Zaqueu, um caso perdido e recuperado.
Zaqueu era um homem rico, chefe dos publicanos na cidade de Jericó. Segundo Lucas 19:1-10, ele desejava ver Jesus, mas, por ser de pequena estatura, precisou subir em uma árvore para conseguir enxergá-lo em meio à multidão. Jesus, porém, não apenas viu Zaqueu: chamou-o pelo nome, entrou em sua casa e provocou uma transformação que alcançou diretamente a maneira como aquele homem lidava com seu dinheiro e com as pessoas que havia prejudicado.
A história de Zaqueu é conhecida principalmente por causa dessa mudança. Ele era identificado por sua profissão e por sua riqueza, mas o encontro com Jesus revelou algo muito mais profundo: um homem que precisava ser encontrado pelo Salvador. Quando Zaqueu recebeu Jesus com alegria, sua resposta não ficou restrita às palavras. Ele declarou que daria metade de seus bens aos pobres e que restituiria quatro vezes mais àqueles de quem tivesse tomado alguma coisa indevidamente. Em seguida, Jesus afirmou: “Hoje, houve salvação nesta casa”.
Por isso, Lucas 19:1-10 oferece um dos relatos mais expressivos dos Evangelhos para compreender a relação entre graça, arrependimento, restituição e salvação. O texto não apresenta o arrependimento como uma simples emoção momentânea, mas mostra uma transformação que alcança aquilo que anteriormente orientava a vida de Zaqueu.

Quem era Zaqueu na Bíblia?
Zaqueu aparece somente em Lucas 19:1-10. Lucas o apresenta de maneira bastante objetiva: ele era rico e chefe dos publicanos. O evangelista não fornece detalhes sobre sua família, idade ou passado pessoal. Portanto, muitas informações que aparecem em representações populares de Zaqueu não podem ser afirmadas como fatos bíblicos.
O que o texto permite afirmar é suficiente para compreender sua situação. Zaqueu ocupava uma posição ligada à cobrança de impostos e possuía riqueza. Além disso, sua condição de “chefe dos publicanos” o distinguia de um simples cobrador de impostos. Lucas deliberadamente apresenta essas informações antes de narrar seu encontro com Jesus.
A narrativa também mostra que Zaqueu era conhecido publicamente como alguém associado aos “pecadores”. Quando Jesus decidiu entrar em sua casa, a multidão começou a reclamar, questionando o fato de ele se hospedar justamente na casa daquele homem.
Assim, quando Lucas apresenta Zaqueu, temos diante de nós um homem economicamente bem-sucedido, socialmente malvisto e espiritualmente necessitado.
É exatamente nesse cenário que Jesus entra.
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Zaqueu era cobrador de impostos?
Sim. Lucas 19:2 identifica Zaqueu como chefe dos publicanos, expressão que corresponde à ideia de chefe dos cobradores de impostos. Algumas traduções portuguesas empregam diretamente “chefe dos cobradores de impostos”, enquanto outras preservam o termo “publicanos”.
Os publicanos eram associados à administração da arrecadação de impostos no contexto do domínio romano. A profissão carregava forte estigma social e religioso entre os judeus, especialmente porque os cobradores trabalhavam dentro de um sistema relacionado ao poder estrangeiro e eram frequentemente associados à exploração e à desonestidade.
Entretanto, é importante não exagerar aquilo que o texto afirma. Lucas não diz que todos os publicanos eram necessariamente corruptos nem fornece uma descrição detalhada do funcionamento da atividade de Zaqueu. O que ele registra é que Zaqueu era chefe dos publicanos, era rico e, depois de encontrar Jesus, falou explicitamente sobre devolver aquilo que tivesse obtido de forma indevida.
Essa precisão é importante para uma leitura responsável da passagem. A força da narrativa não depende de acrescentarmos detalhes que Lucas não forneceu.
O que significa Zaqueu ser chefe dos publicanos?
A expressão utilizada por Lucas apresenta Zaqueu como alguém que ocupava uma posição de liderança dentro da estrutura de cobrança de impostos. O texto também faz questão de mencionar que ele era rico.
Essas duas informações ajudam a explicar a tensão narrativa. Zaqueu não era apresentado simplesmente como um homem pobre ou marginalizado economicamente. Ele havia alcançado riqueza, mas essa riqueza não o havia colocado em uma posição de aceitação diante da comunidade.
O paradoxo é significativo: Zaqueu possuía recursos, mas ainda procurava Jesus.
Lucas não explica por que ele queria ver Jesus. O evangelista simplesmente afirma que ele procurava vê-lo. Não devemos transformar essa curiosidade em uma conversão antecipada. O texto ainda não diz que Zaqueu havia se arrependido ou compreendido plenamente quem Jesus era. Isso só torna o desenvolvimento da narrativa mais interessante.
Zaqueu queria ver Jesus.
Jesus, porém, já estava indo ao encontro de Zaqueu.
Por que Zaqueu subiu em uma árvore?
Lucas explica que Zaqueu não conseguia ver Jesus por causa da multidão e porque era de pequena estatura. Por isso, correu adiante e subiu em uma figueira-brava, ou sicômoro, para conseguir vê-lo quando passasse por aquele lugar. O detalhe é simples, mas Lucas o utiliza para movimentar a narrativa.
- Zaqueu corre.
- Zaqueu sobe.
- Zaqueu espera.
Mas, quando Jesus chega ao local, é Jesus quem toma a iniciativa decisiva.
Ele olha para cima e diz:
“Zaqueu, desce depressa, pois hoje me convém pousar em tua casa.”
A narrativa muda de direção nesse momento. Até então, Zaqueu estava tentando ver Jesus. Agora é Jesus quem olha para Zaqueu.
Jesus e Zaqueu: Quando Jesus chama o pecador pelo nome

Uma das características mais marcantes do relato é que Jesus chama Zaqueu pelo nome. O homem que estava tentando permanecer acima da multidão é agora diretamente interpelado por Cristo. Jesus não passa simplesmente por baixo da árvore. Ele interrompe seu caminho e anuncia que deseja ficar na casa de Zaqueu.
A reação é imediata:
“E, apressando-se, desceu e recebeu-o com júbilo.”
A alegria de Zaqueu contrasta com a murmuração da multidão. Enquanto os outros interpretam a presença de Jesus na casa de Zaqueu como algo escandaloso, Zaqueu recebe Jesus com alegria.
Aqui aparece uma verdade fundamental da narrativa: a graça de Cristo alcança pessoas que outros consideram indignas de sua presença.
Mas Lucas não termina a história nesse ponto.
A graça recebida começará a produzir frutos.
Jesus na casa de Zaqueu
A entrada de Jesus na casa de Zaqueu não deve ser tratada apenas como uma visita social. No Evangelho de Lucas, refeições e casas frequentemente se tornam cenários importantes para a manifestação da graça e para o confronto entre Jesus e diferentes concepções de pureza, pecado e salvação.
A multidão interpreta a entrada de Jesus na casa de Zaqueu a partir de sua reputação:
“Entrou para ser hóspede de um homem pecador.”
Jesus, entretanto, enxerga algo que a multidão não compreende. A história não termina com Jesus entrando na casa de um pecador. Ela termina com Jesus declarando que a salvação chegou àquela casa.
Zaqueu realmente se arrependeu?
Lucas 19:1-10 não utiliza explicitamente o substantivo grego normalmente traduzido por “arrependimento”, nem registra uma fórmula como “Zaqueu se arrependeu”. Por isso, precisamos ser cuidadosos ao afirmar exatamente o que o texto diz.
Ao mesmo tempo, a narrativa apresenta uma mudança concreta e pública na conduta de Zaqueu.
Ele declara:
“Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se em alguma coisa tenho defraudado alguém, o restitui quadruplicado.”
Sua resposta está diretamente relacionada àquilo que estava em jogo em sua antiga maneira de viver: riqueza, pobres, fraude e restituição. Por isso, é legítimo falar em arrependimento manifestado por frutos concretos, desde que não atribuamos ao texto uma palavra que Lucas não utilizou.
O ponto teológico é muito importante: Zaqueu não apresenta uma transformação meramente verbal. O encontro com Jesus alcança justamente a área na qual sua vida havia sido marcada por injustiça, as finaças.
O arrependimento verdadeiro não consiste apenas em reconhecer intelectualmente que algo está errado. Ele envolve uma mudança de direção que pode produzir frutos observáveis.
O que significa a restituição de quatro vezes?
A declaração de Zaqueu é particularmente significativa:
“Se em alguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado.”
A restituição quadruplicada encontra paralelo nas prescrições da Lei de Moisés para determinados casos de furto. Êxodo 22:1, por exemplo, estabelece restituição de quatro animais para o caso específico de alguém que roubasse uma ovelha e a abatesse ou vendesse.
Não devemos concluir que Zaqueu estivesse simplesmente aplicando mecanicamente uma penalidade legal a cada situação de sua vida. Sua declaração pode ser compreendida como uma expressão extraordinária de reparação.
Ele não diz : “Sinto muito, ele se dispõe a reparar.
Isso é uma dimensão importante do arrependimento bíblico. Quando o pecado produz danos concretos contra outras pessoas, o arrependimento não deve ser reduzido à emoção de culpa. Quando possível e apropriado, ele também busca corrigir o dano.
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Zaqueu deu metade dos seus bens aos pobres para ser salvo?

Não. Essa é uma das distinções teológicas mais importantes do texto. A narrativa não apresenta Zaqueu comprando a salvação por meio de suas obras. Jesus diz:
“Hoje, veio a salvação a esta casa.”
As ações de Zaqueu aparecem como expressão da transformação que acompanhou seu encontro com Cristo.
A ordem da narrativa é fundamental: Jesus chama Zaqueu, Zaqueu recebe Jesus, sua vida manifesta uma mudança e Jesus declara a chegada da salvação.
As obras não são apresentadas como o preço da salvação. Elas são evidência de uma mudança que alcançou sua vida.
Essa distinção impede dois erros opostos: transformar o arrependimento em mera emoção sem frutos ou transformar as obras de Zaqueu em uma espécie de pagamento pela salvação.
O que significa “hoje houve salvação nesta casa”?
A declaração de Jesus em Lucas 19:9 é o ponto culminante da narrativa.
“Hoje, veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão.”
Jesus não está simplesmente dizendo que Zaqueu passou a ser uma pessoa mais generosa. O que aconteceu foi muito mais profundo.
A palavra “hoje” possui peso especial na narrativa de Lucas. O momento presente da ação salvadora de Deus irrompe na vida daquele homem. O que havia começado com Zaqueu tentando enxergar Jesus termina com Jesus declarando que a salvação chegou à sua casa.
A expressão “filho de Abraão” também merece atenção. Jesus está reintegrando Zaqueu ao povo da promessa. Aquele que era socialmente identificado como pecador não está fora do alcance da graça de Deus.
A salvação não respeita as categorias sociais estabelecidas pelos homens.
O que Jesus quis dizer com “o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”?
Lucas 19:10 funciona como a interpretação que Jesus dá para todo o episódio:
“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.”
Essa frase desloca o foco de Zaqueu para Cristo.
Zaqueu é interessante porque sua história é humana e concreta, mas Jesus é o centro da narrativa.
- Ele é aquele que busca.
- Ele é aquele que salva.
- Ele é aquele que entra na casa de um homem rejeitado.
- Ele é aquele que reconhece a realidade da transformação.
- E ele é aquele que define sua missão como buscar e salvar os perdidos.
Essa declaração também conecta o episódio de Zaqueu ao grande propósito do Evangelho de Lucas. A história não é simplesmente sobre um cobrador de impostos que decidiu mudar de comportamento. É sobre o Salvador que veio ao encontro de alguém perdido.
Esboço de Pregação sobre Zaqueu
| O Arrependimento que Produz Frutos |
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| Texto bíblico: Lucas 19:1-10 O encontro verdadeiro com Cristo produz uma transformação que alcança o coração, as prioridades e a maneira como tratamos aqueles que prejudicamos. Pergunta para a pregação: Como o verdadeiro arrependimento se manifesta na vida de alguém que foi alcançado por Cristo? 1. O arrependimento começa quando o pecador se aproxima de Cristo: Lucas 19:1-4 Zaqueu desejava ver Jesus. Sua posição social não eliminava sua necessidade espiritual. O esforço de Zaqueu revela interesse, mas é Jesus quem toma a iniciativa decisiva. Aplicação: O arrependimento começa quando o pecador é confrontado com Cristo. 2. O arrependimento responde à graça de Cristo: Lucas 19:5-7 Jesus vê Zaqueu e o chama pelo nome. Cristo toma a iniciativa de entrar em sua casa. Zaqueu recebe Jesus com alegria. A multidão não está alegre, murmura diante da graça concedida a um pecador. Aplicação: A graça de Cristo alcança o pecador e o chama a uma resposta de fé. 3. O arrependimento produz mudanças concretas: Lucas 19:8 Zaqueu anuncia uma mudança em sua relação com os bens. Ele decide repartir com os pobres. Ele se dispõe a reparar os prejuízos causados. Aplicação: O arrependimento verdadeiro produz frutos visíveis e alcança as áreas concretas da vida. 4. O arrependimento aponta para a salvação realizada por Cristo: Lucas 19:9-10 Jesus declara que a salvação chegou àquela casa. Zaqueu é apresentado como filho de Abraão. Jesus revela sua missão: buscar e salvar o perdido. Aplicação: A esperança do pecador não está em sua capacidade de reformar a própria vida, mas em Cristo, o Salvador. Onde está Cristo no texto? Cristo é aquele que busca o perdido. Cristo toma a iniciativa de encontrar Zaqueu. Cristo entra na casa de um homem considerado pecador. Cristo anuncia a chegada da salvação. Cristo declara que veio buscar e salvar o perdido. Versículos de apoio para o sermão: Lucas 3:8 — “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento.” 2 Coríntios 5:17 — “Se alguém está em Cristo, é nova criatura.” Atos 3:19 — “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos.” Conclusão: O encontro de Zaqueu com Jesus não terminou em curiosidade, emoção ou admiração. A graça recebida produziu mudança. Seu relacionamento com o dinheiro, com os pobres e com aqueles que havia prejudicado foi alcançado pelo encontro com Cristo. O verdadeiro arrependimento produz frutos porque o verdadeiro encontro com Cristo transforma o pecador. E o centro da história não é a capacidade de Zaqueu de mudar a si mesmo, mas a missão daquele que declarou: “o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” |

O que podemos aprender com Zaqueu?
Uma pessoa pode possuir muito e ainda estar espiritualmente perdida
- Zaqueu era rico, mas precisava de salvação.
- A riqueza não conseguiu resolver sua necessidade espiritual.
A graça de Cristo alcança pessoas rejeitadas
- A multidão via um pecador.
- Jesus viu alguém a quem deveria chamar.
- A graça de Deus não está limitada pela reputação que uma pessoa possui diante da sociedade.
O encontro com Cristo produz frutos
- Zaqueu não ficou apenas emocionado com a visita de Jesus. Sua relação com os bens e com aqueles que havia prejudicado foi transformada.
O arrependimento possui consequências práticas
- Quando existe dano concreto causado pelo pecado, o arrependimento pode envolver confissão, mudança de comportamento e, quando possível, restituição.
A salvação é obra de Cristo e não dos homens
- O texto termina apontando para a missão do Filho do Homem: buscar e salvar o perdido.
Lições de Zaqueu para a vida cristã
A história de Zaqueu também confronta algumas ideias muito comuns sobre conversão.
Arrependimento não é apenas sentir culpa
- Zaqueu poderia ter ficado profundamente emocionado com Jesus sem mudar sua relação com o dinheiro. O texto, porém, apresenta uma transformação concreta.
Arrependimento não é simplesmente fazer uma promessa
- O arrependimento bíblico envolve uma mudança de direção (Metanóia). A pessoa reconhece o pecado e passa a viver de maneira coerente com a nova realidade produzida pela graça.
Arrependimento não compra salvação
- Zaqueu não entregou seus bens para comprar o favor de Jesus. Sua atitude aparece como fruto de uma transformação que aconteceu quando Cristo o encontrou.
Arrependimento pode envolver restituição
- Quando o pecado prejudica outra pessoa, o arrependimento não deve ser usado como desculpa para evitar responsabilidades. A graça de Deus não transforma o pecado em algo sem consequências.
A graça não elimina a santidade
- Jesus recebeu Zaqueu antes que sua transformação fosse publicamente demonstrada, mas a graça recebida produziu frutos. A aceitação de Cristo não é uma autorização para permanecer no pecado.]
FAQ: Perguntas Frequentes sobre Zaqueu o Publicano
1. Quem era Zaqueu na Bíblia?
Zaqueu era um homem rico e chefe dos publicanos na cidade de Jericó. Ele aparece em Lucas 19:1-10, quando procura ver Jesus e acaba sendo chamado por ele. Depois de receber Jesus em sua casa, Zaqueu demonstra uma mudança concreta em sua maneira de lidar com seus bens e com as pessoas que havia prejudicado.
2. Zaqueu era cobrador de impostos?
Sim. Lucas 19:2 apresenta Zaqueu como “chefe dos publicanos”, isto é, alguém que ocupava uma posição de liderança relacionada à cobrança de impostos. O texto também informa que ele era rico. Depois de seu encontro com Jesus, Zaqueu declara que restituiria quatro vezes mais aquilo que tivesse obtido de alguém por meio de fraude.
3. Por que Zaqueu era desprezado pelo povo?
Os publicanos eram socialmente malvistos por muitos judeus por estarem ligados ao sistema de arrecadação de impostos sob o domínio romano. Além disso, a multidão identifica Zaqueu como “pecador” quando Jesus decide entrar em sua casa. O texto, porém, não afirma que todos os publicanos fossem corruptos; no caso específico de Zaqueu, sua declaração sobre restituição indica que havia práticas de fraude envolvidas em sua história.
4. Por que Zaqueu subiu em uma árvore?
Zaqueu queria ver quem era Jesus, mas não conseguia enxergá-lo por causa da multidão e de sua pequena estatura. Então correu adiante e subiu em uma figueira-brava, ou sicômoro, para conseguir vê-lo quando passasse. O detalhe mostra o interesse de Zaqueu, mas a narrativa logo muda o foco: enquanto Zaqueu procurava ver Jesus, Jesus tomou a iniciativa de procurá-lo.
5. O que aconteceu quando Jesus encontrou Zaqueu?
Jesus olhou para Zaqueu, chamou-o pelo nome e disse que deveria ficar em sua casa naquele dia. Zaqueu desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria. A multidão, porém, começou a murmurar porque Jesus havia entrado na casa de um homem que considerava pecador. O encontro marcou o início de uma transformação profunda na vida de Zaqueu.
6. O que significa Jesus entrar na casa de Zaqueu?
A entrada de Jesus na casa de Zaqueu demonstra que sua missão alcançava pessoas consideradas pecadoras e socialmente rejeitadas. A visita não foi apenas uma refeição ou encontro social: ela está diretamente relacionada à transformação de Zaqueu e à declaração de Jesus de que “hoje, houve salvação nesta casa”. O episódio revela a iniciativa da graça de Cristo em buscar o perdido.
7. Zaqueu realmente se arrependeu?
Lucas não utiliza explicitamente a palavra “arrependimento” para descrever a resposta de Zaqueu, mas registra atitudes que demonstram uma mudança concreta. Zaqueu declara que daria metade de seus bens aos pobres e que restituiria quatro vezes mais aquilo que tivesse defraudado. Por isso, sua resposta pode ser entendida como uma manifestação concreta de arrependimento e transformação produzida pelo encontro com Cristo.
8. Por que Zaqueu decidiu dar metade dos seus bens aos pobres?
Lucas não explica diretamente por que Zaqueu escolheu dar metade de seus bens aos pobres. O que a narrativa deixa claro é que, depois de receber Jesus, ele anuncia publicamente uma mudança radical em sua relação com seus recursos. Sua generosidade demonstra que o encontro com Cristo alcançou uma das áreas mais importantes de sua antiga vida: sua relação com o dinheiro.
9. O que significa Zaqueu restituir quatro vezes mais?
Zaqueu declarou que, se tivesse defraudado alguém, faria uma restituição quatro vezes maior. A restituição quádrupla aparece na legislação do Antigo Testamento em determinados casos de furto, especialmente em Êxodo 22:1. Na narrativa de Lucas, a declaração de Zaqueu demonstra sua disposição de reparar de maneira extraordinária os prejuízos que tivesse causado.
10. Zaqueu deu seus bens para ser salvo?
Não. O texto não apresenta as obras de Zaqueu como pagamento pela salvação. Depois que ele anuncia sua disposição de dar aos pobres e restituir aquilo que havia defraudado, Jesus declara: “Hoje, houve salvação nesta casa”. As atitudes de Zaqueu aparecem como frutos de sua transformação, e não como um preço pago para conquistar a salvação.
11. O que significa “hoje houve salvação nesta casa”?
A declaração de Jesus em Lucas 19:9 indica que a salvação havia chegado àquela casa em conexão com o encontro de Zaqueu com Cristo. O versículo seguinte explica a razão de tudo o que aconteceu: “o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”. Assim, o episódio deve ser compreendido principalmente como uma manifestação da missão salvadora de Jesus, e não apenas como a história de um homem que decidiu mudar de comportamento.
12. O que podemos aprender com Zaqueu?
A história de Zaqueu mostra que o encontro com Cristo produz transformação. Ele passou de alguém conhecido por sua riqueza e associado à cobrança de impostos para alguém disposto a repartir seus bens e reparar os danos causados. O relato também ensina que o arrependimento verdadeiro produz frutos concretos, mas termina apontando para Cristo: “o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”. A esperança de Zaqueu, portanto, não estava em sua capacidade de reformar a própria vida, mas no Salvador que foi ao seu encontro.
Conclusão
Zaqueu entrou na história de Lucas como um homem rico, chefe dos publicanos e desprezado por aqueles que o cercavam. Ele queria apenas ver quem era Jesus, mas acabou descobrindo que Jesus já estava indo ao seu encontro.
O encontro transformou sua vida. Zaqueu recebeu Jesus com alegria, reconheceu a necessidade de mudar e demonstrou essa mudança por meio de atitudes concretas. Então Jesus declarou que a salvação havia chegado àquela casa.
A história termina com uma das declarações mais importantes do relato:
“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.”
Essa é a verdadeira esperança de Zaqueu e também a nossa. O arrependimento é necessário, seus frutos devem aparecer e o pecado precisa ser confrontado, mas a salvação não nasce da capacidade humana de reformar a própria vida. Ela encontra sua origem em Cristo, aquele que veio buscar e salvar os perdidos.
Zaqueu procurava ver Jesus.
No fim, foi Jesus quem o encontrou.
E quando Cristo encontra o pecador, a graça não apenas muda seu destino; ela começa a transformar sua vida.
Sobre o Autor
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Referências e Indicação de Leitura
QUEIROZ, Fabiano Souza. Lucas: A Bíblia de Sermões do Pregador – Esboços de Pregação Expositiva e Estudos Bíblicos. Curitiba: O Púlpito, 2025.
Conheça mais: Este artigo teológico foi desenvolvido com base no conteúdo da Coleção Esboços Bíblicos Completos para Pregação Expositiva, uma biblioteca expositiva desenvolvida para auxiliar a Igreja na proclamação fiel do Evangelho.
Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida, Edição Corrigida e Revisada Fiel (ACF). Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
Bíblia de Jerusalém. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.
Novum Testamentum Graece (NA28). Edited by Barbara Aland et al. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 2012.
DOUGLAS, J. D. et al. (eds.). Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 2006.
