Marcos: A Bíblia de Sermões do Pregador
O preço original era: R$49,90.R$24,90O preço atual é: R$24,90.
Esboços de Pregação no Evangelho de Marcos para Sermões Expositivos e Estudos Bíblicos
Descrição
Marcos: Esboços Bíblicos Completos para Pregação Expositiva e Estudos Bíblicos com pesquisa arqueológica, cultural, exegética, histórica e teológica
Toda semana acontece a mesma cena.
Um pastor abre sua Bíblia, escolhe o texto que será pregado no próximo culto e inicia um longo caminho entre a leitura da passagem e o momento de subir ao púlpito.
Esse caminho exige oração, estudo, interpretação, pesquisa, organização e, acima de tudo, fidelidade às Escrituras.
Mas a realidade do ministério raramente oferece o tempo que esse processo exige.
Entre aconselhamentos, visitas, administração da igreja, família, trabalho e tantas outras responsabilidades, muitos pregadores convivem com a mesma preocupação silenciosa:
“Será que estou interpretando este texto corretamente?”
Quando o livro escolhido é Marcos, esse desafio pode parecer menor à primeira vista.
Por ser o menor dos quatro Evangelhos, muitos imaginam que sua interpretação seja mais simples. No entanto, por trás de sua narrativa dinâmica e objetiva existe uma profunda riqueza teológica que exige atenção ao contexto, à estrutura literária e ao propósito do evangelista.
Como interpretar corretamente a rapidez da narrativa sem sacrificar sua profundidade?
Como compreender o chamado ao discipulado presente em todo o Evangelho?
Como explicar a identidade de Jesus como o Servo sofredor prometido nas Escrituras?
Como conduzir cada sermão até Cristo preservando a unidade da mensagem de Marcos?
Responder a essas perguntas normalmente exige consultar diversos comentários bíblicos, pesquisas históricas, estudos sobre o contexto do século I, arqueologia, Teologia Bíblica, harmonia dos Evangelhos e materiais de homilética.
Foi exatamente para reduzir essa distância entre o texto bíblico e o púlpito que nasceu a coleção Esboços Bíblicos Completos para Pregação Expositiva.
Este volume não foi desenvolvido para substituir seu estudo das Escrituras.
Ele foi desenvolvido para fortalecê-lo.
Enquanto você permanece dedicado à oração, à meditação e à preparação da mensagem, esta obra coloca ao seu lado uma pesquisa cuidadosamente organizada para ajudá-lo a compreender Marcos com maior segurança, estruturar sermões expositivos consistentes e proclamar Cristo de maneira fiel ao texto bíblico.
Por que este volume é diferente?
Embora utilize a expressão “esboços bíblicos”, esta obra oferece muito mais do que roteiros para sermões.
Ela funciona como uma verdadeira ferramenta ministerial de preparação.
Em um único volume você encontrará recursos que normalmente estariam distribuídos entre comentários bíblicos, livros de Teologia Bíblica, pesquisas históricas, arqueologia, geografia bíblica, estudos sobre o contexto judaico e romano, harmonia dos Evangelhos e homilética.
O objetivo não é entregar sermões prontos para serem repetidos no púlpito.
O objetivo é oferecer ao pregador uma base sólida para compreender o texto, desenvolver sua própria exposição e comunicar as Escrituras com segurança, profundidade e fidelidade.
Uma exposição completa do Evangelho de Marcos
O Evangelho de Marcos apresenta Jesus como o Servo do Senhor que veio para cumprir a vontade do Pai e entregar Sua vida em resgate de muitos. Com uma narrativa intensa e objetiva, o evangelista conduz o leitor da primeira proclamação do Reino de Deus até a cruz e a ressurreição, revelando que o verdadeiro poder de Cristo se manifesta em Seu serviço, em Seu sacrifício e em Sua vitória sobre o pecado e a morte.
Ao longo deste volume você encontrará uma exposição completa de Marcos, explorando seu contexto histórico, cultural, geográfico, literário e teológico.
Os sermões desenvolvem temas fundamentais como o Reino de Deus, o discipulado, a autoridade de Jesus, Seus milagres, o confronto com as tradições religiosas, o chamado à fé, o sofrimento do Messias, a cruz, a ressurreição, a missão da Igreja e o custo de seguir a Cristo.
Cada mensagem foi construída para ajudar você a compreender que Marcos não é apenas um relato rápido da vida de Jesus, mas uma poderosa proclamação de que o Filho de Deus veio para servir, salvar pecadores e estabelecer definitivamente Seu Reino.
Exegese que conduz ao Evangelho
Todos os sermões foram desenvolvidos a partir do método histórico-gramatical, respeitando a gramática do texto bíblico, seu contexto histórico, literário e canônico.
A pesquisa exegética dialoga constantemente com a Teologia Bíblica e a Teologia Sistemática, preservando o significado original da passagem sem perder sua aplicação pastoral.
Um dos maiores diferenciais desta coleção é sua abordagem cristocêntrica.
Embora todo o Evangelho tenha Cristo como seu centro, cada sermão evidencia como Marcos revela progressivamente a identidade de Jesus como o Filho de Deus, o Servo sofredor e o Rei prometido. Cada narrativa, milagre, ensino e confronto conduz naturalmente à cruz e à ressurreição, mostrando que a missão de Cristo alcança seu ponto culminante na obra redentora realizada em favor do Seu povo.
Por isso, todos os capítulos incluem uma seção específica dedicada ao Messias no texto e ao Evangelho na passagem, demonstrando como cada perícope revela a pessoa, a obra e a missão de Jesus Cristo.
O que você encontrará nesta obra
✔ Uma introdução completa ao Evangelho de Marcos.
✔ Panorama histórico, político, cultural e religioso do século I.
✔ Contexto do domínio romano e do ministério público de Jesus.
✔ Estrutura literária e organização da narrativa.
✔ Harmonia entre Marcos e os demais Evangelhos quando necessária à interpretação.
✔ Pesquisa arqueológica, histórica e cultural organizada para economizar horas de estudo.
✔ Exegese das principais perícopes.
✔ Integração entre Exegese, Teologia Bíblica e Teologia Sistemática.
✔ Sermões expositivos completos para pregação e ensino.
✔ Tema, objetivo, mensagem central e desenvolvimento completo de cada sermão.
✔ Aplicações práticas fundamentadas no texto bíblico.
✔ A revelação do Messias em cada passagem.
✔ O Evangelho presente em todos os sermões.
✔ Citações de importantes teólogos e pregadores.
✔ Um recurso para acompanhar você na preparação de sermões, estudos bíblicos, discipulado e formação ministerial.
Para quem esta obra foi desenvolvida?
• Pastores.
• Pregadores.
• Líderes cristãos.
• Professores de Escola Bíblica Dominical.
• Estudantes de Teologia.
• Seminários e Institutos Bíblicos.
• Todos aqueles que desejam interpretar o Evangelho de Marcos com maior segurança e proclamar sua mensagem com fidelidade às Escrituras.
Um companheiro para o seu ministério
Marcos desafia a igreja a olhar além dos milagres e contemplar a verdadeira identidade de Jesus. Seu Evangelho revela que o caminho da glória passa pela cruz e que seguir o Filho de Deus significa viver em obediência, serviço e fé. Quando interpretado dentro da história da redenção, cada capítulo conduz naturalmente ao Evangelho e fortalece a igreja para viver como discípula do Cristo crucificado e ressurreto.
Este recurso foi desenvolvido para caminhar ao seu lado durante cada etapa da preparação da mensagem, reduzindo a distância entre o texto bíblico e o púlpito. Assim, você poderá dedicar menos tempo reunindo informações dispersas e mais tempo compreendendo profundamente o Evangelho de Marcos, proclamando Cristo com convicção e edificando a igreja por meio de uma exposição bíblica sólida, cristocêntrica e fiel às Escrituras.
FAQ: Perguntas Frequentes
Quem escreveu o Evangelho de Marcos?
A tradição unânime da Igreja antiga atribui a João Marcos, personagem mencionado várias vezes no Novo Testamento. O texto é formalmente anônimo, e nenhuma atribuição concorrente sobreviveu.
Quem era João Marcos?
Filho de uma Maria cuja casa em Jerusalém servia de ponto de reunião da igreja, conforme Atos 12,12. Acompanhou Paulo e Barnabé na primeira viagem missionária e os abandonou em Panfília, o que gerou a ruptura entre os dois apóstolos. Reconciliou-se depois com Paulo, que o pede em 2 Timóteo 4,11 por considerá-lo útil ao ministério.
Qual a relação entre Marcos e Pedro?
Papias, por volta de 110 d.C., registra que Marcos foi intérprete de Pedro e escreveu com exatidão o que ele pregava, ainda que não em ordem. Pedro o chama de “Marcos, meu filho” em 1 Pedro 5,13, e a tradição entende o Evangelho como registro da pregação petrina.
Há indícios internos dessa ligação?
Alguns. O Evangelho retrata Pedro com franqueza incomum, registrando repreensões e a negação em detalhe, o que se explicaria melhor vindo do próprio Pedro que de um admirador. Também há vividez de detalhes em episódios em que ele estava presente, e a narrativa começa e termina em pontos que correspondem ao arco da pregação apostólica descrita em Atos 10.
Quando o Evangelho foi escrito?
Entre 50 e 65 d.C., na estimativa conservadora, e a maioria dos estudiosos o considera o mais antigo dos quatro. A crítica majoritária o data por volta de 65 a 70.
Para quem foi escrito?
Provavelmente para leitores romanos ou gentios em geral. O texto explica costumes judaicos que Mateus não precisa explicar, traduz expressões aramaicas, usa vários termos latinos transliterados e menciona Rufo e Alexandre como se fossem conhecidos dos leitores, o que combina com o Rufo mencionado por Paulo em Romanos 16.
O que é a prioridade marcana?
A conclusão majoritária de que Marcos foi escrito primeiro e serviu de fonte para Mateus e Lucas. Apoia-se em vários dados, entre eles o fato de que quase todo o material de Marcos reaparece nos outros dois, e que expressões difíceis ou passíveis de mal-entendido em Marcos aparecem suavizadas neles.
O que distingue Marcos dos outros Evangelhos?
A brevidade e a velocidade. É o mais curto dos quatro, não traz narrativa de nascimento, contém poucos discursos longos e concentra-se em ação. Cerca de quarenta por cento do texto trata da última semana.
O que significa a palavra “imediatamente” em Marcos?
O advérbio grego euthys aparece cerca de quarenta vezes no livro, muito acima do uso nos demais Evangelhos, e produz sensação de urgência contínua. Jesus é apresentado em movimento constante, de um episódio a outro sem pausa.
Por que Marcos não narra o nascimento de Jesus?
Porque começa no ponto em que a pregação apostólica começava. Atos 10, ao resumir o que Pedro pregava, parte justamente do batismo de João e vai até a ressurreição, exatamente o arco do Evangelho de Marcos.
Como o Evangelho começa?
Com uma declaração e não com uma narrativa: princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. A expressão “Filho de Deus” está ausente de alguns manuscritos antigos, e as edições críticas a assinalam, embora a maioria a mantenha.
Qual é a estrutura do livro?
Duas metades separadas por um eixo. Os capítulos 1 a 8 respondem à pergunta sobre quem Jesus é, com milagres e conflitos crescentes. A confissão de Pedro, em 8,29, é a dobradiça. A partir dali, o Evangelho trata de o que significa que ele seja o Cristo, e o caminho é a cruz.
Marcos é menos teológico que os outros?
Não, e a impressão vem da ausência de discursos longos. Sua teologia é narrativa: comunica pela seleção e pelo arranjo dos episódios, e não por exposição. A colocação do cego curado em duas etapas imediatamente antes da confissão parcialmente correta de Pedro é um exemplo dessa técnica.
O que é o segredo messiânico?
O padrão, característico de Marcos, em que Jesus manda demônios calarem-se, ordena a pessoas curadas que não divulguem o milagre e proíbe os discípulos de dizerem quem ele é. Aparece repetidamente ao longo do Evangelho.
De onde vem essa expressão?
Foi cunhada por William Wrede, em 1901, que propôs tratar-se de recurso literário criado pela Igreja primitiva para explicar por que Jesus não fora reconhecido como Messias em vida. A tese é hoje minoritária em sua forma original, e o fenômeno textual que ela identificou continua sendo discutido.
Como a tradição reformada explica o silêncio imposto?
Por razões convergentes. A expectativa popular de um messias político poderia gerar tumulto e antecipar o confronto; a identidade de Jesus só é compreensível à luz da cruz, e proclamá-la antes dela produziria entendimento distorcido; e a proibição aos demônios evita testemunho vindo de fonte que Jesus não aceitava.
O silêncio se mantém até o fim?
Não. No julgamento diante do sumo sacerdote, quando perguntado diretamente se é o Cristo, o Filho do Bendito, ele responde afirmativamente e cita Daniel 7. A revelação plena ocorre no momento em que a cruz já é inevitável.
Como Marcos apresenta os milagres?
Com mais detalhe descritivo que os outros Evangelhos e menos ensino associado. Registra reações, gestos, palavras aramaicas preservadas e emoções de Jesus, incluindo compaixão, ira e suspiros.
O que é a cura do endemoninhado geraseno?
O episódio do homem que vivia entre os sepulcros, cujo demônio se identifica como Legião, porque eram muitos. Após a libertação, os porcos se lançam no mar e a população pede que Jesus se retire. O homem curado pede para segui-lo e é enviado a anunciar em Decápolis, território gentio.
O que é o entrelaçamento das duas curas no capítulo 5?
Marcos interrompe a narrativa sobre a filha de Jairo para inserir a cura da mulher com fluxo de sangue, e depois retoma. É recurso literário recorrente no Evangelho, e aqui liga duas histórias por detalhes deliberados: doze anos de doença e doze anos de idade, e o contraste entre um líder da sinagoga e uma mulher socialmente impura.
O que significa “assim declarou puros todos os alimentos”?
Marcos 7,19 traz esse comentário do narrador após o ensino de Jesus sobre o que contamina o homem. É observação do evangelista e não fala de Jesus, e explicita a consequência que Pedro levaria anos para aceitar, conforme o episódio do lençol em Atos 10.
O que aconteceu com a mulher siro-fenícia?
Ela pede libertação para a filha e recebe uma resposta dura sobre não convir tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Responde que até os cachorrinhos comem das migalhas debaixo da mesa, e Jesus atende por causa dessa palavra. É o único caso nos Evangelhos em que alguém replica a Jesus e é elogiado por isso.
Qual milagre é exclusivo de Marcos?
A cura do cego de Betsaida, em 8,22-26, feita em duas etapas: após o primeiro toque, o homem vê pessoas como árvores que andam, e só após o segundo enxerga com clareza. É o único milagre gradual registrado nos Evangelhos.
Por que esse milagre está ali?
Pela posição. Vem imediatamente antes da confissão de Pedro, que acerta ao identificar Jesus como o Cristo e erra completamente ao entender o que isso significa, sendo repreendido em seguida. A visão parcial do cego funciona como comentário narrativo sobre a compreensão parcial dos discípulos.
O que acontece em Cesareia de Filipe?
Jesus pergunta quem os homens dizem que ele é, e depois quem eles próprios dizem. Pedro responde que ele é o Cristo. Jesus os proíbe de dizer isso a alguém e começa a ensinar que o Filho do homem precisava sofrer muito, ser rejeitado, morto e ressuscitar ao terceiro dia.
Por que Pedro é repreendido?
Porque, tendo acabado de confessar corretamente a identidade, recusa o conteúdo. Toma Jesus à parte e começa a repreendê-lo, e recebe a resposta mais dura registrada nos Evangelhos: para trás de mim, Satanás, porque não cogitas das coisas de Deus, mas das dos homens.
O que Jesus ensina em seguida?
Que quem quiser vir após ele deve negar-se a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-lo, porque quem quiser salvar a sua vida a perderá. O padrão do mestre torna-se o padrão do discípulo, e é essa ligação que estrutura toda a segunda metade do Evangelho.
Quantas vezes Jesus anuncia sua morte?
Três, e o padrão é constante e revelador. A cada anúncio segue-se uma demonstração de incompreensão dos discípulos, e a cada incompreensão segue-se ensino sobre serviço. Depois do primeiro, Pedro o repreende; depois do segundo, discutem quem é o maior; depois do terceiro, Tiago e João pedem os melhores lugares.
O que diz Marcos 10,45?
Que o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. É o versículo-chave do Evangelho e uma das declarações mais importantes do Novo Testamento sobre a natureza da obra de Cristo.
Por que esse versículo é tão relevante na teologia reformada?
Porque combina três elementos numa frase: substituição, já que a vida é dada em lugar de outros; resgate, termo do mundo da libertação de escravos e cativos; e a expressão “por muitos”, que ecoa Isaías 53,11-12 e é lida como indicação da eficácia particular da expiação. O contexto também importa: a declaração encerra o ensino sobre serviço e grandeza invertida.
Como Marcos retrata os discípulos?
Com dureza incomum. Eles não entendem as parábolas, não compreendem os milagres, têm o coração endurecido, discutem por posição, dormem no Getsêmani, abandonam Jesus na prisão e um deles o nega três vezes. Nenhum Evangelho é menos lisonjeiro com eles.
Por que esse retrato é significativo?
Porque a tradição registra que o Evangelho vem da pregação de Pedro, um dos retratados. E porque, teologicamente, torna claro que a compreensão do Reino não decorre de proximidade física nem de esforço, e sim de revelação, ponto que a tradição reformada destaca.
Quem foi Bartimeu?
O cego de Jericó que clama por Jesus chamando-o de Filho de Davi, é repreendido pela multidão, clama mais forte, é curado e passa a segui-lo pelo caminho. Marcos preserva seu nome, o que é incomum, e o episódio fecha a seção do caminho, imediatamente antes da entrada em Jerusalém.
O que significa a maldição da figueira?
Jesus amaldiçoa uma figueira sem frutos e, entre a maldição e a constatação de que secou, Marcos insere a purificação do Templo. O entrelaçamento é deliberado: a árvore com folhas e sem fruto interpreta o Templo com atividade intensa e sem o que deveria produzir.
O que Marcos 13 discute?
O chamado discurso do monte das Oliveiras, com a predição da destruição do Templo, sinais que a antecederiam, advertências contra falsos messias, e a exortação repetida a vigiar. O capítulo encerra com a afirmação de que ninguém sabe o dia nem a hora.
O que aconteceu no Getsêmani?
Jesus leva Pedro, Tiago e João, declara que sua alma está profundamente triste até a morte, e ora que, se possível, passe dele aquela hora. Marcos preserva a palavra aramaica Abba, e registra que os discípulos dormiram três vezes.
Quem era o jovem que fugiu nu?
Marcos 14,51-52 registra que um jovem seguia Jesus coberto apenas com um lençol, e que, ao ser agarrado, largou o lençol e fugiu nu. Nenhum outro Evangelho menciona o episódio. Muitos comentaristas sugerem que seja o próprio Marcos, incluindo discretamente uma assinatura pessoal, embora seja hipótese e não certeza.
Como Marcos narra a negação de Pedro?
Entrelaçada com o julgamento de Jesus. Enquanto Jesus confessa sua identidade diante do sumo sacerdote, Pedro nega três vezes no pátio. A justaposição é deliberada e faz o contraste entre fidelidade e fracasso ocorrer simultaneamente.
O que Jesus responde no julgamento?
Perguntado se é o Cristo, o Filho do Bendito, responde “eu sou”, e acrescenta que verão o Filho do homem assentado à direita do Poder e vindo com as nuvens do céu, citando Daniel 7 e o Salmo 110. O sumo sacerdote rasga as vestes e o acusa de blasfêmia.
O que aconteceu na crucificação?
Marcos registra a hora, o vinho com mirra recusado, a inscrição, os que passavam blasfemando, as trevas desde a hora sexta até a nona, e o grito de Jesus citando o Salmo 22, preservado em aramaico: Eloí, Eloí, lamá sabactâni.
O que significa o véu rasgado?
Marcos registra que o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo, no momento da morte de Jesus. A direção importa: de cima para baixo indica ato divino e não humano. O acesso que o sistema levítico restringia a um homem, um dia por ano, foi aberto.
Qual é o clímax do Evangelho?
A confissão do centurião romano em 15,39, ao ver como Jesus expirou: verdadeiramente este homem era Filho de Deus. É a primeira vez em todo o Evangelho que um ser humano identifica Jesus assim, e vem de um gentio, aos pés da cruz, e não de um discípulo.
Como o Evangelho termina?
Com as mulheres encontrando o túmulo vazio, ouvindo do jovem vestido de branco que Jesus ressuscitou e que devem avisar os discípulos e Pedro, e então saindo apressadas, tomadas de tremor e espanto, sem nada dizer a ninguém porque tinham medo. Este é o versículo 8 do capítulo 16.
O que são os versículos 9 a 20?
Um trecho adicional, chamado final longo, que resume aparições do ressurreto, a Grande Comissão e a ascensão. Está ausente dos dois manuscritos gregos mais antigos e importantes, o Sinaítico e o Vaticano, e alguns Pais da Igreja registram sua ausência em cópias que conheciam.
Esse final é autêntico?
O consenso textual, incluindo estudiosos conservadores, é que não faz parte do texto original de Marcos, e as edições críticas o assinalam ou o colocam entre colchetes. O vocabulário e o estilo diferem do restante do Evangelho, e a transição do versículo 8 para o 9 é abrupta. Nenhuma doutrina cristã depende exclusivamente desse trecho.
Por que ele foi acrescentado?
Provavelmente porque um final no versículo 8 parecia incompleto a copistas posteriores. Existem também outros finais alternativos em manuscritos, incluindo um mais curto, o que reforça que houve mais de uma tentativa de completar o texto.
O que dizer sobre serpentes e veneno em 16,18?
O versículo pertence ao trecho de autenticidade contestada, e nele se baseiam práticas de manuseio de serpentes em alguns grupos religiosos. Além do problema textual, a prática contraria diretamente a resposta de Jesus na tentação, ao recusar lançar-se do templo citando a proibição de tentar a Deus.
Marcos terminou mesmo no versículo 8?
As explicações se dividem. Alguns entendem que o final original se perdeu, o que era comum em rolos danificados nas extremidades. Outros entendem que o final abrupto é deliberado: o Evangelho termina com o anúncio da ressurreição e com testemunhas em silêncio por medo, deixando o leitor diante da pergunta sobre o que fará com aquilo. A segunda leitura vem ganhando terreno.
Esse final funciona teologicamente?
Funciona bem, se for deliberado. O Evangelho começa dizendo que é o princípio do evangelho, e termina com uma comissão não cumprida no relato, o que coloca o leitor na posição de quem deve continuá-lo. E a última menção nominal a alguém é a Pedro, expressamente incluído no recado do anjo, apesar de ter negado.
Como Marcos apresenta Jesus?
Como o Servo que age. A tradição associa este Evangelho ao símbolo do leão, e a ênfase narrativa é sobre autoridade demonstrada em ação, culminando na declaração de que veio servir e dar a vida em resgate.
Qual é a teologia do discipulado em Marcos?
Severa e realista. Seguir Jesus significa tomar a cruz, perder a vida para achá-la, e ser o último e servo de todos. Os discípulos falham repetidamente e continuam sendo chamados, o que na leitura reformada ilustra que a perseverança depende de quem chama e não de quem segue.
O que Marcos ensina sobre a cruz?
Que ela não é acidente nem interrupção do plano, e sim seu conteúdo. A segunda metade inteira do Evangelho caminha para lá, e o momento em que Jesus é finalmente reconhecido como Filho de Deus por um ser humano é justamente o de sua morte.
Por que ler Marcos primeiro?
É a recomendação frequente para quem começa a ler os Evangelhos: é o mais curto, o mais direto, o mais fácil de ler de uma sentada, e apresenta o essencial sem os discursos extensos de Mateus e João.
Onde está o centro teológico do Evangelho?
Provavelmente em 10,45. A frase resume a cristologia, a soteriologia e a ética do livro numa só sentença: quem ele é, o que veio fazer, e o que isso exige de quem o segue.
Nota final
Marcos escreve rápido, corta descrições e não explica mais do que precisa. Mas guarda dois momentos com cuidado incomum. O primeiro é a confissão de um soldado romano diante de um homem morto numa cruz, primeira vez em todo o livro que alguém acerta quem Jesus é. O segundo é o recado do anjo, que manda avisar os discípulos e Pedro, mencionando pelo nome justamente aquele que havia negado. Se o Evangelho vem mesmo da pregação de Pedro, entende-se por que esses dois detalhes não foram cortados.
Sobre o Autor
Rev. Fabiano Queiroz é professor, escritor, pesquisador e ministro do Evangelho pela Igreja Presbiteriana do Brasil Graduado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano de Curitiba e pós-graduado em Teologia e Interpretação Bíblica pela FABAPAR, dedica-se ao ensino das Escrituras, à pesquisa bíblico-teológica e à pregação expositiva
Como autor, desenvolve projetos voltados ao estudo, à interpretação e à exposição fiel da Bíblia, com especial atenção à formação de pastores, pregadores, líderes cristãos e estudantes de teologia
Informação adicional
| Autor | Rev. Fabiano Queiroz |
|---|---|
| Formato | eBook (PDF), ePUB (Kindle/iPAD/Kobo) |
| Páginas | 400 |
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