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Geografia Bíblica para Pregadores do Evangelho

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Geografia Bíblica para Pregadores: A Geografia como Palco da Revelação

Descrição

Geografia Bíblica para Pregadores – A Geografia como Palco da Revelação

Como o cenário da Bíblia transforma a interpretação das Escrituras e fortalece a pregação expositiva?

Nenhuma narrativa bíblica acontece por acaso.

  • Cada montanha.
  • Cada deserto.
  • Cada rio.
  • Cada cidade.

Cada caminho percorrido pelos personagens das Escrituras faz parte do modo como Deus revelou Sua vontade ao longo da história da redenção.

Entretanto, muitos pregadores leem o texto bíblico sem perceber que a geografia também comunica teologia.

Jerusalém não é apenas uma cidade.

O deserto não é apenas um lugar de passagem.

O mar da Galileia, o monte Sinai, Belém, Jericó, o Jordão, o Carmelo e o Gólgota não são simples referências geográficas.

São cenários escolhidos por Deus para revelar Seu caráter, Seus propósitos e Seu plano redentor.

Todo pregador conhece esse desafio.

  • Como compreender o significado teológico dos lugares mencionados nas Escrituras?
  • Como perceber a influência da geografia na interpretação de uma passagem?
  • Como transformar informações históricas e geográficas em elementos que fortaleçam a exposição bíblica?
  • Como demonstrar que o cenário da narrativa participa da própria mensagem do texto?

Responder a essas perguntas exige muito mais do que consultar mapas.

Exige compreender como Deus utilizou a geografia para conduzir a história da redenção.

Foi exatamente para responder a essa necessidade que nasceu Geografia Bíblica para Pregadores.

Mais do que um atlas ou um manual de localização, esta obra foi desenvolvida para ajudar pastores, pregadores, professores e estudantes de Teologia a interpretar as Escrituras levando em consideração o cenário onde Deus escolheu agir.


Muito além de mapas e localizações

Esta obra apresenta a geografia bíblica como uma ferramenta indispensável para a interpretação das Escrituras.

Ao longo do livro, você descobrirá como cidades, regiões, desertos, montanhas, vales, rios, fronteiras e rotas comerciais ajudam a explicar acontecimentos, discursos, profecias e narrativas que frequentemente passam despercebidos em uma leitura superficial.

O objetivo não é memorizar lugares.

É compreender por que esses lugares são importantes para a mensagem bíblica.


Uma leitura contextual da história da redenção

Todo o conteúdo foi desenvolvido a partir do método histórico-gramatical, integrando cuidadosamente:

✔ Geografia Bíblica.

✔ Contexto histórico.

✔ Contexto cultural.

✔ Arqueologia.

✔ Exegese.

✔ Teologia Bíblica.

✔ Teologia Sistemática.

✔ Leitura cristocêntrica das Escrituras.

✔ Aplicação pastoral.

O propósito é capacitar o leitor a interpretar os textos bíblicos considerando o cenário geográfico como parte integrante da revelação divina.


O que você aprenderá

Ao longo desta obra, você desenvolverá ferramentas para:

✔ Compreender o significado teológico dos lugares mencionados na Bíblia.

✔ Interpretar narrativas dentro de seu contexto geográfico.

✔ Relacionar geografia, história e arqueologia.

✔ Entender a influência do relevo, do clima e das rotas antigas sobre os acontecimentos bíblicos.

✔ Enriquecer sermões e estudos bíblicos com informações contextuais relevantes.

✔ Construir aplicações que respeitem o sentido original do texto.

✔ Ler as Escrituras de forma mais completa e integrada.


Desenvolvido para quem deseja interpretar a Bíblia com maior profundidade

Esta obra foi preparada especialmente para:

• Pastores.

• Pregadores.

• Evangelistas.

• Missionários.

• Professores de Escola Bíblica Dominical.

• Seminaristas.

• Estudantes de Teologia.

• Líderes cristãos.

• Todos aqueles que desejam compreender como o cenário da revelação contribui para a interpretação fiel das Escrituras.


Cristo no centro da geografia da redenção

Na Bíblia, os lugares nunca são simples referências espaciais.

Eles participam da história da salvação.

Do jardim do Éden ao monte Sião, do Sinai ao Gólgota, do Jordão à Nova Jerusalém, a geografia acompanha o desenvolvimento do plano redentor de Deus.

Esta obra demonstra como os espaços da narrativa bíblica encontram sua unidade na pessoa e na obra de Jesus Cristo, revelando que toda a criação se torna palco da manifestação da graça divina.


Uma ferramenta permanente para interpretar melhor as Escrituras

Geografia Bíblica para Pregadores integra a coleção Esboços Bíblicos Completos para Pregação Expositiva, oferecendo um recurso permanente para todos aqueles que desejam preparar sermões, estudos bíblicos e aulas com maior precisão histórica, contextual e teológica.

Mais do que ensinar onde os acontecimentos bíblicos ocorreram, esta obra mostra por que esses lugares são fundamentais para compreender a mensagem das Escrituras e anunciar, com fidelidade, o Evangelho de Jesus Cristo.

Porque Deus não revelou Sua Palavra em um cenário imaginário.

Ele agiu na história, em lugares reais, e transformou essa geografia em parte da própria narrativa da redenção.


FAQ: Perguntas Frequentes sobre Geografia Bíblica

O que é geografia bíblica?

O estudo do cenário físico em que os eventos bíblicos ocorreram: relevo, clima, rotas, cidades, fronteiras e recursos. Não é disciplina auxiliar decorativa, porque boa parte das narrativas só faz sentido quando se sabe onde e em que condições ocorreram.

Por que a geografia importa para interpretar a Bíblia?

Porque explica escolhas, conflitos e imagens do texto. Saber que a estrada de Jerusalém a Jericó desce mais de mil metros em cerca de vinte e sete quilômetros por terreno acidentado muda a leitura da parábola do bom samaritano. Saber que a Galileia é cercada por montes que canalizam vento explica as tempestades súbitas nos Evangelhos.

A geografia tem valor teológico?

Tem, e considerável. A fé bíblica não se passa em lugar nenhum: Deus escolheu uma terra específica, prometeu-a a um povo específico e enviou o Filho para nascer numa aldeia identificável. Na tradição reformada, isso reforça o caráter histórico da revelação, que não é mito atemporal e sim ação de Deus em lugares que se pode visitar.


Que nomes a terra bíblica recebeu?

Canaã, no período patriarcal e da conquista; Israel, após a monarquia; Judá e depois Judeia, para a porção sul; Palestina, nome derivado dos filisteus e generalizado pelos romanos após as revoltas judaicas; e Terra Santa, designação de origem cristã medieval. Cada nome carrega um momento histórico distinto.

Onde fica o Crescente Fértil?

É o arco de terras cultiváveis que vai do golfo Pérsico, sobe pela Mesopotâmia, curva-se pela Síria e desce pelo Levante até o Egito. Contorna o deserto árabe, e praticamente toda a história do Antigo Testamento se passa ao longo desse arco.

Por que a posição da terra de Israel era estratégica?

Porque funcionava como ponte terrestre entre os grandes impérios. Todo exército que se deslocasse entre Egito e Mesopotâmia passava por ali, e todo comércio entre os dois também. Isso explica por que um território pequeno foi disputado tantas vezes por potências que não tinham interesse específico nele.

Qual é o tamanho da terra prometida?

Bem menor do que se costuma imaginar. A extensão clássica, de Dã a Berseba, corresponde a cerca de duzentos e quarenta quilômetros de norte a sul, e a largura varia entre cerca de quarenta e cento e cinquenta quilômetros. É comparável a estados brasileiros de porte médio.

O que significa “de Dã a Berseba”?

A expressão idiomática para “todo o território de Israel”, usando as cidades que marcavam os extremos norte e sul do assentamento. Aparece várias vezes nos livros históricos.


Como o território é dividido geograficamente?

Em cinco faixas paralelas no sentido norte-sul. A planície costeira, junto ao Mediterrâneo; a Sefelá, faixa de colinas baixas; a região montanhosa central; o vale do Jordão, parte da grande fenda tectônica; e o planalto da Transjordânia, a leste.

O que é a Sefelá?

A faixa de colinas entre a planície costeira e a região montanhosa, com vales que funcionavam como corredores de acesso ao interior. Foi zona de conflito permanente entre israelitas e filisteus, e é ali que se situa o vale de Elá, cenário do combate entre Davi e Golias.

Por que Israel não dominava a costa?

Porque a planície costeira era controlada pelos filisteus ao sul e pelos fenícios ao norte, e não havia portos naturais bons no trecho israelita. Israel foi historicamente um povo de montanha e não de mar, o que explica a escassez de imagens marítimas positivas na Escritura e a estranheza de Jonas ao embarcar.

O que é a fenda do Jordão?

Parte do grande sistema de fenda que vai da Síria até a África oriental. É por isso que o vale do Jordão e o mar Morto estão abaixo do nível do mar, situação geológica incomum e determinante para o clima da região.


Como é o rio Jordão?

Nasce nas encostas do monte Hermom, atravessa o mar da Galileia e desemboca no mar Morto. Em linha reta são cerca de cento e vinte quilômetros, mas o curso sinuoso ultrapassa trezentos. Não é navegável, é relativamente estreito e raso na maior parte, e sua importância é simbólica e de fronteira, não comercial.

Por que atravessar o Jordão era significativo?

Porque marcava a entrada na terra prometida. Israel o atravessou com Josué, Elias e Eliseu o dividiram, Naamã mergulhou nele sete vezes, e João batizava ali. A travessia funciona no imaginário bíblico como passagem de uma condição a outra.

O mar da Galileia é um mar?

É um lago de água doce, com cerca de vinte e um quilômetros de comprimento e treze de largura, situado a cerca de duzentos metros abaixo do nível do mar. Recebe vários nomes na Bíblia: mar de Quinerete, lago de Genesaré e mar de Tiberíades.

Por que há tempestades súbitas na Galileia?

Porque o lago fica numa depressão cercada de montes, com desfiladeiros que canalizam vento frio vindo do Hermom e do planalto. O ar frio desce sobre a água mais quente e gera turbulência em minutos. Os episódios evangélicos de tempestade repentina correspondem a fenômeno documentado até hoje.

Por que o mar Morto é tão salgado?

Porque recebe água do Jordão e não tem saída, perdendo volume apenas por evaporação intensa, o que concentra sais e minerais. A salinidade fica em torno de trinta por cento, cerca de nove vezes a do oceano, e por isso não sustenta vida aquática, o que originou o nome.

O mar Morto é o ponto mais baixo da Terra?

O ponto mais baixo de terra firme exposta, sim, com a superfície a cerca de quatrocentos e trinta metros abaixo do nível do mar, e ainda descendo. Ezequiel 47 e Zacarias 14 usam justamente esse lugar sem vida na imagem da água que sai do santuário e o cura.


Qual a importância do monte Hermom?

É o ponto mais alto da região, com cerca de dois mil e oitocentos metros, coberto de neve boa parte do ano. Sua neve derretida alimenta o Jordão, e o Salmo 133 compara a comunhão fraterna ao orvalho do Hermom. Muitos identificam suas encostas como cenário provável da transfiguração, dada a proximidade de Cesareia de Filipe.

O que aconteceu no monte Carmelo?

É a cadeia que avança sobre o Mediterrâneo perto da atual Haifa, e foi ali que Elias confrontou os profetas de Baal. A escolha do local não foi casual: o Carmelo era região fértil associada a cultos de fertilidade, e a disputa envolvia justamente quem envia a chuva.

O que é o monte Sião?

Originalmente a fortaleza jebuseia tomada por Davi, o nome se estendeu depois ao monte do Templo e, por fim, a Jerusalém inteira e ao povo de Deus como imagem poética. Hebreus 12 e Apocalipse 14 o usam em sentido escatológico.

Onde fica o monte das Oliveiras?

A leste de Jerusalém, separado da cidade pelo vale do Cedrom, com cerca de oitocentos metros de altitude, um pouco acima do monte do Templo. Dali se vê a cidade inteira, o que explica a cena de Jesus chorando sobre Jerusalém. É também o local do Getsêmani, do discurso escatológico e da ascensão.

O que foi o monte Gilboa?

A elevação onde Saul e Jônatas morreram na batalha contra os filisteus. O lamento de Davi em 2 Samuel 1 pronuncia uma maldição poética sobre seus montes, pedindo que não caia sobre eles orvalho nem chuva.


Por que Jerusalém foi escolhida como capital?

Por posição e por política. Era uma fortaleza jebuseia bem defendida, situada na fronteira entre Judá e as tribos do norte, o que a tornava neutra e evitava favorecer qualquer lado depois da unificação sob Davi.

Quais vales cercam Jerusalém?

Três. O Cedrom, a leste, separando a cidade do monte das Oliveiras; o Hinom, ao sul e oeste; e o Tiropeon, hoje largamente aterrado, que dividia a cidade internamente. A configuração torna a cidade defensável por três lados.

O que é a Geena?

O vale de Hinom, ao sul de Jerusalém, associado no Antigo Testamento a sacrifício de crianças a Moloque. O nome grego derivado dele, Geena, tornou-se no Novo Testamento a designação usual do lugar de juízo final, e é traduzido por inferno na maioria das versões.

Por que a Bíblia sempre diz “subir” a Jerusalém?

Porque é literalmente uma subida. A cidade está a cerca de setecentos e cinquenta metros de altitude, e qualquer aproximação implica ascensão, inclusive vindo da Galileia ou da costa. Daí os Salmos de romagem, cantados por peregrinos que subiam para as festas.

Por que se “desce” para Jericó?

Porque Jericó fica a cerca de duzentos e cinquenta metros abaixo do nível do mar, o que representa uma queda de aproximadamente mil metros em pouco mais de vinte e cinco quilômetros. O trajeto atravessa deserto acidentado e era conhecido pelo risco de assaltos, dado essencial para a parábola do bom samaritano.

Onde ficava o Templo?

No monte Moriá, identificado em 2 Crônicas 3,1 com a eira de Araúna, comprada por Davi. A plataforma construída por Herodes ainda existe, e o Muro das Lamentações é parte da muralha de contenção ocidental dessa plataforma, não do Templo em si.


Quais eram as três regiões principais no tempo de Jesus?

Judeia ao sul, com Jerusalém; Samaria ao centro; e Galileia ao norte. Havia ainda a Pereia, a leste do Jordão, e regiões vizinhas como a Decápolis, a Idumeia e a Ituréia.

Por que os judeus evitavam a Samaria?

Por hostilidade histórica e religiosa. Após a queda do reino do Norte em 722 a.C., os assírios repovoaram a região com populações estrangeiras que adotaram culto misto, e os samaritanos posteriores mantinham templo próprio no monte Gerizim e aceitavam apenas o Pentateuco. Muitos peregrinos galileus faziam desvio pela Pereia para não atravessar o território.

O que era a Decápolis?

Uma liga de cidades de cultura grega, majoritariamente a leste do Jordão, com autonomia relativa sob domínio romano. Era território predominantemente gentio, e é onde ocorre o episódio do endemoninhado gadareno e a subsequente pregação daquele homem.

O que é o Neguebe?

A região semiárida ao sul de Judá, cujo nome significa “seco” em hebraico. Foi área de pastoreio patriarcal, e Abraão e Isaque circularam por ali. Berseba é sua principal cidade bíblica.

O que era o deserto da Judeia?

A faixa árida entre a região montanhosa central e o mar Morto, resultado do efeito de sombra de chuva: as nuvens vindas do Mediterrâneo descarregam nas montanhas e chegam secas ao lado oriental. É onde Davi se refugiou de Saul, onde João Batista pregava e onde Jesus foi tentado.


Como é o clima da região?

Mediterrâneo, com duas estações bem definidas: um período chuvoso de outubro a abril e um período seco de maio a setembro, praticamente sem chuva. A quantidade de precipitação varia enormemente em poucos quilômetros, entre a costa e o deserto.

O que são as chuvas temporã e serôdia?

A chuva temporã cai no outono e amolece o solo para o plantio; a serôdia cai na primavera e enche os grãos antes da colheita. Ambas são mencionadas na Escritura como bênção condicionada à fidelidade, e sua falha significava fome.

Por que a chuva tem tanto peso teológico no Antigo Testamento?

Porque Deuteronômio 11 estabelece um contraste explícito com o Egito, onde a agricultura dependia da irrigação do Nilo e do trabalho humano. A terra prometida bebe água da chuva do céu, ou seja, depende diretamente de Deus a cada ano. A dependência era geográfica antes de ser doutrinária, e explica por que a disputa com Baal, deus da tempestade, foi tão intensa.

Quais eram os principais produtos agrícolas?

As sete espécies mencionadas em Deuteronômio 8: trigo, cevada, videira, figueira, romãzeira, oliveira e mel, este último provavelmente de tâmaras. Trigo, azeite e vinho formam a tríade que a Escritura repete como sinal de prosperidade.

Por que a oliveira aparece tanto na Bíblia?

Porque prospera em solo pedregoso e clima seco, vive séculos e fornece alimento, combustível para lâmpadas, base para unção e madeira. Sua resistência e longevidade a tornaram imagem natural de permanência, e Paulo a usa em Romanos 11 para descrever a incorporação dos gentios.


Quais eram as principais rotas comerciais?

Duas. A Via Maris, ou caminho do mar, seguindo a costa e cruzando para o norte pela planície de Megido; e a Estrada Real, no planalto da Transjordânia, mencionada em Números 20 quando Israel pede passagem a Edom.

Por que Megido era tão importante?

Porque controlava a passagem estreita por onde a Via Maris atravessava a cadeia do Carmelo. Quem dominasse Megido controlava o tráfego entre Egito e Mesopotâmia, e por isso a planície de Jezreel ao lado dela foi palco de batalhas por milênios. O nome Armagedom, em Apocalipse 16, deriva provavelmente desse lugar.

Qual é a cidade mais antiga mencionada na Bíblia?

Jericó é frequentemente apontada como uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo, com camadas de ocupação que remontam a milhares de anos antes de Abraão. Sua posição junto a uma fonte abundante, num oásis do vale do Jordão, explica a permanência.

Por que Belém é importante?

Por ser cidade de Jessé e Davi, e por isso local anunciado por Miqueias 5,2 para o nascimento do Messias. Fica a cerca de nove quilômetros ao sul de Jerusalém, e seu nome significa “casa do pão”.

Como era Nazaré?

Uma aldeia pequena e sem importância na Galileia, provavelmente com algumas centenas de habitantes, não mencionada no Antigo Testamento nem em fontes judaicas da época. A pergunta de Natanael sobre poder sair algo bom de Nazaré reflete essa insignificância real.

Por que Cafarnaum aparece tanto nos Evangelhos?

Porque Jesus a adotou como base do ministério galileu. Ficava à margem norte do lago, em rota comercial, com posto de coleta de impostos, o que explica a presença de Mateus, e comunidade pesqueira, o que explica Pedro, André, Tiago e João. Ruínas de uma sinagoga e de uma casa tradicionalmente associada a Pedro foram escavadas ali.

O que era Cesareia de Filipe?

Cidade ao norte, junto a uma das nascentes do Jordão, associada a cultos pagãos, incluindo um santuário ao deus Pã junto a uma gruta. Foi ali que Pedro fez sua confissão e que Jesus falou das portas do inferno, e o cenário provavelmente reforçava a imagem.


Onde ficava a Babilônia?

No sul da Mesopotâmia, junto ao Eufrates, no atual Iraque, cerca de oitenta quilômetros ao sul de Bagdá. Foi capital do império neobabilônico de Nabucodonosor, e é para lá que Judá foi deportada.

Onde ficava Nínive?

Junto ao rio Tigre, na atual Mossul, norte do Iraque. Foi a capital assíria destruída em 612 a.C., conforme anunciado por Naum, e suas ruínas foram escavadas no século XIX, revelando a biblioteca de Assurbanípal.

Onde ficava Susã?

Capital administrativa do império persa, no atual sudoeste do Irã. É o cenário do livro de Ester e do capítulo 8 de Daniel, e também onde Neemias servia como copeiro.

Onde ficava Antioquia?

Na Síria, junto ao rio Orontes, hoje território turco. Era a terceira maior cidade do império romano e tornou-se a base da missão aos gentios, e foi ali que os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez.

Onde ficavam as cidades das cartas de Paulo?

Éfeso, Colossos e as igrejas do Apocalipse ficavam na Ásia Menor, atual Turquia. Filipos e Tessalônica ficavam na Macedônia, norte da Grécia; Corinto e Atenas, na Acaia, ao sul. Roma era o destino final do arco narrado em Atos.


Onde ficava o Jardim do Éden?

O texto o situa por quatro rios, dois dos quais são o Tigre e o Eufrates, o que aponta para a região da Mesopotâmia. Os outros dois, Pisom e Giom, não são identificáveis hoje. Se o Dilúvio alterou a geografia, a localização original é irrecuperável.

Onde fica o monte Ararate?

A identificação tradicional é o pico na atual Turquia oriental que leva esse nome, com mais de cinco mil metros. O texto bíblico, porém, diz que a arca repousou sobre “os montes de Ararate”, no plural, o que designa uma região ampla, correspondente ao antigo reino de Urartu, e não um cume específico.

Onde fica o monte Sinai?

A identificação tradicional é o Jebel Musa, na península do Sinai, sede do mosteiro de Santa Catarina desde o século VI. Propostas alternativas situam-no no norte da península ou na Arábia, esta última apoiada em Gálatas 4,25, que localiza o Sinai na Arábia. Não há consenso.

Onde ficavam Sodoma e Gomorra?

Provavelmente na região sul do mar Morto, embora alguns proponham o extremo norte. Sítios como Bab edh-Dhra e Numeira foram sugeridos como candidatos, com camadas de destruição por incêndio, mas a identificação é debatida.

Onde Jesus foi crucificado e sepultado?

Dois locais concorrem. A Igreja do Santo Sepulcro, dentro da cidade atual, tem tradição contínua desde o século IV e ficava fora dos muros no primeiro século, o que é coerente com o texto. O Túmulo do Jardim, proposto no século XIX, é visualmente sugestivo e tem apoio arqueológico bem mais fraco.


Que distância havia entre Nazaré e Belém?

Cerca de cento e cinquenta quilômetros pelo trajeto que evitava a Samaria, e algo em torno de cento e vinte pela rota direta. A pé, entre quatro e sete dias de viagem, o que dá dimensão concreta ao deslocamento de José e Maria.

Onde Jesus concentrou seu ministério?

Na Galileia, sobretudo no chamado triângulo evangélico, entre Cafarnaum, Corazim e Betsaida, todas próximas à margem norte do lago. É justamente sobre essas três cidades que ele pronuncia ais em Mateus 11, por não terem se arrependido apesar dos milagres.

Jesus visitou território gentio?

Sim, em várias ocasiões: a região de Tiro e Sidom, onde encontra a mulher siro-fenícia; a Decápolis; e Cesareia de Filipe. Os deslocamentos não são detalhes incidentais, e antecipam o alcance universal que Atos desenvolveria.

Por que os Evangelhos mencionam tantas travessias do lago?

Porque o lago separava territórios distintos, com Cafarnaum e a região judaica de um lado e territórios gentios do outro. As travessias marcam mudanças de público e de contexto, e não apenas deslocamento físico.

Como confirmar a geografia dos Evangelhos?

Vários locais mencionados foram identificados por escavação, entre eles o tanque de Betesda com cinco pórticos, o tanque de Siloé, a sinagoga de Cafarnaum, o pavimento associado ao pretório e a casa tradicionalmente ligada a Pedro. A precisão topográfica, sobretudo em João, indica conhecimento direto da Jerusalém anterior a 70 d.C.


Como estudar geografia bíblica?

Com um bom atlas bíblico ao lado do texto, consultando o mapa a cada nome de lugar durante a leitura. Recursos digitais gratuitos oferecem mapas históricos por período, e visualizar altitude e distância resolve dúvidas que nenhuma explicação verbal resolve tão bem. Além disso, um livro que conecte a geografia com a revelação bíblica. Recomendamos o livro Geografia Bíblica para Pregadores – A geografia como palco da revelação.

Que erros comuns evitar?

Três. Supor que as fronteiras bíblicas correspondem às atuais, quando mudaram muitas vezes. Imaginar distâncias grandes onde eram curtas, e vice-versa. E tratar identificações tradicionais de locais específicos como certezas, quando várias são hipóteses razoáveis sem confirmação.


Nota final

A Escritura poderia ter sido escrita sem topografia, e não foi. Ela nomeia aldeias, mede jornadas, registra altitudes implícitas e distingue territórios, porque o que narra aconteceu em lugares que existem. Conhecer essa geografia não é erudição acessória: é o modo mais direto de perceber que o texto trata de história real, e não de parábola cósmica sem endereço.


Sobre o Autor

Rev. Fabiano Queiroz é professor, escritor, pesquisador e ministro do Evangelho pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Graduado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano de Curitiba e pós-graduado em Teologia e Interpretação Bíblica pela FABAPAR, dedica-se ao ensino das Escrituras, à pesquisa bíblico-teológica e à pregação expositiva.

Como autor, desenvolve projetos voltados ao estudo, à interpretação e à exposição fiel da Bíblia, com especial atenção à formação de pastores, pregadores, líderes cristãos e estudantes de teologia.

Informação adicional

Autor

Rev. Fabiano Queiroz

Formato

eBook (PDF)

Páginas

175

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