Pesquisa Sobre Religião no Brasil em 2026 - Política, Saúde, Evangélicos, Católicos, Jovens, Igrejas e Impostos
Estatísticas de Religião no Brasil: Dados para 2026 (Guia Completo)
Religião no Brasil · Dados

Estatísticas de Religião no Brasil: Guia de dados para 2026

Reunimos em um só lugar os números mais relevantes sobre religião no Brasil — do Censo do IBGE ao mercado gospel, da leitura da Bíblia ao comportamento dos jovens. Cada dado traz a fonte original e o ano, para você verificar e citar com segurança.

Resumo Rápido

  • 56,7% dos brasileiros são católicos — o menor patamar da história (IBGE, 2022)
  • 26,9% são evangélicos: 47,4 milhões de pessoas (IBGE, 2022)
  • 9,3% não têm religião — 16,4 milhões (IBGE, 2022)
  • −8,4 p.p. foi a queda católica entre 2010 e 2022 (IBGE)
  • ~R$ 21,5 bi é o tamanho estimado da "economia gospel" por ano (estudo Gospel Power)

1. Panorama geral — o retrato da fé brasileira

O Brasil segue majoritariamente cristão, mas cada vez mais plural. Esta é a distribuição atual, segundo o Censo 2022 do IBGE.

  1. 56,7% dos brasileiros de 10 anos ou mais se declaram católicos apostólicos romanos — 100,2 milhões de pessoas.IBGE, Censo 2022 — Religiões (jun/2025). ver fonte
  2. 26,9% se declaram evangélicos — 47,4 milhões de pessoas.IBGE, Censo 2022.
  3. 9,3% se declaram sem religião — 16,4 milhões de pessoas.IBGE, Censo 2022.
  4. 1,8% se declaram espíritas.IBGE, Censo 2022.
  5. 1,0% declaram Umbanda e Candomblé (inclui outras religiões afro-brasileiras).IBGE, Censo 2022.
  6. 4,0% declaram "outras religiosidades" (judaísmo, islamismo, budismo, tradições esotéricas etc.).IBGE, Censo 2022.
  7. 0,1% declaram tradições indígenas.IBGE, Censo 2022.

2. A grande virada: católicos vs. evangélicos

A queda católica e a ascensão evangélica são a história demográfica mais marcante da religião no Brasil — e seguem em curso há mais de três décadas.

Evolução religiosa do Brasil, 1991–2022 % da população · Fonte: Censos IBGE 80% 60% 40% 0% 1991 2000 2010 2022 Católicos 56,7% Evangélicos 26,9% Sem religião 9,3%
Dados: Censos IBGE 1991, 2000, 2010 e 2022. Os pontos de 1991–2010 referem-se à população total; 2022, à população de 10 anos ou mais. Gráfico: [seu site].
  1. Os católicos caíram 8,4 pontos percentuais entre 2010 e 2022 (de 65,1% para 56,7%).IBGE, Censo 2022.
  2. Em números absolutos, os católicos recuaram de 105,4 milhões (2010) para 100,2 milhões (2022).IBGE, Censo 2022.
  3. Os evangélicos cresceram 5,2 p.p. entre 2010 e 2022 (de 21,6% para 26,9%).IBGE, Censo 2022.
  4. Em uma década, a parcela evangélica cresceu em cerca de 12 milhões de pessoas.IBGE, Censo 2022, via Agência Gov.
  5. O ritmo de crescimento evangélico desacelerou: +6,1 p.p. (1991–2000), +6,5 p.p. (2000–2010) e +5,2 p.p. (2010–2022).IBGE, via Agência Brasil.
  6. A queda católica é registrada em toda a série histórica do Censo, iniciada em 1872.IBGE, via Agência Brasil.
  7. Os espíritas recuaram levemente, de 2,2% para 1,8% entre os dois censos.IBGE, Censo 2022.

3. Quando os evangélicos vão ultrapassar os católicos?

Esta é a pergunta que mais se faz sobre o futuro religioso do Brasil. A resposta mudou — e a mudança é, em si, a parte mais interessante.

A previsão mais citada na imprensa é a de 2032, do demógrafo José Eustáquio Diniz Alves (ex-pesquisador do IBGE). Mas há um detalhe que poucos compilados registram: essa projeção foi feita em 2022, antes da divulgação dos dados religiosos do Censo. Quando os números do Censo 2022 saíram (em 2025), revelaram um crescimento evangélico mais lento do que o esperado — a transição religiosa desacelerou.

Diante disso, o próprio autor recalculou. Mantido o ritmo observado entre os dois últimos censos (2010–2022), o cruzamento das curvas se deslocaria para perto de 2049, não 2032. Em outras palavras: existem hoje duas projeções do mesmo demógrafo, e a distância entre elas mede exatamente o quanto o avanço evangélico perdeu velocidade.

  1. Projeção de 2022 (pré-Censo): evangélicos a 39,8% e católicos a 38,6% em 2032 — ponto de virada na década de 2030.José Eustáquio Diniz Alves, "A transição religiosa nos 200 anos da Independência" (mai/2022), via #Colabora.
  2. Recálculo pós-Censo: mantido o ritmo 2010–2022, o cruzamento iria para perto de 2049.José Eustáquio Diniz Alves, via Projeto Colabora (ago/2025).
  3. Em 2022, os católicos ficaram abaixo de 50% das filiações pela primeira vez na história medida.Alves, via #Colabora; Censo IBGE 2022.
  4. Os evangélicos já são maioria em 2 estados (Acre e Rondônia) e na principal religião de 245 municípios.Censo IBGE 2022, via Projeto Colabora.
  5. Sinal da resiliência católica: em 25 anos, o número de padres no Brasil subiu de 16,8 mil para 22,5 mil, e as paróquias cresceram 43,6%.CNBB/dados eclesiásticos, via Público (abr/2025).
Por que esta seção é honesta: uma projeção não é uma previsão garantida — é um cálculo de "e se o ritmo continuar igual". O próprio demógrafo afirma que o ponto de virada pode ser diferente, porque depende de dados que ainda estão sendo processados. Apresentamos as duas datas (2032 e ~2049) justamente para você citar a que tiver a metodologia mais adequada ao seu texto.

4. Mapa religioso por região e estado

A média nacional esconde diferenças enormes. O catolicismo resiste no Nordeste; o avanço evangélico é mais forte no Norte e Centro-Oeste.

Evangélicos por região, 2022 % da população regional · Fonte: Censo IBGE 2022 36,8% Norte 31,4% C-Oeste 28,0% Sudeste 23,7% Sul 22,5% Nordeste
Dados: Censo IBGE 2022. Gráfico: [seu site].
  1. O catolicismo é predominante em 25 das 27 unidades da federação. As exceções são Acre e Rondônia, onde os evangélicos são maioria.IBGE, Censo 2022, via ABC Dados.
  2. Maior concentração de católicos: Piauí, 77,4% (também o estado com menos evangélicos: 15,6%).IBGE, Censo 2022.
  3. Menores proporções de católicos: Roraima (37,9%), Rio de Janeiro (38,9%) e Acre (38,9%).IBGE, Censo 2022.
  4. Maior proporção de evangélicos em um estado: Acre, 44,4%.IBGE, Censo 2022.
  5. O catolicismo tem sua maior concentração regional no Nordeste (63,9%) e no Sul (62,4%).IBGE, Censo 2022.
  6. Maior proporção de espíritas: Rio de Janeiro, 3,5%.IBGE, Censo 2022.
  7. Maior proporção de Umbanda e Candomblé: Rio Grande do Sul, 3,2%.IBGE, Censo 2022.
  8. Maior proporção de sem religião: Roraima e Rio de Janeiro, ambos 16,9%.IBGE, Censo 2022.

5. Perfil de quem crê: idade, gênero, cor, escolaridade

Quem é, demograficamente, o fiel de cada grupo? O Censo permite recortes reveladores.

  1. Os evangélicos têm perfil mais jovem: 31,6% das pessoas de 10 a 14 anos se declaram evangélicas.IBGE, Censo 2022.
  2. A proporção de católicos cresce com a idade: 51,2% entre 20–29 anos, chegando a 72% entre os de 80+.IBGE, Censo 2022, via Agência Brasil.
  3. As mulheres são maioria em quase todos os grupos — exceto sem religião (56,2% homens) e tradições indígenas.IBGE, Censo 2022.
  4. Entre os indígenas (por cor/raça), 32,2% se declaram evangélicos.IBGE, Censo 2022, via Agência Brasil.
  5. Entre os pretos: 49% católicos, 30% evangélicos e 12,3% sem religião.IBGE, Censo 2022.
  6. Entre os brancos: 60,2% católicos, 23,5% evangélicos e 8,4% sem religião.IBGE, Censo 2022, via Agência Brasil.
  7. Os espíritas têm o maior percentual de ensino superior completo: 48,0%, contra média nacional de 18,4%.IBGE, Censo 2022.
  8. Entre os católicos, 18,0% têm nível superior completo.IBGE, Censo 2022.

6. O perfil religioso dos jovens

Entre os jovens há duas correntes em tensão: o avanço dos "sem religião" registrado em 2022 e sinais mais recentes de reaproximação da Geração Z com a fé. Mostramos os dois.

  1. 25% dos jovens brasileiros de 16 a 24 anos se declararam sem religião em 2022 — fatia que, nessa faixa, supera católicos e evangélicos.Pesquisa eleitoral Datafolha, 2022, via Folha de S.Paulo.
  2. Em São Paulo e Rio, os sem religião chegavam a 30% e 34% entre jovens de 16–24 anos.Datafolha, 2022, via Arquidiocese de Vitória.
  3. O avanço dos sem religião é histórico: 0,5% (1960), 4,8% (1991), 7,3% (2000), 8% (2010) — com a aceleração maior na última década.Censos IBGE, compilados via Clickideia/Unicamp.
  4. Contraponto recente: pesquisas internacionais e reportagens apontam uma reaproximação da Geração Z com práticas religiosas, com homens jovens cada vez mais presentes.Reportagem O Tempo, jun/2025 (tendência; ver fonte primária antes de citar como dado).
As duas primeiras estatísticas vêm de pesquisa eleitoral Datafolha (amostra de eleitores), não do Censo. Algumas reportagens chamam isso erroneamente de "Censo Datafolha" — a atribuição correta é pesquisa Datafolha 2022.

7. Hábitos: Bíblia, leitura e práticas

A Bíblia domina a leitura no Brasil — e o país lidera o mundo na distribuição do livro, impressa e digital. Dados nacionais do Instituto Pró-Livro e da Sociedade Bíblica do Brasil.

  1. A Bíblia é o livro mais lido do Brasil — liderou o ranking em 5 das 6 edições da pesquisa (2007, 2011, 2015, 2019 e 2024).Instituto Pró-Livro, "Retratos da Leitura no Brasil", 6ª ed. (2024).
  2. O total de leitores no país caiu de 52% (2019) para 47% (2024) — uma perda de quase 7 milhões de leitores.Pró-Livro, "Retratos da Leitura", 6ª ed. (2024).
  3. 42% dos brasileiros declararam ter lido a Bíblia ao menos uma vez no último ano.Pró-Livro, "Retratos da Leitura", via R7.
  4. O Brasil foi o país que mais distribuiu Bíblias impressas do mundo em 2024: 4,19 milhões de exemplares, à frente de Índia (1,79 mi) e China (1,58 mi).Sociedade Bíblica do Brasil / Sociedades Bíblicas Unidas, 2024.
  5. O Brasil também lidera o acesso digital à Bíblia: mais de 16 milhões de downloads em 2024, o maior número global.Sociedade Bíblica do Brasil, 2024.
  6. A leitura por "motivos religiosos" cresce com a idade: 1% (14–17 anos), 9% (25–29) e 25% a partir dos 50.Pró-Livro, "Retratos da Leitura", via Sempre Família.
Sobre a "leitura diária da Bíblia": não há, no Brasil, um número público tão específico quanto o da Lifeway nos EUA (% que lê a Bíblia todos os dias). O Retratos da Leitura mede frequência de leitura geral — entre os leitores, cerca de 8% leem todos os dias e 12% ao menos uma vez por semana, mas isso vale para todos os livros, não só a Bíblia. Para um dado de frequência exclusivamente bíblica, seria preciso um levantamento dedicado (Datafolha ou SBB). Não atribuímos o número geral à Bíblia para não criar uma estatística enganosa.

8. Frequência a cultos e cultos online

Quão praticante é o brasileiro, na prática? Os dados mais sólidos e recentes vêm do Pew Research Center (pesquisa de 2024, publicada em jan/2026). A frequência varia muito entre católicos e evangélicos.

  1. 43% dos brasileiros dizem ir a serviços religiosos ao menos uma vez por semana — o maior índice entre os países latino-americanos pesquisados.Pew Research Center, "Religião na América Latina" (dados de 2024, pub. jan/2026).
  2. 62% dos brasileiros frequentam serviços religiosos ao menos uma vez por mês — o topo da região.Pew Research Center, jan/2026.
  3. Entre os protestantes/evangélicos brasileiros, 69% vão ao culto semanalmente, contra 36% dos católicos — uma diferença de mais de 30 pontos.Pew Research Center, jan/2026.
  4. A diferença é ainda maior dentro do mundo evangélico: 76% dos pentecostais vão à igreja toda semana, contra 54% dos não-pentecostais.Pew Research Center, jan/2026.
  5. 76% dos brasileiros afirmam orar ao menos uma vez por dia — o maior índice de oração diária da América Latina.Pew Research Center, jan/2026.
  6. Mesmo entre os "sem religião" brasileiros, 92% dizem acreditar em Deus e 46% oram diariamente — taxas superiores às de cristãos de vários países europeus.Pew Research Center, jan/2026.

Cultos online: o salto da pandemia

A transmissão de cultos por TV e internet, antes restrita a grandes igrejas, virou fenômeno de massa durante a pandemia. Os números abaixo são de 2020–2021 e retratam aquele momento específico — não o cenário atual.

  1. A busca pelo termo "culto online" no Google cresceu 10.000% em março de 2020, no início da pandemia.Levantamento de Livan Chiroma (Unicamp), jan–abr 2020.
  2. Em outubro de 2020, 45% dos brasileiros com alguma fé acompanhavam cultos pela TV ou internet; apenas 14% iam presencialmente.PoderData, pesquisa de out/2020.
  3. Em abril de 2021, com a flexibilização, os que acompanhavam cultos por TV/internet caíram para 35%, e os presenciais ainda eram só 15%.PoderData, pesquisa de abr/2021 (3.500 entrevistas).

O legado da pandemia: os "desigrejados"

O dado mais valioso hoje seria saber quantos brasileiros mantiveram o hábito online após a reabertura — mas essa métrica específica de audiência recorrente ainda não foi medida por um instituto de forma pública. O que existe, e é forte, é a medição de um fenômeno vizinho: os "desigrejados" — pessoas que mantêm a fé, mas largaram a igreja institucional, muitas cultivando a espiritualidade por conta própria e pelas redes.

  1. Entre os evangélicos brasileiros, 6,9% são "desigrejados" — declaram a fé, mas não frequentam nenhuma igreja atualmente.Datafolha / Missão Sepal, 2024.
  2. Em São Paulo, a taxa de desigrejados sobe para 14,2% dos evangélicos.Datafolha / Missão Sepal, 2024.
  3. O perfil é majoritariamente jovem: 12,5% têm de 16 a 24 anos e 12,1% de 25 a 34 — as duas maiores faixas.Datafolha / Missão Sepal, 2024.
  4. Quanto maior a escolaridade, maior o afastamento: 13,7% dos desigrejados têm ensino superior, contra 9% entre os de ensino médio.Datafolha / Missão Sepal, 2024.
  5. Já em 2010, o Censo registrava cerca de 9 milhões de evangélicos "não determinados" (sem denominação fixa) — semente do fenômeno atual.Censo IBGE 2010, via análises da CNBB.
O que ainda falta medir: a métrica literal de "quantos brasileiros assistem culto online com regularidade hoje" (audiência recorrente pós-pandemia) segue sem um levantamento público confiável. Para completá-la no futuro, as fontes a checar são relatórios de audiência (Kantar Ibope para TV religiosa) e dados de visualização de canais de igrejas no YouTube — idealmente com recorte de recorrência, não só de pico.

9. Saúde mental de pastores e líderes

Tema crescente e ainda pouco medido no Brasil. Os estudos nacionais são, em geral, acadêmicos e de amostra menor — mas alguns trazem números relevantes. Apresentamos os dados brasileiros e, em seguida, os dos EUA como comparação.

Dados brasileiros

Leia com contexto: ao contrário dos EUA (onde a Lifeway faz levantamentos nacionais regulares), o Brasil não tem uma pesquisa periódica de grande escala sobre o tema. Os números abaixo vêm de estudos acadêmicos com amostras e metodologias distintas — por isso variam bastante. Cite sempre o autor, o ano e o tamanho da amostra.
  1. Um estudo do psiquiatra Francisco Lotufo Neto (USP), com 845 líderes cristãos — a maior amostra brasileira conhecida —, encontrou 45% de ministros evangélicos com indícios de depressão.Francisco Lotufo Neto (USP), via dissertação da Universidade Metodista de SP. Confirmar ano da coleta na fonte original.
  2. Pesquisa de 2024 com 78 pastores na Grande São Paulo (escalas Beck) achou prevalência de 16,6% de depressão e 15% de desesperança.Santos & Andrade, Observatório de la Economía Latinoamericana, 2024.
  3. Em pastores presbiterianos, um estudo classificou 55% em fase inicial de burnout e 38% com a síndrome começando a se instalar.Estudo acadêmico sobre a Igreja Presbiteriana do Brasil (amostra pequena, não probabilística).
  4. Nas Assembleias de Deus, pesquisas apontam o trabalho pastoral não remunerado como fator de risco: o pastor cumpre "jornada dupla", profissional e voluntária.Dissertação, Universidade Metodista de SP (estudo qualitativo).

Estados Unidos (referência comparativa)

Dados internacionais (EUA), da Lifeway Research. Use como parâmetro de comparação — a base de dados americana é mais robusta e contínua que a brasileira.
  1. Cerca de 1 em cada 4 pastores (23%) afirma já ter enfrentado algum tipo de doença mental.Lifeway Research (EUA), via reportagens setoriais.
  2. 63% dos pastores apontam o estresse como o principal desafio mental no ministério.Lifeway Research, "Greatest Needs of Pastors" (EUA), 2022.
  3. A taxa de pastores que deixam o ministério é baixa e estável: 1,2% ao ano (2025), praticamente igual a 2015 (1,3%).Lifeway Research, "Beyond the Pulpit" (EUA), fev/2026.
  4. Entre os que saem, os principais motivos são mudança de chamado (40%), conflito na igreja (18%) e burnout (16%).Lifeway Research, "Beyond the Pulpit" (EUA), 2026.
  5. A parcela de pastores prontos para encaminhar fiéis a conselheiros caiu de 90% (2015) para 81% (2025).Lifeway Research, "Beyond the Pulpit" (EUA), 2026.
Este é um assunto sensível. Se você ou alguém que conhece é pastor ou líder religioso e está enfrentando sofrimento psíquico, vale procurar apoio profissional — psicólogos e psiquiatras, ou o CVV (188), que atende gratuitamente e em sigilo.

10. A economia da fé: mercado e música gospel

A fé virou também um setor econômico de peso. Nota: parte destes valores vem de associações setoriais e estudos de mercado — são estimativas, não medições oficiais.

  1. O mercado fonográfico brasileiro faturou R$ 3,958 bilhões em 2025 (+14,1%) — o Brasil é o 8º maior mercado de música do mundo.Pro-Música Brasil / IFPI, relatório de mar/2026.
  2. O streaming respondeu por 87,6% da receita do setor fonográfico em 2025.Pro-Música Brasil.
  3. Estima-se que a música gospel represente cerca de 20% do mercado fonográfico nacional.ABREPE, via Pro-Música/Abramus — estimativa setorial.
  4. A "economia gospel" completa movimentaria R$ 21,5 bilhões/ano no Brasil.Estudo "Gospel Power" (Estúdio Eixo + Zygon) — estimativa de mercado.
  5. O Brasil é o 2º maior mercado de música cristã do mundo, atrás apenas dos EUA.ABREPE, via Deezer.
  6. Ouvintes de gospel no Spotify cresceram 46% em 2024, com alta de 93% nas buscas pelo gênero.Spotify, dados divulgados pela plataforma.

11. Igrejas e impostos: a conta da imunidade tributária

Tema recorrente no jornalismo de economia e política — e especialmente quente em 2026, com um projeto de ampliação da imunidade em tramitação no Congresso.

  1. A imunidade tributária dos templos está na Constituição (art. 150, VI) e existe no Brasil desde 1946.Constituição Federal; Câmara dos Deputados.
  2. A imunidade cobre impostos sobre patrimônio, renda e serviços ligados às finalidades religiosas (IPTU, IPVA, IR, ITBI), mas não cobre tudo: taxas, contribuições e os salários dos pastores seguem tributáveis.Câmara dos Deputados; análises tributárias (ICTUS, APET).
  3. A ampliação da imunidade em discussão em 2026 teria custo mínimo estimado em R$ 10 bilhões/ano só na arrecadação federal.Ministérios da Fazenda e do Planejamento, jun/2026, via O Tempo.
  4. Outras estimativas apontam impacto total de até R$ 50 bilhões com a ampliação, somando esferas federal, estadual e municipal.Jornal de Brasília, jun/2026 (estimativa).
  5. Pela regra da reforma tributária, todo benefício fiscal precisa ser compensado: na prática, a diferença recairia sobre os demais contribuintes — incluindo os próprios fiéis.FGV/Carlos Eduardo Navarro, via O Tempo.
  6. Estudo preliminar do IBGE registrou, em 2021, 87.571 templos evangélicos contra 14.294 estabelecimentos católicos — proporção de 6,1 para 1.IBGE (estudo preliminar), via Portal Olavo Dutra.
Comparação internacional: a imunidade religiosa é comum na Europa e na América do Norte; em vários países europeus (Alemanha, Itália, Dinamarca) há até um "imposto religioso" recolhido via Imposto de Renda. Já na Argentina, todos os templos exceto os católicos pagam impostos. (Fonte: CNN Brasil — confirme antes de citar como dado principal.)

12. O Brasil no mapa religioso global

Para dar contexto: como o Brasil se encaixa no quadro mundial da fé.

  1. O cristianismo é a maior religião do mundo: 2,3 bilhões de adeptos (28,8% da população) em 2020.Pew Research Center, "Global Religious Landscape" (jun/2025).
  2. O Brasil está entre os 3 países das Américas no top 10 de maior número de cristãos (com EUA e México).Pew Research Center.
  3. O Brasil é um dos 12 países que concentram 51% de todos os cristãos do mundo.Pew Research Center, dez/2025.
  4. Globalmente, cerca de metade dos cristãos é católica; protestantes são 37% e ortodoxos, 12%.Pew Research Center, "Global Christianity".
  5. O islã é a religião que mais cresce no mundo: +347 milhões entre 2010 e 2020, mais que todas as outras somadas.Pew Research Center, 2025.

13. Religião e política

O cruzamento mais quente em ano eleitoral — e o que exige mais cuidado. Dados de intenção de voto mudam a cada pesquisa; cite sempre instituto e data.

Esta seção envelhece rápido. Os dados de pertencimento (Censo) duram anos; os de intenção de voto, dias. Atualize a cada nova rodada de pesquisas e mantenha instituto + data ao lado de cada número.
  1. O voto evangélico não é um bloco homogêneo: fragmenta-se entre pentecostais, neopentecostais, históricos e não-praticantes.Análise Vottus, abr/2026.
  2. Pesquisas privadas estimam a população evangélica entre 31% e 33% em 2026.Datafolha, Quaest, PoderData (2024–2025), via Vottus.
  3. Entre evangélicos, o Datafolha (abr/2026) indicava disputa presidencial em torno de 30%–70%; já a AtlasIntel (mai/2026) media 58,6% x 23,7%.Datafolha via EcoDebate; AtlasIntel via Comunhão — institutos e datas diferentes; números não comparáveis diretamente.
  4. O crescimento evangélico é mais intenso nas periferias urbanas e fronteiras agrícolas do Centro-Oeste e Norte.Análise EcoDebate, mai/2026.

Perguntas frequentes

Qual é a maior religião do Brasil em 2026?

O catolicismo, com 56,7% da população de 10 anos ou mais (100,2 milhões), segundo o Censo 2022 do IBGE. Os evangélicos vêm em segundo, com 26,9% (47,4 milhões).

Quantos evangélicos existem no Brasil?

47,4 milhões, ou 26,9% da população, pelo Censo 2022 do IBGE. Pesquisas privadas de 2024–2025 estimam entre 31% e 33%.

Quantos brasileiros não têm religião?

16,4 milhões (9,3%), segundo o IBGE. O grupo inclui ateus, agnósticos e quem não se identifica com nenhuma denominação.

A população católica está diminuindo?

Sim. Caiu 8,4 pontos percentuais entre 2010 e 2022, e a queda aparece em toda a série histórica do Censo desde 1872.

Quando os evangélicos vão ultrapassar os católicos?

A projeção mais citada apontava 2032, mas foi feita antes do Censo 2022. Com o crescimento evangélico mais lento que o esperado, o recálculo do mesmo demógrafo (José Eustáquio Diniz Alves) aponta para perto de 2049, se o ritmo atual se mantiver. É uma projeção, não uma certeza.

Metodologia e fontes

Este guia compila dados de fontes oficiais e independentes, com a fonte e o ano indicados em cada item. Cuidados de leitura:

  • O Censo 2022 mede a população de 10 anos ou mais; parte dos dados de 2010 e anteriores refere-se à população total — isso afeta comparações diretas.
  • O Brasil não tem censo religioso anual; entre os censos, as estimativas vêm de pesquisas privadas com metodologias diferentes.
  • Dados de mercado gospel são estimativas setoriais, não medições oficiais.
  • Dados da Lifeway são dos EUA, usados como comparação internacional.

Fontes primárias: IBGE (Censo 2022 — Religiões); Pew Research Center (Global Religious Landscape, 2025); Instituto Pró-Livro (Retratos da Leitura no Brasil); Pro-Música Brasil / IFPI; Lifeway Research; Datafolha, Quaest, PoderData, AtlasIntel; TSE (registro de pesquisas eleitorais).

Orientação

Este compilado foi desenvolvido pelo O Púlpito em parceria com diversos organismos de pesquisa com o objetivo de apoiar a produção de conteúdo editorial, pesquisas, estudos temáticos e análises especializadas relacionadas aos assuntos abordados nesta página.

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Última revisão: 21 de junho de 2026

Rev. Fabiano Queiroz
Rev. Fabiano Queiroz
Pastor, Teólogo e Escritor
Pastor Presbiteriano, Teólogo e Expositor Bíblico, com Formação em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul e Pós-graduação em Interpretação Bíblica pela Faculdade Batista do Paraná. Autor da maior biblioteca expositiva evangélica do Brasil, uma Coleção de Esboços Bíblicos Completos para Pregação Expositiva que cobre os 66 livros da Bíblia, construída sobre o método Histórico-gramatical, Teologia Bíblica e Cristocentrismo. Pesquisador em Pregação Expositiva.