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João: A Bíblia de Sermões do Pregador

O preço original era: R$59,90.O preço atual é: R$29,90.

Esboços de Pregação no Evangelho de João para Sermões Expositivos e Estudos Bíblicos

Descrição

João: Esboços Bíblicos Completos para Pregação Expositiva e Estudos Bíblicos com pesquisa arqueológica, cultural, exegética, histórica e teológica

Toda semana acontece a mesma cena.

Um pastor abre sua Bíblia, escolhe o texto que será pregado no próximo culto e inicia um longo caminho entre a leitura da passagem e o momento de subir ao púlpito.

Esse caminho exige oração, estudo, interpretação, pesquisa, organização e, acima de tudo, fidelidade às Escrituras.

Mas a realidade do ministério raramente oferece o tempo que esse processo exige.

Entre aconselhamentos, visitas, administração da igreja, família, trabalho e tantas outras responsabilidades, muitos pregadores convivem com a mesma preocupação silenciosa:

“Será que estou interpretando este texto corretamente?”

Quando o livro escolhido é João, esse desafio se torna ainda maior.

Como interpretar corretamente os discursos profundos de Jesus sem perder sua simplicidade pastoral?

Como compreender os sinais, os grandes “Eu Sou”, as longas conversas e a estrutura teológica do Evangelho sem transformar o sermão em uma aula acadêmica?

Como explicar temas centrais como a nova vida, o novo nascimento, a fé, a glória de Cristo e a vida eterna preservando o contexto de cada passagem?

Como conduzir cada sermão até Cristo, quando o próprio Evangelho foi escrito para revelar Sua identidade como o Filho de Deus?

Responder a essas perguntas normalmente exige consultar diversos comentários bíblicos, pesquisas históricas, estudos sobre o judaísmo do século I, arqueologia, Teologia Bíblica, Teologia Joanina e materiais de homilética.

Foi exatamente para reduzir essa distância entre o texto bíblico e o púlpito que nasceu a coleção Esboços Bíblicos Completos para Pregação Expositiva.

Este volume não foi desenvolvido para substituir seu estudo das Escrituras.

Ele foi desenvolvido para fortalecê-lo.

Enquanto você permanece dedicado à oração, à meditação e à preparação da mensagem, esta obra coloca ao seu lado uma pesquisa cuidadosamente organizada para ajudá-lo a compreender o Evangelho de João com maior segurança, estruturar sermões expositivos consistentes e proclamar Cristo de maneira fiel ao texto bíblico.


Por que este volume é diferente?

Embora utilize a expressão “esboços bíblicos”, esta obra oferece muito mais do que roteiros para sermões.

Ela funciona como uma verdadeira ferramenta ministerial de preparação.

Em um único volume você encontrará recursos que normalmente estariam distribuídos entre comentários bíblicos, livros de Teologia Bíblica, pesquisas históricas, arqueologia, geografia bíblica, estudos sobre o contexto judaico, Teologia Joanina e homilética.

O objetivo não é entregar sermões prontos para serem repetidos no púlpito.

O objetivo é oferecer ao pregador uma base sólida para compreender o texto, desenvolver sua própria exposição e comunicar as Escrituras com segurança, profundidade e fidelidade.


Uma exposição completa do Evangelho de João

O Evangelho de João foi escrito para que seus leitores creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em Seu nome. Cada capítulo revela a glória do Verbo encarnado, conduzindo o leitor a contemplar a identidade divina de Cristo e a profundidade de Sua obra redentora.

Ao longo deste volume você encontrará uma exposição completa do Evangelho de João, explorando seu contexto histórico, cultural, geográfico, literário e teológico.

Os sermões desenvolvem temas fundamentais como a divindade de Cristo, o novo nascimento, a graça, a fé salvadora, os sinais de Jesus, os discursos do Bom Pastor e do Pão da Vida, os grandes “Eu Sou”, a união entre o Pai e o Filho, a obra do Espírito Santo, a oração sacerdotal, a cruz, a ressurreição, a vida eterna e a missão da Igreja.

Cada mensagem foi construída para ajudar você a compreender que João não é apenas uma narrativa sobre a vida de Jesus, mas um convite para conhecer o Filho de Deus, crer em Sua obra e experimentar a vida eterna oferecida pelo Evangelho.


Exegese que conduz ao Evangelho

Todos os sermões foram desenvolvidos a partir do método histórico-gramatical, respeitando a gramática do texto bíblico, seu contexto histórico, literário e canônico.

A pesquisa exegética dialoga constantemente com a Teologia Bíblica e a Teologia Sistemática, preservando o significado original da passagem sem perder sua aplicação pastoral.

Um dos maiores diferenciais desta coleção é sua abordagem cristocêntrica.

Embora todo o Evangelho tenha Cristo como seu centro, João apresenta essa realidade de maneira singular. Cada sinal, discurso e encontro revela diferentes aspectos da identidade do Filho eterno de Deus. O Cordeiro de Deus, o Verbo encarnado, a Luz do mundo, o Bom Pastor, a Ressurreição e a Vida, o Caminho, a Verdade e a Vida são apresentados em perfeita harmonia com toda a história da redenção, conduzindo naturalmente cada sermão ao Evangelho.

Por isso, todos os capítulos incluem uma seção específica dedicada ao Messias no texto e ao Evangelho na passagem, demonstrando como cada perícope revela a pessoa, a obra e a glória de Jesus Cristo.


O que você encontrará nesta obra

✔ Uma introdução completa ao Evangelho de João.

✔ Panorama histórico, político, cultural e religioso do século I.

✔ Contexto das festas judaicas e seu significado na narrativa.

✔ Estrutura literária e organização dos sinais e discursos de Jesus.

✔ Estudo dos grandes temas da Teologia Joanina.

✔ Harmonia entre João e os demais Evangelhos quando necessária à interpretação.

✔ Pesquisa arqueológica, histórica e cultural organizada para economizar horas de estudo.

✔ Exegese das principais perícopes.

✔ Integração entre Exegese, Teologia Bíblica e Teologia Sistemática.

✔ Sermões expositivos completos para pregação e ensino.

✔ Tema, objetivo, mensagem central e desenvolvimento completo de cada sermão.

✔ Aplicações práticas fundamentadas no texto bíblico.

✔ A revelação do Messias em cada passagem.

✔ O Evangelho presente em todos os sermões.

✔ Citações de importantes teólogos e pregadores.

✔ Um recurso para acompanhar você na preparação de sermões, estudos bíblicos, discipulado e formação ministerial.


Para quem esta obra foi desenvolvida?

• Pastores.

• Pregadores.

• Líderes cristãos.

• Professores de Escola Bíblica Dominical.

• Estudantes de Teologia.

• Seminários e Institutos Bíblicos.

• Todos aqueles que desejam interpretar o Evangelho de João com maior segurança e proclamar sua mensagem com fidelidade às Escrituras.


Um companheiro para o seu ministério

Poucos livros da Bíblia conduzem tão claramente o leitor à pessoa de Jesus Cristo quanto o Evangelho de João. Suas páginas revelam a glória do Filho de Deus, chamam pecadores à fé e fortalecem a igreja na certeza da vida eterna. Ao mesmo tempo, sua profundidade teológica exige uma interpretação cuidadosa para que cada discurso, cada sinal e cada declaração de Jesus sejam compreendidos dentro da unidade das Escrituras e da história da redenção.

Este recurso foi desenvolvido para caminhar ao seu lado durante cada etapa da preparação da mensagem, reduzindo a distância entre o texto bíblico e o púlpito. Assim, você poderá dedicar menos tempo reunindo informações dispersas e mais tempo compreendendo profundamente o Evangelho de João, proclamando Cristo com convicção e edificando a igreja por meio de uma exposição bíblica sólida, cristocêntrica e fiel às Escrituras.


FAQ: Perguntas e Respostas sobre João

Quem escreveu o Evangelho de João?

A tradição antiga, desde Irineu no século II, atribui o texto ao apóstolo João, filho de Zebedeu. O livro nunca o nomeia, referindo-se em seu lugar ao “discípulo a quem Jesus amava” que aparece nos momentos mais íntimos da narrativa e é identificado como autor em 21,24.

Quem é o discípulo amado?

A identificação tradicional é João. O argumento por eliminação é forte: a figura está presente na última ceia, ao pé da cruz e no túmulo vazio, e nunca é nomeada enquanto todos os outros discípulos daquele círculo íntimo são mencionados pelo nome no Evangelho, exceto João, cujo nome jamais aparece. Alguns estudiosos propõem outros candidatos ou uma figura literária, mas nenhuma alternativa reuniu apoio comparável.

Quando o Evangelho de João foi escrito?

Provavelmente entre 80 e 95 d.C., o que faria dele o último dos quatro. A datação apoia-se no testemunho patrístico de que João escreveu já idoso, em Éfeso, e no caráter mais desenvolvido de sua linguagem teológica.

Por que João é tão diferente dos outros Evangelhos?

Porque tem propósito e método distintos. Não há parábolas, exorcismos nem transfiguração; em seu lugar, discursos longos, sinais selecionados e ministério concentrado na Judeia. Clemente de Alexandria já o chamava, no século II, de “evangelho espiritual” — não menos histórico, mas mais interpretativo, apresentando o significado dos eventos que os outros narram.

João conhecia os outros Evangelhos?

Provavelmente sim, e escreve como quem supõe isso: cerca de noventa por cento de seu material é exclusivo, e ele omite quase tudo o que os sinóticos já haviam registrado. A ceia é narrada sem a instituição do pão e do cálice, o que dificilmente ocorreria se ele supusesse leitores sem acesso a outro relato.

Qual é o propósito declarado do livro?

João o afirma explicitamente em 20,31: os sinais foram escritos para que os leitores creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome. É o único Evangelho que enuncia sua própria finalidade.


O que significa “no princípio era o Verbo”?

Que Cristo existia antes da criação, e o eco de Gênesis 1,1 é deliberado. O termo grego logos carregava sentido em dois mundos simultaneamente: para leitores gregos, o princípio racional que ordena o cosmos; para leitores judeus, a Palavra criadora e reveladora de Deus. João usa a ponte e a rompe ao dizer que essa Palavra se fez carne.

“O Verbo era Deus” ou “o Verbo era um deus”?

A tradução “um deus”, adotada pela Tradução do Novo Mundo, apoia-se na ausência de artigo definido antes de theos em João 1,1c. A objeção decisiva é gramatical: em grego, o predicativo nominal que antecede o verbo regularmente dispensa o artigo sem por isso tornar-se indefinido — regra descrita por Colwell e amplamente reconhecida. Some-se que o próprio Evangelho encerra com Tomé chamando Jesus de “Senhor meu e Deus meu”, desta vez com artigo.

O que significa “o Verbo se fez carne e habitou entre nós”?

O verbo grego traduzido por “habitou” significa literalmente “armou tenda” ou “tabernaculou”, e a alusão ao tabernáculo de Êxodo é intencional. A glória que antes enchia a tenda no deserto agora habita num corpo humano e a frase seguinte confirma o paralelo: “vimos a sua glória”.

O que significa nascer “não do sangue, nem da vontade do homem”, em João 1,13?

É um dos textos mais citados na teologia reformada sobre regeneração. A filiação divina não decorre de descendência, de decisão humana nem de esforço, mas exclusivamente de Deus. A ordem estabelecida aqui nascimento por vontade divina moldará o diálogo com Nicodemos no capítulo seguinte.


Quais são os sete sinais do Evangelho de João?

A água transformada em vinho, a cura do filho do oficial, a cura do paralítico em Betesda, a multiplicação dos pães, o andar sobre as águas, a cura do cego de nascença e a ressurreição de Lázaro. João os chama de “sinais” e não de milagres, porque sua função é apontar para além de si mesmos.

Por que o primeiro milagre foi em um casamento?

Porque a abundância inesperada de vinho de qualidade superior sinaliza a chegada da era messiânica, que os profetas descreviam justamente com imagens de banquete e vinho farto. O detalhe das seis talhas de purificação também importa: água destinada a ritos de limpeza torna-se o vinho da festa.

Quais são as sete declarações “Eu Sou”?

Eu sou o pão da vida, a luz do mundo, a porta das ovelhas, o bom pastor, a ressurreição e a vida, o caminho e a verdade e a vida, e a videira verdadeira. Cada uma vincula-se a um sinal ou a um símbolo do Antigo Testamento.

Por que as declarações “Eu Sou” são importantes?

Porque a fórmula grega egō eimi reproduz a autodesignação divina de Êxodo 3,14 na tradução grega usada no primeiro século. Em João 8,58, Jesus a usa sem predicado algum “antes que Abraão existisse, EU SOU” e a reação imediata dos ouvintes, que apanham pedras, confirma que entenderam a implicação.


O que significa “nascer de novo”?

A expressão grega em João 3,3 pode significar tanto “de novo” quanto “do alto”, e a ambiguidade parece proposital — Nicodemos entende no primeiro sentido e Jesus corrige para o segundo. Trata-se de nascimento operado por Deus, não de decisão ou reforma pessoal, e a comparação com o vento no versículo 8 reforça: sopra onde quer, e ninguém controla sua origem.

O que João 3,16 realmente afirma?

Que o amor de Deus pelo mundo se manifestou no envio do Filho, e que todo o que nele crê tem vida eterna. Duas observações de leitura: “mundo” em João raramente significa “cada indivíduo”, designando frequentemente a humanidade em sua hostilidade a Deus — o ponto é que o amor divino alcança justamente esse mundo, não apenas Israel. E o versículo seguinte esclarece que Cristo não veio julgar, mas salvar.

João 3,16 contradiz a doutrina reformada da eleição?

Não, embora seja o texto mais usado contra ela. A tradição reformada afirma tanto a oferta genuína e universal do evangelho quanto a eficácia particular da obra de Cristo, e sustenta que o próprio Evangelho de João mantém as duas coisas lado a lado: o mesmo livro que traz 3,16 traz também 6,37 “todo o que o Pai me dá virá a mim” e 6,44, onde ninguém pode vir sem ser atraído. Quem lê João inteiro encontra as duas afirmações sem esforço de conciliação por parte do autor.

O que significa “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”?

No contexto, a liberdade prometida é libertação da escravidão do pecado, não autonomia intelectual ou política Jesus explica isso três versículos adiante. O uso do trecho como lema de universidades e serviços de inteligência inverte bastante o sentido original.

O que significa “eu sou o caminho, a verdade e a vida”?

É a afirmação mais explícita de exclusividade em todo o Novo Testamento: ninguém vai ao Pai senão por Cristo. A tradição cristã sempre a entendeu como fundamento da singularidade da salvação em Jesus, e reformulá-la como uma entre várias vias contradiz diretamente a segunda metade do versículo.

O que significa “fareis obras maiores do que estas”?

Não obras mais espetaculares que a ressurreição de Lázaro. O próprio versículo dá a razão “porque eu vou para o Pai”, indicando que a grandeza está no alcance: após Pentecostes, o evangelho atinge todas as nações, e uma única pregação de Pedro produz mais convertidos que todo o ministério terreno de Jesus.

Por que “Jesus chorou” é o versículo mais curto da Bíblia?

Na divisão em versículos das Bíblias em português e em grego, João 11,35 é o mais curto duas palavras. Seu peso teológico é desproporcional ao tamanho: Jesus chora diante do túmulo de Lázaro sabendo que o ressuscitaria minutos depois, o que mostra que a certeza da vitória não anula a legitimidade do luto.

O que significa “está consumado”?

Uma única palavra em grego, tetelestai, que aparecia em recibos comerciais da época com o sentido de “pago integralmente”. A declaração não é de encerramento resignado, mas de conclusão de uma obra a dívida foi quitada, e nada resta a acrescentar.


O que a conversa com a samaritana tem de notável?

Praticamente tudo violava as convenções da época: um rabino judeu conversando publicamente com uma mulher, samaritana e de reputação irregular. É também o diálogo mais longo que Jesus mantém com uma única pessoa em qualquer Evangelho, e é a ela que ele revela sua identidade messiânica de modo explícito.

O que significa comer a carne e beber o sangue de Jesus, em João 6?

O discurso é anterior à instituição da ceia e trata primariamente de fé receber Cristo como alimento espiritual, apropriando-se dele. A leitura reformada, seguindo Calvino, entende que há conexão real com a ceia, mas que a passagem descreve a união com Cristo pela fé, não uma transformação física dos elementos. O próprio Jesus esclarece no versículo 63: o espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita.

O que significa “ninguém pode vir a mim se o Pai não o trouxer”?

É o texto clássico da doutrina reformada do chamado eficaz: a incapacidade humana é real e a iniciativa é divina. O verbo grego indica atração eficaz, não convite persuasivo, e o versículo seguinte completa a lógica todos os atraídos são ressuscitados no último dia, sem perda.

Por que Jesus chama alguns ouvintes de filhos do diabo, em João 8?

É a passagem mais dura do Evangelho, dirigida a um grupo específico em polêmica direta, e seu ponto é sobre paternidade espiritual: quem faz as obras de alguém revela de quem é filho. O texto foi historicamente usado para justificar hostilidade contra judeus, uso que ele não autoriza o Evangelho é escrito por um judeu, sobre um Messias judeu, e “os judeus” em João funciona quase sempre como designação da liderança que se opõe a Jesus, não do povo.

O que ensina a alegoria do bom pastor?

Que Cristo conhece as suas ovelhas pelo nome, dá a vida por elas e não perde nenhuma. Três elementos são especialmente destacados na tradição reformada: a entrega da vida pelas ovelhas (10,11); a afirmação de que os incrédulos não creem porque não são das suas ovelhas (10,26), invertendo a ordem que se esperaria; e a promessa de que ninguém as arrebatará de sua mão (10,28).

O que significa “tenho outras ovelhas que não são deste aprisco”?

A inclusão dos gentios no único rebanho, antecipada antes da cruz. É uma das declarações mais claras de João sobre o alcance universal da obra de Cristo, e vem imediatamente após a afirmação de que ele dá a vida pelas ovelhas.

O que ensina a videira verdadeira, em João 15?

Que o fruto cristão depende inteiramente da permanência em Cristo — “sem mim nada podeis fazer”. A imagem retoma Israel como videira nos profetas, com Jesus assumindo o que o povo não realizou.

Os ramos cortados em João 15 significam perda de salvação?

Reformados leem a passagem à luz da distinção entre pertença externa e união vital. Os ramos removidos representam quem esteve associado à comunidade sem jamais estar realmente unido a Cristo — o caso de Judas, presente no cenário imediato do discurso. A objeção arminiana é que a imagem pressupõe conexão real antes do corte; a resposta reformada aponta que o próprio João já afirmara, em 1 João 2,19, que os que saíram nunca foram verdadeiramente dos nossos.

O que é o Paracleto?

O termo com que Jesus designa o Espírito Santo nos capítulos 14 a 16, traduzido por Consolador, Conselheiro ou Advogado. Sua função é declarada: ensinar, recordar as palavras de Cristo, convencer o mundo do pecado e glorificar o Filho — o que na teologia reformada fundamenta a expectativa de que o Espírito não traz revelações que contradigam a Escritura.

O que é a oração sacerdotal de João 17?

A oração mais longa de Jesus registrada nos Evangelhos, feita antes da prisão. Ele ora por si, pelos discípulos e por todos os que creriam por meio da palavra deles o que inclui os leitores. Um detalhe frequentemente destacado: ele diz orar não pelo mundo, mas pelos que o Pai lhe deu (17,9).


Por que a cronologia da paixão em João parece diferente?

João situa a crucificação na véspera da Páscoa, enquanto os sinóticos apresentam a última ceia como refeição pascal. Propostas de solução incluem calendários distintos em uso simultâneo o que os manuscritos de Qumran tornaram plausível ou uso técnico diferente da expressão “preparação da Páscoa”. A escolha de João destaca uma coincidência teológica: Jesus morre à hora em que os cordeiros eram sacrificados.

Por que a purificação do Templo aparece no início em João?

Duas explicações competem: houve dois episódios distintos, ou João o deslocou por razão teológica, colocando na abertura do ministério a substituição do Templo pelo corpo de Cristo leitura sustentada pela própria explicação dada em 2,19-21. Arranjo temático era prática historiográfica aceita, e nenhuma das opções compromete a confiabilidade do relato.

O que Pilatos quis dizer com “que é a verdade”?

O texto não informa o tom, e as leituras vão do cinismo à resignação de um administrador que já decidiu o desfecho. O contraste é evidente: ele faz a pergunta diante de alguém que acabara de declarar ter vindo ao mundo para dar testemunho da verdade.

Por que saiu sangue e água do lado de Jesus?

Do ponto de vista médico, o fenômeno é frequentemente associado a derrame pericárdico ou pleural, indicando morte real e é justamente esse o ponto que João sublinha ao insistir no testemunho ocular. A tradição cristã também leu a cena simbolicamente, ligando os dois elementos aos sacramentos.

O que significa “não me detenhas”, dito a Maria Madalena?

O verbo grego indica interromper um agarrar já em curso, e o sentido é mais próximo de “não continues a segurar-me”. A razão é dada em seguida: a relação com ele não seria mais a mesma de antes, e ela tinha uma mensagem a levar.

Qual a importância da confissão de Tomé?

“Senhor meu e Deus meu” é a confissão cristológica mais explícita dos Evangelhos, e Jesus a recebe sem correção. Estruturalmente, ela fecha o arco iniciado no prólogo o Verbo que era Deus é reconhecido como Deus por um discípulo, e o Evangelho declara seu propósito no versículo seguinte.

A distinção entre agapao e phileo em João 21 é significativa?

É bastante explorada em pregação, mas exegetas divergem. João usa os dois verbos de modo intercambiável em outros trechos, e o diálogo também alterna outros pares de sinônimos sem aparente diferença de sentido. A ênfase mais segura do episódio está na tríplice pergunta, correspondendo às três negações de Pedro.


A história da mulher adúltera é autêntica?

João 7,53–8,11 está ausente dos manuscritos gregos mais antigos e aparece em posições variáveis nos que a trazem, incluindo, em alguns casos, dentro do Evangelho de Lucas. O consenso textual é que não fazia parte do texto original de João. Muitos estudiosos, inclusive conservadores, consideram que o episódio pode ser tradição autêntica sobre Jesus preservada fora do Evangelho e as edições críticas o mantêm entre colchetes, com nota.

João é antissemita?

Não, embora sua linguagem exija cuidado. A expressão “os judeus” aparece cerca de setenta vezes e funciona majoritariamente como designação da liderança religiosa em oposição a Jesus, não do povo o próprio Evangelho registra que muitos judeus creram nele, e afirma em 4,22 que a salvação vem dos judeus. Registre-se que a passagem foi usada historicamente para justificar perseguição, uso que o texto não sustenta.

Existiu uma “comunidade joanina”?

É a hipótese de que o Evangelho reflita a situação de uma comunidade específica em conflito com a sinagoga, apoiada na menção à expulsão dos que confessassem Jesus (Jo 9,22). A proposta tem valor explicativo para certos detalhes, mas as reconstruções mais elaboradas dessa comunidade são especulativas, e a arqueologia confirmou detalhes topográficos joaninos o tanque de Betesda com cinco pórticos, o de Siloé, o Litóstrotos que apontam para conhecimento direto da Jerusalém anterior a 70.

Os discursos de João são as palavras exatas de Jesus?

A distinção útil é entre ipsissima verba, as palavras exatas, e ipsissima vox, a voz autêntica. João apresenta o ensino de Jesus em sua própria linguagem teológica, amadurecida por décadas o que a promessa de 14,26, sobre o Espírito que faria recordar, parece antecipar. Isso não o torna criação da comunidade: o conteúdo é o de Jesus, formulado por quem o ouviu.


Por que João é tão valorizado na tradição reformada?

Porque nenhum outro Evangelho reúne com tanta densidade os temas centrais da soberania divina na salvação: a regeneração como obra de Deus (1,13; 3,3-8), o chamado eficaz (6,37.44), a redenção particular (10,11.15; 17,9), a perseverança (10,28-29) e a união com Cristo (15,4-5). Calvino considerava João a chave para os demais Evangelhos.

Qual a relação entre crer e nascer de novo em João?

A ordem importa e é característica da teologia reformada: o novo nascimento capacita a fé, não o contrário. João 1,13 atribui a filiação exclusivamente à vontade de Deus, e João 3 apresenta o nascimento do alto como condição para sequer ver o Reino ou seja, antes de qualquer resposta.

O que significa “vida eterna” em João?

Menos duração e mais qualidade de relação: o próprio Jesus a define em 17,3 como conhecer o Pai e aquele que ele enviou. E é apresentada como posse presente “tem a vida eterna”, no tempo presente, não apenas como expectativa futura.

Onde está a Trindade no Evangelho de João?

Nos discursos finais, sobretudo. O Pai envia o Filho, o Filho e o Pai enviam o Espírito, o Espírito glorifica o Filho, e os três são apresentados como distintos e ao mesmo tempo em unidade de ação e essência “eu e o Pai somos um” (10,30). O material trinitário mais explícito do Novo Testamento está aqui.


Nota final

João encerra dizendo que, se tudo o que Jesus fez fosse escrito, o mundo não comportaria os livros. O exagero é retórico e revela o critério de seleção: o Evangelho não pretende cobrir tudo, mas escolher o suficiente para produzir fé. Foi essa concentração que o tornou o texto mais usado na história da teologia cristã e, na tradição reformada, o lugar onde a doutrina da graça soberana aparece não como sistema imposto ao texto, mas como o próprio modo de falar de Jesus.


Sobre o Autor

Rev. Fabiano Queiroz é professor, escritor, pesquisador e ministro do Evangelho pela Igreja Presbiteriana do Brasil. Graduado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano de Curitiba e pós-graduado em Teologia e Interpretação Bíblica pela FABAPAR, dedica-se ao ensino das Escrituras, à pesquisa bíblico-teológica e à pregação expositiva.

Como autor, desenvolve projetos voltados ao estudo, à interpretação e à exposição fiel da Bíblia, com especial atenção à formação de pastores, pregadores, líderes cristãos e estudantes de teologia.

Informação adicional

Autor

Rev. Fabiano Queiroz

Formato

eBook (PDF), ePUB (Kindle/iPAD/Kobo)

Páginas

370

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