteceu com as dez tribos?
Foram deportadas para regiões da Mesopotâmia e da Média, e populações estrangeiras foram trazidas para Samaria. Não desapareceram misteriosamente: a maior parte foi assimilada às populações locais, e parte migrou para Judá antes e depois da queda. As teorias sobre “tribos perdidas” em lugares remotos não têm base documental.
De onde vieram os samaritanos?
Da mistura entre a população israelita remanescente e os povos trazidos pelos assírios, com culto sincrético descrito em 2 Reis 17. Posteriormente, os samaritanos consolidaram identidade própria, com templo no monte Gerizim e cânon restrito ao Pentateuco.
Como Judá sobreviveu?
Pagando tributo e evitando confronto direto na maior parte do tempo. O cerco de Senaqueribe a Jerusalém, em 701 a.C., é o episódio mais dramático, e a cidade não foi tomada, fato que os próprios anais assírios registram por omissão.
Como a Babilônia substituiu a Assíria?
Nínive caiu em 612 a.C. diante de uma coalizão de babilônios e medos, e a batalha de Carquemis, em 605, consolidou o domínio babilônico sobre a região, com Nabucodonosor derrotando o Egito.
Quantas deportações houve?
Três principais. Em 605 a.C., com jovens da nobreza, entre eles Daniel. Em 597, com o rei Joaquim, a elite e artesãos, incluindo Ezequiel. E em 586, após a rebelião de Zedequias, com a destruição do Templo, das muralhas e da cidade.
Como era a vida no exílio?
Menos brutal do que se costuma imaginar. As tabuinhas de Al-Yahudu, arquivo descoberto no século XX, documentam judeus em comunidades agrícolas na Babilônia, com contratos, negócios e nomes hebraicos preservados por gerações. Os documentos da família Murashu, do período persa, mostram judeus integrados à economia local.
O que o exílio mudou na religião hebraica?
Muito. Sem Templo e sem sacrifício, ganharam importância a leitura da Lei, a oração, o sábado e a circuncisão como marcadores de identidade. A sinagoga provavelmente tem origem nesse período ou logo depois. A idolatria, que dominara séculos de história, praticamente desaparece do povo judeu após o exílio.
Como o exílio terminou?
Ciro conquistou a Babilônia em 539 a.C. e, no ano seguinte, emitiu decreto permitindo o retorno de povos deportados e a restauração de seus santuários. O Cilindro de Ciro documenta essa política geral.
Quantos voltaram?
Uma minoria. O primeiro grupo, sob Zorobabel, é registrado em cerca de quarenta e dois mil pessoas, e a maior parte da comunidade judaica permaneceu na Babilônia, onde florescia e viria a produzir, séculos depois, o Talmude Babilônico.
Quando o segundo Templo foi construído?
Iniciado logo após o retorno, paralisado por oposição, e concluído em 516 a.C., no sexto ano de Dario. Era consideravelmente mais modesto que o de Salomão, o que fez chorar os que haviam conhecido o primeiro.
Quem foram Esdras e Neemias?
Esdras, sacerdote e escriba, chegou em 458 a.C. com autorização de Artaxerxes e conduziu reforma religiosa centrada na Lei. Neemias, copeiro do mesmo rei, chegou em 445 e reconstruiu os muros de Jerusalém, além de promover reformas sociais.
O que são os papiros de Elefantina?
Um arquivo em aramaico do século V a.C., encontrado no Egito, documentando uma colônia militar judaica com templo próprio na ilha de Elefantina. Registram correspondência com autoridades de Jerusalém e Samaria, e são fonte preciosa sobre a diáspora judaica no período persa.
Como a Grécia dominou a região?
Alexandre Magno derrotou os persas e tomou o Levante em 332 a.C. Após sua morte, o império foi dividido entre generais, e a Judeia ficou primeiro sob os ptolomeus do Egito e depois, a partir de 198 a.C., sob os selêucidas da Síria.
O que foi a helenização?
A difusão da língua, dos costumes, da educação e das instituições gregas. Afetou profundamente o judaísmo, criando divisão interna entre os que aderiam à cultura grega e os que resistiam, e essa tensão está no pano de fundo da revolta macabaica.
O que é a Septuaginta?
A tradução do Antigo Testamento para o grego, iniciada em Alexandria no século III a.C., segundo a tradição sob patrocínio de Ptolomeu II. Tornou-se a Bíblia da diáspora judaica de língua grega e é a versão mais citada pelos autores do Novo Testamento.
Quem foi Antíoco IV?
Rei selêucida que, por volta de 167 a.C., proibiu a prática do judaísmo, ordenou a profanação do Templo com sacrifício de porco e a instalação de um altar a Zeus, e perseguiu quem circuncidasse os filhos ou possuísse a Lei. Tomou o epíteto Epifânio, “manifestação divina”.
O que foi a revolta dos Macabeus?
O levante iniciado em 167 a.C. pelo sacerdote Matatias e seus filhos, entre eles Judas, apelidado Macabeu. Combateram tanto os selêucidas quanto os judeus helenizados, e conseguiram retomar e purificar o Templo em 164 a.C.
O que é a festa de Hanucá?
A celebração anual da rededicação do Templo após a purificação, também chamada Festa das Luzes ou da Dedicação. É mencionada em João 10,22, quando Jesus caminhava no Templo durante essa festa.
O que foi a dinastia asmoneia?
O governo estabelecido pelos descendentes de Matatias, que combinaram sumo sacerdócio e poder político, alcançando independência judaica por cerca de um século. O período terminou em conflitos internos e disputas sucessórias que abriram caminho para a intervenção romana.
Por que esse período importa para o Novo Testamento?
Porque forma o mundo em que Jesus nasceu. As tensões entre fidelidade à Lei e adaptação cultural, a expectativa de libertação nacional, a memória de resistência armada bem-sucedida e a associação entre poder político e sacerdócio explicam boa parte do cenário dos Evangelhos.
Quando Roma assumiu o controle?
Em 63 a.C., quando Pompeu interveio numa disputa entre irmãos asmoneus e tomou Jerusalém, entrando inclusive no Santo dos Santos, o que causou escândalo profundo. A Judeia tornou-se dependente de Roma.
Quem foi Herodes, o Grande?
Rei cliente de Roma, de origem idumeia, que governou de 37 a 4 a.C. Foi construtor prolífico, responsável pela ampliação monumental do Templo, pela fortaleza de Massada, por Cesareia Marítima e pelo Herodium. Também foi conhecido pela brutalidade, tendo executado a própria esposa e três filhos.
Como a Judeia era administrada?
De formas variadas ao longo do tempo: por reis clientes, por tetrarcas herodianos e por prefeitos ou procuradores romanos diretamente subordinados ao governador da Síria. Pôncio Pilatos foi prefeito entre 26 e 36 d.C., e uma inscrição encontrada em Cesareia confirma seu nome e cargo.
Quais eram os principais grupos judaicos?
Os fariseus, dedicados à aplicação da Lei ao cotidiano e à tradição oral, com forte influência popular. Os saduceus, ligados à aristocracia sacerdotal, que aceitavam apenas a Torá escrita e negavam a ressurreição. Os essênios, grupo separatista de vida comunitária. E os zelotes, favoráveis à resistência armada contra Roma.
O que era a sinagoga?
Instituição local de leitura da Lei, oração e ensino, distinta do Templo e não sacrificial. Espalhou-se por toda a diáspora e pela própria Judeia, e é o cenário de boa parte do ministério de Jesus e das viagens de Paulo.
O que são os Manuscritos do Mar Morto?
Uma coleção de centenas de rolos e fragmentos descobertos a partir de 1947 nas cavernas de Qumran, datados entre o século III a.C. e o I d.C. Incluem cópias de quase todos os livros do Antigo Testamento, comentários e documentos comunitários, e são geralmente associados aos essênios.
Qual a importância desses manuscritos?
Enorme para a crítica textual. O Grande Rolo de Isaías é mil anos mais antigo que os manuscritos massoréticos que serviam de base às traduções, e as diferenças são majoritariamente ortográficas, sem alteração doutrinária. Também iluminam o pensamento judaico do período do Novo Testamento.
O que era a diáspora?
A dispersão judaica fora da Judeia, iniciada com as deportações e ampliada por migração voluntária. No primeiro século, havia comunidades judaicas significativas em Alexandria, Babilônia, Ásia Menor, Grécia, Roma e Cirene, o que explica a lista de regiões em Atos 2.
O que foi a Primeira Guerra Judaica?
A revolta iniciada em 66 d.C. contra Roma, motivada por abusos administrativos, tensões religiosas e conflitos sociais. Terminou com a tomada de Jerusalém em 70 d.C. por Tito e a destruição do Templo. Flávio Josefo, que participou do conflito e depois passou para o lado romano, é a principal fonte.
O que aconteceu em Massada?
O último foco de resistência, uma fortaleza no deserto da Judeia tomada em 73 ou 74 d.C. após cerco prolongado, com rampa de assalto ainda visível. Josefo relata suicídio coletivo dos defensores, relato cuja historicidade é discutida por parte dos pesquisadores.
O que foi a revolta de Bar Kokhba?
O segundo grande levante, entre 132 e 135 d.C., liderado por Simão Bar Kokhba e apoiado inicialmente pelo rabino Akiva. Foi esmagado com grande mortandade, e Jerusalém foi refundada como colônia romana chamada Élia Capitolina, com judeus proibidos de entrar.
De onde vem o nome “Palestina”?
Deriva dos filisteus, e já era usado por Heródoto no século V a.C. para a região costeira. Os romanos o oficializaram como Syria Palaestina após a revolta de Bar Kokhba, e a nomenclatura permaneceu em uso administrativo e geográfico nos séculos seguintes.
Como o judaísmo sobreviveu à destruição do Templo?
Reorganizando-se em torno da Lei, da sinagoga e da autoridade rabínica. A tradição situa em Iavne, após 70 d.C., o núcleo dessa reconstrução, liderado por Iohanan ben Zakai. Sem Templo e sem sacrifício, o estudo da Torá e a observância tornaram-se o centro da vida religiosa.
O que são a Mishná e o Talmude?
A Mishná é a compilação da tradição oral judaica, organizada por volta de 200 d.C. sob Judá, o Príncipe. O Talmude reúne a Mishná e os comentários posteriores, chamados Guemará, em duas versões: a de Jerusalém, do século IV, e a da Babilônia, do século VI, esta última a mais influente.
Que relação isso tem com o cristianismo?
O cristianismo nasce dentro do judaísmo do Segundo Templo e se separa dele gradualmente, num processo que se estende do fim do primeiro século ao segundo. A destruição do Templo em 70 d.C. e a revolta de Bar Kokhba são marcos importantes dessa separação, e ambas as tradições reorganizaram sua identidade nesse período.
Nota final
A história hebraica é a de um povo pequeno situado no corredor entre impérios, sucessivamente dominado por egípcios, assírios, babilônios, persas, gregos e romanos. Nenhum desses impérios existe hoje, e o povo que eles dominaram permanece, com a mesma língua recuperada e o mesmo livro. Do ponto de vista puramente histórico, essa sobrevivência é notável. Do ponto de vista bíblico, ela é exatamente o que os profetas anunciaram: a promessa não dependia do tamanho nem da força de quem a recebeu.
Sobre o Autor
Rev Fabiano Queiroz é professor, escritor, pesquisador e ministro do Evangelho pela Igreja Presbiteriana do Brasil Graduado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano de Curitiba e pós-graduado em Teologia e Interpretação Bíblica pela FABAPAR, dedica-se ao ensino das Escrituras, à pesquisa bíblico-teológica e à pregação expositiva
Como autor, desenvolve projetos voltados ao estudo, à interpretação e à exposição fiel da Bíblia, com especial atenção à formação de pastores, pregadores, líderes cristãos e estudantes de teologia
Informação adicional
| Autor | Rev. Fabiano Queiroz |
|---|---|
| Formato | eBook (PDF) |
| Páginas | 300 |
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