Conteúdo
- 1 Descubra quem foi Zacarias na Bíblia: o profeta pós-exílico, as oito visões noturnas, a entrada triunfal no jumento, as trinta moedas de prata, Zacarias 12.10 e a tipologia de Cristo. Estudo Bíblico Avançado.
- 2 1. Quem foi Zacarias? Nome, família e dupla vocação
- 3 2. O contexto histórico: o retorno do exílio e a reconstrução
- 4 3. Zacarias e Ageu: os dois profetas da restauração
- 5 4. A estrutura do Livro de Zacarias e o debate de autoria
- 6 5. O chamado ao arrependimento: Zacarias 1.1-6
- 7 6. As oito visões noturnas: mapa completo
- 8 7. A quarta visão: Josué vestido de trapos limpos — tipologia da justificação
- 9 8. A quinta visão: “Não por força, nem por poder, mas pelo meu Espírito”
- 10 9. A coroação de Josué e o Renovo: Zacarias 6.9-15
- 11 10. Sobre o jejum e a verdadeira adoração: Zacarias 7–8
- 12 11. As dez promessas de restauração: Zacarias 8
- 13 12. “Alegra-te muito, ó filha de Sião”: Zacarias 9.9
- 14 13. As trinta moedas de prata: Zacarias 11.12-13
- 15 14. “A quem traspassaram”: Zacarias 12.10
- 16 15. “Fere o pastor, e as ovelhas se dispersarão”: Zacarias 13.7
- 17 16. O Dia do Senhor e a batalha final: Zacarias 14
- 18 17. Zacarias e Jesus Cristo: o profeta mais citado no NT
- 19 18. Linha do tempo de Zacarias
- 20 19. Lições da vida de Zacarias para o cristão de hoje
- 21 20. Versículos importantes de Zacarias
- 22 21. Perguntas frequentes sobre Zacarias
- 23 22. Conclusão
- 24 Sobre o Autor
- 25 Referências e Indicação de Leitura
Descubra quem foi Zacarias na Bíblia: o profeta pós-exílico, as oito visões noturnas, a entrada triunfal no jumento, as trinta moedas de prata, Zacarias 12.10 e a tipologia de Cristo. Estudo Bíblico Avançado.
Zacarias, filho de Baraquias e neto de Ido, foi sacerdote e profeta que ministrou em Jerusalém durante a reconstrução do Segundo Templo, contemporâneo de Ageu e dos governantes Zorobabel e Josué, no período do retorno do exílio babilônico (c. 520–518 a.C., estendendo-se possivelmente até 480 a.C.). Seu livro é o mais extenso e o mais rico em profecias messiânicas de todos os Profetas Menores, com mais de 40 referências citadas no Novo Testamento. Recebeu oito visões noturnas numa única noite que mapearam o plano de Deus para Jerusalém e para o mundo. Profetizou com precisão milimétrica a entrada triunfal do Messias montado num jumento (Zacarias 9.9 → Mateus 21.5), o preço exato da traição de Judas, trinta moedas de prata (Zacarias 11.12-13 → Mateus 27.9), a agonia de Jesus no Getsêmani (Zacarias 13.7 → Marcos 14.27) e o luto escatológico de Israel por aquele “a quem traspassaram” (Zacarias 12.10 → João 19.37).
Este artigo apresenta Zacarias como personagem histórico e teológico, equilibrando o rigor exegético com sensibilidade pastoral. O debate sobre a autoria dos capítulos 9–14 (Deutero-Zacarias) é apresentado com as principais posições acadêmicas sem imposição de uma como única ortodoxia. O problema da atribuição de Zacarias 11.12-13 a “Jeremias” em Mateus 27.9 é tratado com as soluções exegéticas disponíveis. As oito visões noturnas são apresentadas em sua estrutura completa com seus significados históricos e tipológicos.
Havia um problema com a comunidade do retorno. Eles haviam voltado do exílio com promessas grandiosas e expectativas imensuráveis, e encontraram uma cidade em ruínas, um Templo sem fundações concluídas, inimigos que sabotavam a obra, colheitas que fracassavam e uma sensação crescente de que as grandes profecias de restauração de Isaías e Ezequiel talvez nunca se tornassem realidade para eles.
Foi nesse contexto de desânimo pós-exílico que Deus levantou dois profetas: Ageu para dar o pontapé pragmático (“Reconstruam o Templo agora”) e Zacarias para dar a visão cósmica “O que estão construindo tem conexão com o plano eterno de Deus para toda a humanidade”.
Ageu motivou pelo presente. Zacarias motivou pelo futuro, um futuro tão específico que seus detalhes sobre o Messias seriam citados pelos evangelistas 500 anos depois com precisão que confundia até mesmo os próprios sacerdotes.

1. Quem foi Zacarias? Nome, família e dupla vocação
O nome e seu significado
O nome Zacarias (hebraico: Zekharyahu, זְכַרְיָהוּ) é composto de zakhar (זָכַר, “lembrar”) + Yahu (יָהוּ, forma do nome divino YHWH) significando “YHWH se lembrou” ou “o Senhor recordou.”
O nome é teologicamente preciso para seu portador: Zacarias foi o profeta que ministrou a uma comunidade que duvidava de que Deus ainda Se lembrava de Suas promessas. Toda a estrutura do livro, as visões de restauração, as profecias messiânicas, as dez promessas de Zacarias 8 é resposta à ansiedade implícita no coração do povo: “Deus ainda se lembra de nós?” O nome do profeta era em si mesmo a resposta: “YHWH se lembrou.”
Família e linhagem sacerdotal
Zacarias 1.1 identifica o profeta como “filho de Baraquias, filho de Ido” e Ido é identificado em Neemias 12.4 como um dos sacerdotes que retornou do exílio com Zorobabel. Isso confirma que Zacarias era de família sacerdotal, sacerdote além de profeta, assim como Ezequiel e Jeremias.
O comentarista Joyce Baldwin (Haggai, Zechariah, Malachi, Tyndale OT Commentary, 1972) observa que a linhagem sacerdotal de Zacarias explicava tanto sua familiaridade com os rituais do Templo quanto sua ênfase na pureza sacerdotal, especialmente na quarta visão, sobre Josué o sumo sacerdote.
Há um problema textual sutil: Mateus 23.35 menciona “Zacarias, filho de Baraquias” ao referir-se ao profeta mártir, mas 2 Crônicas 24.20-22 descreve um Zacarias filho de Joiada que foi morto no átrio do Templo, sem mencionar Baraquias. Os comentaristas debatem se Mateus usou o nome do profeta do século VI para identificar o Zacarias de Crônicas.
Saiba mais: Introdução, Comentário e Estudo Bíblico no Livro de Zacarias
2. O contexto histórico: o retorno do exílio e a reconstrução
538 a.C.: o decreto de Ciro e o retorno
Em 539 a.C., Ciro II, rei da Pérsia, conquistou a Babilônia. Em 538 a.C., emitiu um decreto permitindo que os povos deportados pelos babilônios retornassem a suas terras, cumprimento direto da profecia de Isaías 44.28 “diz de Ciro: É o meu pastor, e cumprirá toda a minha vontade”.
O primeiro grupo de retornados chegou a Jerusalém sob a liderança de Zorobabel (governador civil, da linhagem davídica) e Josué (sumo sacerdote). Reconstruíram o altar e lançaram os fundamentos do novo templo em 536 a.C.
Mas então a obra parou. Por quê?
- Oposição dos povos vizinhos que enviaram cartas ao rei persa sabotando a obra
- Dificuldades econômicas — colheitas insuficientes, poços secando
- Desânimo teológico — o povo achava que o momento certo ainda não havia chegado
A obra permaneceu paralisada por 16 anos — de 536 a.C. a 520 a.C.
Em agosto/setembro de 520 a.C., Deus enviou Ageu com mensagem direta. Em outubro/novembro de 520 a.C., dois meses depois, enviou Zacarias com o horizonte cósmico. A combinação foi eficaz: a obra reiniciou imediatamente e o Segundo Templo foi concluído em 516 a.C.
3. Zacarias e Ageu: os dois profetas da restauração
Parceiros complementares
Ageu e Zacarias são mencionados juntos em Esdras 5.1 e 6.14 como os profetas que encorajaram a reconstrução do Templo. Mas seus estilos eram radicalmente diferentes:
| Dimensão | Ageu | Zacarias |
|---|---|---|
| Estilo | Direto, prático, sem símbolos | Visionário, simbólico, apocalíptico |
| Foco | O presente imediato “Por que ainda não reconstruíram?” | O futuro cósmico “O que constroem conecta-se ao plano eterno de Deus” |
| Extensão | 2 capítulos | 14 capítulos |
| Profecias messiânicas | Poucas e breves | Extensas e detalhadas |
| Ação de Deus | Colheitas fracas como disciplina divina | Visões cósmicas da soberania divina |
O comentarista Thomas McComiskey (Haggai, Zechariah, Malachi, EBC, 1985) descreve a relação como “profecia de fundação e profecia de horizonte”: Ageu motivou a construção do fundamento; Zacarias revelou por que esse fundamento importava do ponto de vista da eternidade.
4. A estrutura do Livro de Zacarias e o debate de autoria
Duas seções com estilos distintos
O Livro de Zacarias tem 14 capítulos que estudiosos geralmente dividem em duas seções principais:
| Seção | Capítulos | Estilo | Período |
|---|---|---|---|
| Proto-Zacarias | 1–8 | Visões simbólicas com anjo intérprete; referências explícitas a Josué e Zorobabel | 520–518 a.C. |
| Deutero-Zacarias | 9–14 | Estilo poético/apocalíptico; sem referências aos líderes pós-exílicos; horizonte escatológico mais amplo | Incerto — possivelmente mais tardio |
O debate sobre a autoria dos capítulos 9–14
A diferença de estilo entre os capítulos 1–8 e 9–14 levou muitos estudiosos críticos a propor que os capítulos 9–14 foram escritos por um autor diferente (Deutero-Zacarias), possivelmente do século V ou IV a.C.
Argumentos para autoria múltipla:
- Ausência de referências a Zorobabel e Josué nos capítulos 9–14
- Estilo literário diferente — mais poético e menos visionário
- O horizonte histórico parece diferente, possíveis referências à Grécia em Zacarias 9.13
Argumentos para autoria única:
- A tradição judaica e cristã antiga não questiona a unidade do livro
- Mudança de contexto histórico e de audiência explicaria as diferenças de estilo
- O livro tem unidade temática — a promessa do Messias permeia ambas as seções
- Mateus 27.9-10 cita Zacarias 11.12-13 (segunda seção) e atribui ao profeta como unidade
Nota editorial: Este artigo apresenta o debate com equilíbrio. Estudiosos conservadores como Joyce Baldwin e Thomas McComiskey defendem a unidade do livro; estudiosos críticos propõem autores distintos. A mensagem teológica permanece a mesma independentemente da posição sobre autoria. É sempre importante lembrar ao estudante da teologia que o Novo Testamento valida o livro profético, independente das informações de compilação.
5. O chamado ao arrependimento: Zacarias 1.1-6
A abertura que define o tom
Antes das visões, Zacarias 1.1-6 apresenta o chamado mais fundamental do profeta: o convite ao arrependimento, com a advertência severa da história:
“O Senhor dos Exércitos diz assim: Convertei-vos a mim, diz o Senhor dos Exércitos, e eu me converterei a vós, diz o Senhor dos Exércitos… Não sejais como vossos pais, a quem os primeiros profetas clamaram, dizendo: Assim diz o Senhor dos Exércitos: Convertei-vos de vossos maus caminhos e das vossas más obras; porém não ouviram.” — Zacarias 1.3-4 (ACF)
A pergunta implícita era dolorosa: Por que Zacarias teria sucesso onde profetas anteriores haviam falhado? Porque o exílio havia acontecido. O povo havia visto com os próprios olhos que as palavras dos profetas “alcançaram os seus pais” (Zacarias 1.6, ACF) o julgamento se cumprira. Essa experiência tornava a segunda geração mais receptiva à mensagem profética do que a primeira havia sido.
6. As oito visões noturnas: mapa completo
Recebidas numa única noite em fevereiro de 519 a.C.
As oito visões foram recebidas em “vinte e quatro dias do décimo primeiro mês” (Zacarias 1.7) fevereiro de 519 a.C., um mês após Dario ter consolidado seu controle sobre o Império Persa. O contexto político tornava as visões ainda mais urgentes: o mundo estava em turbulência, e Deus revelou Seu plano para Jerusalém.
| Visão | Passagem | Imagem central | Significado |
|---|---|---|---|
| 1ª | 1.8-17 | Cavaleiro entre as murtas; cavalos vermelhos, ruivos e brancos | Deus está atento à situação de Israel; Jerusalém será consolada |
| 2ª | 1.18-21 | Quatro chifres e quatro ferreiros | As nações que dispersaram Israel serão julgadas |
| 3ª | 2.1-13 | Homem com cordão de medir | Jerusalém prosperará sem muros, Deus será seu muro de fogo |
| 4ª | 3.1-10 | Josué com trapos sujos diante do anjo; Satanás acusando | Justificação do sumo sacerdote; purificação pelo Messias (o Renovo) |
| 5ª | 4.1-14 | Candelabro de ouro e duas oliveiras | “Não por força, nem por poder, mas pelo meu Espírito”, Zorobabel e Josué como instrumentos |
| 6ª | 5.1-4 | Rolo voante (9m × 4,5m) | Julgamento do pecado individual, o ladrão e o que jura falsamente |
| 7ª | 5.5-11 | Mulher num efa levada para a Babilônia | Remoção da iniquidade coletiva da terra |
| 8ª | 6.1-8 | Quatro carros com cavalos de diferentes cores | Os espíritos dos céus executando os julgamentos divinos sobre a terra |
O comentarista Joyce Baldwin identifica a estrutura das oito visões como um quiasmo, a quarta e quinta visões sobre Josué e o Espírito formam o centro teológico do conjunto, com as visões externas progressivamente amplificando o alcance até o horizonte cósmico.
7. A quarta visão: Josué vestido de trapos limpos — tipologia da justificação

A cena mais carregada de teologia do livro
“E mostrou-me Josué, o sumo sacerdote, que estava em pé diante do anjo do Senhor; e Satanás estava em pé à sua mão direita para resistir-lhe. E o Senhor disse a Satanás: O Senhor te repreenda, ó Satanás.” — Zacarias 3.1-2 (ACF)
A cena é um tribunal celestial: Josué o sumo sacerdote vestido de “roupas sujas” (símbolo de pecado e impureza ritual) no lugar de acusado, com Satanás como promotor e o Anjo do Senhor (uma teofania de Cristo) como defensor.
A resposta divina não foi uma refutação das acusações, foi uma declaração soberana de graça: “O Senhor te repreenda.” E então:
“Tirai-lhe as roupas sujas. E disse-lhe: Eis que te faço passar a iniquidade, e te vestirei de mudas de roupa.” — Zacarias 3.4 (ACF)
A cena é a tipologia mais clara da justificação por graça no AT: Josué não era declarado inocente porque se limpara, a impureza era reconhecida. Era declarado limpo porque outro removeu a iniquidade e outro proveu as vestes.
O comentarista Thomas McComiskey chama esse texto de “a mais clara prefiguração veterotestamentária de Romanos 3.21-26 — a justificação do ímpio pela graça soberana de Deus.”
E então o profeta acrescentou a referência messiânica:
“Eis que trarei o meu servo, o Renovo.” — Zacarias 3.8 (ACF)
O Renovo (hebraico: tsemach, צֶמַח — “broto”, “ramo”) é título messiânico que aparece em Jeremias 23.5 e 33.15, Isaías 11.1 e Ezequiel 17.22 o descendente de Davi que brotará do tronco cortado e restaurará o reino. Em Zacarias 3 e 6, o Renovo é apresentado como alguém que unirá as funções real e sacerdotal — cumprido em Jesus Cristo como Rei-Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hebreus 7).
8. A quinta visão: “Não por força, nem por poder, mas pelo meu Espírito”
Zacarias 4.6 — o versículo mais citado do livro
A quinta visão mostrou a Zacarias um candelabro de ouro com um reservatório no topo, sete lâmpadas, e duas oliveiras de cada lado. Quando Zacarias perguntou o significado, o anjo respondeu com o versículo que se tornou talvez o mais famoso de todo o livro:
“Não por exército nem por força, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.” — Zacarias 4.6 (ACF)
O versículo era endereçado especificamente a Zorobabel o governador que enfrentava a tarefa aparentemente impossível de reconstruir o Templo com recursos mínimos, oposição máxima e uma comunidade desanimada. A mensagem era: o sucesso da empreitada não dependia de poder militar ou humano dependia do Espírito de Deus.
As duas oliveiras, explicadas em Zacarias 4.14, eram “os dois ungidos” — Zorobabel (o líder civil) e Josué (o sumo sacerdote) que canalizavam o óleo divino para o candelabro. Eles eram instrumentos do Espírito, não fontes do poder.
9. A coroação de Josué e o Renovo: Zacarias 6.9-15
A ação simbólica que encerra as visões
Após as oito visões, Zacarias recebeu instrução de realizar um ato simbólico: fazer uma coroa de prata e ouro e colocá-la na cabeça de Josué o sumo sacerdote. E então declarar:
“Assim diz o Senhor dos Exércitos: Eis o homem cujo nome é o Renovo, e ele brotará do lugar onde está, e edificará o templo do Senhor. Ele mesmo edificará o templo do Senhor, e receberá glória, e se assentará, e dominará no seu trono; e será sacerdote no seu trono; e o conselho de paz será entre ambos.” — Zacarias 6.12-13 (ACF)
A ação era paradoxal: coroar um sacerdote (não um rei) com uma coroa real. No sistema israelita, esses ofícios eram separados, reis não eram sacerdotes e sacerdotes não eram reis. A coroação de Josué era sinal profético: o Renovo que viria uniria as duas funções permanentemente.
Jesus Cristo é explicitamente apresentado no NT como sacerdote da ordem de Melquisedeque, um sacerdote que também é Rei (Hebreus 5–7; Salmo 110.4). Zacarias 6.13 profetizou essa unicidade séculos antes.
10. Sobre o jejum e a verdadeira adoração: Zacarias 7–8
A questão que desencadeou as promessas
Em dezembro de 518 a.C., uma delegação de Betel veio a Zacarias com uma pergunta prática: deviam continuar jejuando no quinto mês (em memória da destruição do Templo) agora que o Templo estava sendo reconstruído?
A resposta de Deus (Zacarias 7.5-10) subverteu a pergunta: “Ao jejuardes e prantejardes no quinto e no sétimo mês, por setenta anos, foi para mim que jejuastes?” e então revelou o que Deus realmente queria:
“Executai verdadeiro juízo, e mostrai misericórdia e compaixão, cada um para com seu irmão. Não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre.” — Zacarias 7.9-10 (ACF)
A lógica era a mesma de Miquéias 6.8 e Amós 5.21-24: o ritual sem ética é ruído vazio para Deus.
E então Zacarias 8 apresentou dez promessas de restauração cada uma introduzida pela fórmula “Assim diz o Senhor” que descreviam uma Jerusalém transformada: idosos e crianças nas ruas, o povo de muitas nações segurando a barra da roupa de um judeu dizendo “iremos convosco, porque ouvimos que Deus está convosco” (Zacarias 8.23, ACF).
11. As dez promessas de restauração: Zacarias 8
As dez promessas de Zacarias 8 cobrem as dimensões completas da restauração divina:
| Promessa | Versículo | Conteúdo |
|---|---|---|
| 1ª | 8.2 | O zelo de Deus por Sião e Sua indignação contra os inimigos |
| 2ª | 8.3 | Deus voltará a Sião, Jerusalém chamada de “cidade da verdade” |
| 3ª | 8.4-5 | Idosos com cajados nas praças; crianças brincando, paz e longevidade |
| 4ª | 8.6 | O que parece impossível para os olhos humanos não é impossível para Deus |
| 5ª | 8.7-8 | O povo disperso será reunido do oriente e do ocidente |
| 6ª | 8.9-13 | Os que reconstruíram o templo, mãos fortes; bênçãos em vez de maldições |
| 7ª | 8.14-17 | Deus que pensou em fazer mal quando as gerações pecaram, agora pensa em fazer bem |
| 8ª | 8.18-19 | Os jejuns de tristeza serão transformados em festas de alegria |
| 9ª | 8.20-22 | Muitos povos e nações buscarão o Senhor em Jerusalém |
| 10ª | 8.23 | “Iremos convosco, porque ouvimos que Deus está convosco” — missão às nações |
12. “Alegra-te muito, ó filha de Sião”: Zacarias 9.9

A profecia messiânica mais clara da entrada triunfal
“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta.” — Zacarias 9.9 (ACF)
Este é o versículo mais citado de Zacarias no Novo Testamento e por boa razão. Quando Jesus entrou em Jerusalém montado num jumentinho no Domingo de Ramos, os dois evangelistas que citam Zacarias (Mateus 21.4-5 e João 12.14-15) faziam questão de registrar: “Isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta.”
Os quatro atributos do Rei messiânico
A descrição de Zacarias é teologicamente densa em apenas um versículo:
- “Justo” — o Rei que Deus prometera da linhagem de Davi seria justo (tsaddiq) — moralmente perfeito, não o rei corrompido que Israel havia tolerado.
- “Salvador” — hebraico: nosha’ (נוֹשָׁע) — salvo por Deus, ou que salva. A salvação que traz vem de Deus, não de exércitos.
- “Humilde” — hebraico: ani (עָנִי) — pobre, afligido, manso. O contraste com os reis conquistadores da antiguidade é máximo: eles chegavam em cavalos de guerra; este Rei chegaria no animal dos pobres.
- “Montado em jumento” — no Antigo Oriente Próximo, cavalos eram montaria de guerra; jumentos eram montaria de paz. A escolha do animal era declaração de intenção: este Rei não vinha para conquistar por força, mas para estabelecer paz.
O comentarista Joyce Baldwin observa que a profecia combinava duas imagens aparentemente contraditórias: “exulta” saudação a um rei vitorioso, com “humilde, montado em jumento” postura de serviço. A contradição é precisamente o ponto: a vitória desse Rei viria por humildade, não apesar dela.
13. As trinta moedas de prata: Zacarias 11.12-13
A profecia mais perturbadoramente precisa do livro
Zacarias 11 narra uma parábola profética na qual Zacarias pastoreia as ovelhas de matadouro, representando a relação de Israel com seus pastores corruptos. Ao fim do serviço, Zacarias pede seu salário. A resposta:
“E pesaram, por meu salário, trinta moedas de prata.” — Zacarias 11.12 (ACF)
Deus respondeu com uma das mais sarcásticas declarações das Escrituras:
“E o Senhor disse: Arroja-o ao oleiro, esse belo preço que avaliaram no meu valor! E tomei as trinta moedas de prata, e as arrojei ao oleiro, na casa do Senhor.” — Zacarias 11.13 (ACF)
O sarcasmo era cruel: trinta moedas de prata era o preço legal de um escravo morto por um boi (Êxodo 21.32) a compensação mínima pelo ser humano de menor valor na lei mosaica. Avaliar o valor do pastor de Deus nessa quantia era insulto calculado.
Mas a profecia foi cumprida com precisão que assombrava: Mateus 26.15 registra que Judas negociou a traição de Jesus por trinta moedas de prata. E quando Judas as devolveu ao Templo, os sacerdotes as usaram para comprar o campo do oleiro, exatamente como Zacarias havia narrado.
Mateus 27.9-10 cita essa profecia, mas atribui a “Jeremias” em vez de Zacarias. A solução mais aceita pelos exegetas: a coleção dos Profetas na Bíblia hebraica começava com Jeremias, e era comum referir-se a toda a seção como “o livro de Jeremias” assim como os evangelistas às vezes citam os Salmos como “o livro de Moisés.”
14. “A quem traspassaram”: Zacarias 12.10
O versículo mais misterioso e mais profundo
“E sobre a casa de Davi, e sobre os moradores de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e prantearão por ele, como se pranto por filho unigênito; e chorarão por ele amargamente, como se chora amargamente pelo primogênito.” — Zacarias 12.10 (ACF)
Este versículo é único no AT por várias razões:
- A tensão pronominal: O texto hebraico diz literalmente “olharão para mim, a quem traspassaram” — Deus falando em primeira pessoa sobre Sua própria perfuração. A fusão de “mim” (YHWH) e o que foi traspassado (um humano) é teologicamente extraordinária antecipando a cristologia da Encarnação.
- João 19.37: Quando Jesus morreu e um soldado lhe perfurou o lado com uma lança, o apóstolo João citou Zacarias 12.10 explicitamente: “E outra Escritura diz: Olharão para aquele que traspassaram.”
- Apocalipse 1.7: “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os que o traspassaram.” — A profecia de Zacarias 12.10 é recontextualizada para a parousia de Cristo.
O luto descrito no versículo, pranto como por “filho unigênito”, como por “primogênito” — é Israel reconhecendo o que havia feito ao traspassar aquele a quem olhava. O reconhecimento causa dor proporcional ao que foi traspassado.
15. “Fere o pastor, e as ovelhas se dispersarão”: Zacarias 13.7
A profecia que Jesus citou no Getsêmani
“Ó espada, desperta contra o meu pastor, e contra o homem que é meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos; fere o pastor, e as ovelhas se dispersarão; e voltarei a minha mão contra os pequeninos.” — Zacarias 13.7 (ACF)
Mateus 26.31 registra que Jesus citou esse versículo na noite do Getsêmani, antes de ser preso: “Todos vós vos escandalizareis em mim esta noite, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão.”
Jesus identificou-Se explicitamente com o pastor de Zacarias 13.7, e identificou os discípulos que estavam prestes a fugir com as ovelhas dispersas. A profecia de Zacarias havia descrito a cena da traição de Judas, a fuga dos discípulos e o abandono de Jesus com uma precisão que Jesus Mesmo reconheceu como referência ao evento que estava prestes a acontecer.
16. O Dia do Senhor e a batalha final: Zacarias 14
A visão escatológica mais dramática do livro
O capítulo final de Zacarias é simultaneamente o mais desconcertante e o mais debatido do livro. Descreve:
- Uma batalha final em que todas as nações se voltam contra Jerusalém
- A divisão do Monte das Oliveiras ao meio quando “os pés do Senhor” pousarem sobre ele
- Agua viva saindo de Jerusalém em direção ao mar oriental e ocidental
- YHWH como Rei sobre toda a terra
- Os sobreviventes das nações subindo anualmente a Jerusalém para a Festa dos Tabernáculos
A divisão interpretativa sobre o capítulo 14 é ampla:
- Cumprimento histórico: Alguns identificam os eventos com a conquista romana de Jerusalém em 70 d.C.
- Cumprimento escatológico literal: O capítulo descreve eventos literais do período da grande tribulação e do milênio, posição dispensacionalista amplamente adotada na história da Grande Tradição Cristã e já debatida neste artigo.
- Cumprimento tipológico/escatológico: Os eventos são linguagem simbólica apocalíptica que descreve a vitória final de Deus sobre toda oposição, cumprida progressivamente na era da Igreja e definitivamente na parousia de Cristo.
O versículo final do capítulo “E naquele dia não haverá mais mercador na casa do Senhor dos Exércitos” (Zacarias 14.21, ACF) ecoa no NT quando Jesus expulsou os vendilhões do Templo (Mateus 21.12-13) — identificando-Se com o cumprimento das promessas de santidade do Templo que Zacarias havia antecipado.
Leia mais: Escatologia Bíblica: Análise Exegética e Teológica
17. Zacarias e Jesus Cristo: o profeta mais citado no NT
O Livro de Zacarias é citado ou aludido no Novo Testamento mais de 40 vezes, mais do que qualquer outro dos Profetas Menores. As correspondências são tão específicas que muitos estudiosos chamam Zacarias de “o profeta messiânico por excelência.”
| Profecia de Zacarias | Cumprimento no NT |
|---|---|
| Zc 9.9 — Rei humilde no jumento | Mt 21.4-5; Jo 12.14-15 — entrada triunfal |
| Zc 11.12-13 — trinta moedas de prata, campo do oleiro | Mt 26.15; 27.3-10 — traição de Judas |
| Zc 12.10 — “a quem traspassaram” | Jo 19.37; Ap 1.7 — lança no lado de Jesus |
| Zc 13.7 — “fere o pastor, ovelhas dispersam” | Mt 26.31; Mc 14.27 — fuga dos discípulos no Getsêmani |
| Zc 3.8; 6.12 — o Renovo (Rei-Sacerdote) | Hb 7 — Jesus sacerdote da ordem de Melquisedeque |
| Zc 4.6 — “pelo meu Espírito” | At 1.8; Jo 16.13 — a obra do Espírito Santo |
| Zc 8.23 — nações buscando o povo de Deus | At 15.17; Rm 15.9-12 — missão aos gentios |
| Zc 14.8 — água viva de Jerusalém | Jo 7.38; Ap 22.1 — o rio da vida |
18. Linha do tempo de Zacarias
| Período | Evento | Referência |
|---|---|---|
| c. 538 a.C. | Decreto de Ciro; primeiro retorno com Zorobabel e Josué | Ed 1 |
| c. 536 a.C. | Fundamentos do Segundo Templo lançados; obra paralisada por oposição | Ed 3–4 |
| 520 a.C. (agosto) | Ageu começa a profetizar: “Por que habitais em casas apaineladas?” | Ag 1.1 |
| 520 a.C. (outubro/novembro) | Zacarias começa a profetizar: chamado ao arrependimento | Zc 1.1 |
| 519 a.C. (fevereiro) | As oito visões noturnas numa única noite | Zc 1.7 |
| 518 a.C. (dezembro) | Pergunta sobre o jejum; dez promessas de restauração | Zc 7.1–8 |
| 516 a.C. | Conclusão do Segundo Templo | Ed 6.15 |
| c. 480 a.C. | Possível período das profecias dos capítulos 9–14 (se autoria única) | Zc 9–14 |
19. Lições da vida de Zacarias para o cristão de hoje
- A visão mais poderosa para a desobediência presente é o horizonte eterno do plano de Deus. Ageu motivou com o presente imediato; Zacarias motivou com o futuro cósmico. Quando a tarefa imediata parece pequena ou sem sentido, a visão de que ela se conecta ao plano eterno de Deus, que culmina no Messias e na nova criação, transforma o significado de cada tijolo colocado.
- “Não por força, nem por poder, mas pelo meu Espírito.” Zorobabel estava reconstruindo com recursos mínimos. Zacarias 4.6 não era consolo barato, era diagnóstico teológico: a dependência do Espírito não é estratégia de último recurso quando os recursos humanos acabam; é a única estratégia que produz resultado eterno.
- O Rei que vem humilde é mais poderoso do que o que vem em cavalos de guerra. Zacarias 9.9 era paradoxo provocativo para uma geração que esperava um Messias conquistador. A humildade como método de vitória é contraintuitivo para todos, e é exatamente o que a Cruz demonstrou definitivamente.
- Quando Deus avalia algo em trinta moedas de prata, o sarcasmo é duplo. O “belo preço” de Zacarias 11.13 era ironia devastadora. Quando a comunidade avalia os servos de Deus pelo que podem extrair deles, está repetindo o gesto dos sacerdotes que pagaram Judas. O valor de um servo de Deus não é calculado pelas mesmas réguas do mercado.
- “Olharão para mim, a quem traspassaram.” O luto de Zacarias 12.10 é o luto que precede a reconciliação. Ver o custo real do que fizemos, chorar por isso com a profundidade de quem perdeu o primogênito, e então olhar para Aquele que foi traspassado como fonte de perdão em vez de fonte de condenação. Esse é o movimento da graça.
- O Espírito de graça e de súplicas é derramado, não obtido. Zacarias 12.10 começa: “Derramarei o Espírito de graça e de súplicas.” O arrependimento genuíno que leva ao luto é dom do Espírito, não conquista humana. Ninguém chora suficientemente pelo que Cristo sofreu por força de vontade própria, é o Espírito que abre os olhos.
20. Versículos importantes de Zacarias
“Convertei-vos a mim, diz o Senhor dos Exércitos, e eu me converterei a vós.” — Zacarias 1.3 (ACF) — O princípio pactual mais simples: a iniciativa é de Deus, a resposta é do povo.
“Não por exército nem por força, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.” — Zacarias 4.6 (ACF) — O versículo central do livro: o método de Deus para a obra do Reino.
“Alegra-te muito, ó filha de Sião… eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento.” — Zacarias 9.9 (ACF) — A profecia da entrada triunfal: cumprida em Mateus 21.
“E pesaram, por meu salário, trinta moedas de prata.” — Zacarias 11.12 (ACF) — O preço da traição, 520 anos antes.
“E olharão para mim, a quem traspassaram; e prantearão por ele como se pranto por filho unigênito.” — Zacarias 12.10 (ACF) — A profecia da lança no lado de Jesus; citada em João 19.37 e Apocalipse 1.7.
“Ó espada, desperta contra o meu pastor… fere o pastor, e as ovelhas se dispersarão.” — Zacarias 13.7 (ACF) — A profecia que Jesus citou no Getsêmani (Mateus 26.31).
21. Perguntas frequentes sobre Zacarias
Quem foi Zacarias na Bíblia?
Zacarias, filho de Baraquias e neto de Ido, foi sacerdote e profeta que ministrou em Jerusalém durante a reconstrução do Segundo Templo, contemporâneo de Ageu e dos líderes Zorobabel e Josué (c. 520–480 a.C.). Seu livro é o mais extenso dos Profetas Menores e o mais rico em profecias messiânicas com mais de 40 referências no Novo Testamento. Recebeu oito visões noturnas numa única noite, profetizou a entrada triunfal do Messias no jumento (Zacarias 9.9), as trinta moedas de prata da traição de Judas (Zacarias 11.12-13), e o traspassamento do Messias (Zacarias 12.10).
O que são as oito visões noturnas de Zacarias?
As oito visões foram recebidas por Zacarias numa única noite (fevereiro de 519 a.C.) e formam o coração teológico dos capítulos 1–6. Elas cobrem progressivamente: cavalos patrulhando a terra (Deus está atento), quatro chifres e ferreiros (as nações opressoras serão destruídas), o homem que mede Jerusalém (a cidade prosperará sem muros), Josué purificado (justificação pelo Messias), o candelabro e as oliveiras (“não por força, mas pelo meu Espírito”), o rolo voante (julgamento do pecado), a mulher no efa (remoção da iniquidade), e os quatro carros (os julgamentos executados sobre a terra).
O que Zacarias 9.9 profetizou sobre Jesus?
Zacarias 9.9 profetizou a vinda do Rei messiânico “humilde, montado em jumento” — cumprida quando Jesus entrou em Jerusalém num jumentinho no Domingo de Ramos (Mateus 21.4-5; João 12.14-15). Os quatro atributos do Rei justo, salvador, humilde, no jumento comunicavam que esse Messias não viria como conquistador militar (que montaria cavalo de guerra), mas como Rei de paz e salvação. A ironia do cumprimento é que a multidão esperava um libertador militar e Jesus chegou num animal de carga.
O que são as trinta moedas de prata de Zacarias 11?
Zacarias 11.12-13 narra que o pastor profético recebeu seu salário em trinta moedas de prata, o preço de um escravo morto (Êxodo 21.32) e que Deus chamou sarcasticamente de “belo preço.” A profecia foi cumprida com precisão quando Judas negociou a traição de Jesus por exatamente trinta moedas de prata (Mateus 26.15), e quando esse dinheiro foi usado para comprar o campo do oleiro (Mateus 27.9-10). Mateus cita a profecia como cumprida, atribuindo-a a “Jeremias” o que os estudiosos explicam como referência ao livro dos Profetas, que começava com Jeremias.
O que significa Zacarias 12.10 — “a quem traspassaram”?
Zacarias 12.10 promete que Deus derramará o Espírito de graça sobre Jerusalém, e então o povo “olhará para mim, a quem traspassaram” linguagem que funde a primeira pessoa divina (YHWH falando) com uma figura humana que será perfurada. O NT aplica diretamente esse versículo à morte de Jesus: João 19.37 registra que quando o soldado perfurou o lado de Jesus com a lança, o evangelista citou Zacarias 12.10 como cumprimento. Apocalipse 1.7 usa o versículo para descrever a parousia, quando “todo olho o verá, até os que o traspassaram.”
22. Conclusão
Zacarias profetizou para pessoas que tinham dificuldade de ver além do presente, uma cidade em ruínas, um templo inacabado, uma comunidade desanimada. E Deus lhe deu oito visões numa única noite para mostrar que o presente era apenas o prólogo de um plano cósmico que culminaria num Rei que viria humilde num jumento, seria vendido por trinta moedas, seria traspassado, e olhado com o luto do amor que finalmente entende o que perdeu.
O Espírito de graça e de súplicas seria derramado. E quando aqueles que traspassaram olhassem para Aquele que foi traspassado, o choro seria tão profundo quanto o amor que havia sido rejeitado.
Zacarias nunca viu esse dia. Mas deixou o mapa com precisão milimétrica.
E quando Mateus registrou a entrada triunfal num jumentinho e João registrou a lança no lado e Marcos registrou a fuga dos discípulos no jardim, cada um deles abriu o mapa de Zacarias e disse: “Eis o cumprimento.”
“E olharão para mim, a quem traspassaram; e prantearão por ele como se pranto por filho unigênito.” — Zacarias 12.10 (ACF)
Sobre o Autor
Saiba mais sobre o autor e seu método →
Referências e Indicação de Leitura
Fontes primárias
SOUZA, Fabiano Queiroz. JEREMIAS: A Bíblia de Sermões do Pregador – Esboços de Pregação Expositiva e Estudos Bíblicos. Curitiba: OPulpito, 2025.
SOUZA, Fabiano Queiroz. EZEQUIEL: A Bíblia de Sermões do Pregador – Esboços de Pregação Expositiva e Estudos Bíblicos. Curitiba: OPulpito, 2025.
SOUZA, Fabiano Queiroz. ZACARIAS: A Bíblia de Sermões do Pregador – Esboços de Pregação Expositiva e Estudos Bíblicos. Curitiba: OPulpito, 2025.
Conheça mais: Este artigo teológico foi desenvolvido com base no conteúdo da Coleção Esboços Bíblicos Completos para Pregação Expositiva, uma biblioteca expositiva desenvolvida para auxiliar a Igreja na proclamação fiel do Evangelho.
Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida, Edição Corrigida e Revisada Fiel (ACF). Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
Bíblia de Jerusalém. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.
Bíblia Hebraica Stuttgartensia (BHS). Edited by Karl Elliger and Wilhelm Rudolph. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1997.
Comentários exegéticos de Zacarias
BALDWIN, Joyce G. Haggai, Zechariah, Malachi. Tyndale Old Testament Commentaries. Downers Grove: InterVarsity Press, 1972. (O comentário conservador mais acessível e teologicamente equilibrado sobre Zacarias.)
McCOMISKEY, Thomas Edward (ed.). The Minor Prophets: An Exegetical and Expository Commentary. 3 vols. Grand Rapids: Baker Academic, 1992–1998. (Análise rigorosa de Zacarias; defesa da unidade do livro.)
KLEIN, George L. Zechariah. The New American Commentary, v. 21B. Nashville: B&H Publishing, 2008.
SMITH, Ralph L. Micah–Malachi. Word Biblical Commentary, v. 32. Waco: Word Books, 1984.
MEYERS, Carol L.; MEYERS, Eric M. Haggai, Zechariah 1–8. The Anchor Bible, v. 25B. Garden City: Doubleday, 1987.
Profecias messiânicas
KAISER JR., Walter C. The Messiah in the Old Testament. Grand Rapids: Zondervan, 1995. (Capítulo sobre Zacarias como o profeta messiânico mais detalhado.)
CLOWNEY, Edmund P. The Unfolding Mystery: Discovering Christ in the Old Testament. Phillipsburg: P&R Publishing, 2013.
Contexto histórico pós-exílico
WILLIAMSON, H. G. M. Ezra, Nehemiah. Word Biblical Commentary, v. 16. Waco: Word Books, 1985.
KITCHEN, Kenneth A. On the Reliability of the Old Testament. Grand Rapids: Eerdmans, 2003.
PROVAN, Iain; LONG, V. Philips; LONGMAN III, Tremper. A Biblical History of Israel. Louisville: Westminster John Knox Press, 2003.
Dicionários e obras de referência
FREEDMAN, David Noel (ed.). Anchor Bible Dictionary. 6 vols. New York: Doubleday, 1992. (Artigos: “Zechariah, Book of”, “Zechariah the Prophet”, “Branch/Shoot”, “Thirty Pieces of Silver”.)
BROWN, Francis; DRIVER, S. R.; BRIGGS, Charles A. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB). Oxford: Clarendon Press, 1907. (Verbetes: Zekharyahu, tsemach, ani, nosha’, daqar.)
DOUGLAS, J. D. et al. (eds.). Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 2006.
| Conheça os Melhores Livros para Formação e Desenvolvimento do Pregador |
SALVE I COMPARTILHE I SEMEIE
